Desporto e Nutrição

Diferentes tipos de treino para fazer frente às calorias do Natal.

Com o aproximar da época natalícia chegamos à altura do ano em que se torna mais difícil manter a forma, seja pelo frio, constipações ou pela quantidade considerável de bolos e chocolates que parecem dominar as prateleiras dos supermercados e as nossas casas. Para mim, esta é também a época em que há sempre quem pergunte: “Qual o melhor tipo de treino para queimar as calorias em excesso que vou consumir esta semana?”.

No final desta publicação deixo uma recomendação relativamente à melhor forma de queimar calorias, mas para já decidi relembrar (aqueles que já têm experiência) e esclarecer (os que estão ou pretendem iniciar uma vida mais saudável e ativa) acerca dos principais tipos de treino e as suas especificidades, sendo estes: Treino de Resistência, Treino Cardiovascular e Treino de Flexibilidade, que serão abordados em três publicações separadas.

Hoje trago-vos apenas informação relativa ao Treino de Resistência.

O treino de resistência é um tipo de atividade física concebido para melhorar a condição física geral, exercitando músculos (ou grupos musculares) contra resistência externa. É um tipo de treino essencial para a manutenção e melhoria do nosso sistema músculo-esquelético, com bastantes benefícios em termos de funcionalidade, bem-estar e qualidade de vida.

Este tipo de treino encontra-se subdividido consoante os objetivos específicos de cada um, a saber: hipertrofia, endurance muscular e força muscular.

Caso pretendam ganhar massa muscular, falamos em hipertrofia, A hipertrofia ocorre quando existe um aumento no tamanho das fibras musculares preexistentes.

Aplicação prática:

  • Utilizar cargas de 70-85% de 1RM (RM significa “repetição máxima” e corresponde à carga máxima que conseguimos movimentar). Exemplo: se num determinado exercício consigo levantar um máximo de 100kg, para um treino de hipertrofia devo realizar séries com cargas entre os 70kg e os 85kg;
  • 1 a 3 séries de 8 a 12 repetições;
  • Período de descanso entre séries de 1 a 3 minutos, dependendo se estão a trabalhar nos 70% ou nos 85%.

Quando o objetivo é conseguir efetuar exercícios prolongados e não sentir tanta fadiga após prática de atividade física, ou até mesmo nas atividades comuns do dia a dia, pretende-se um treino de resistência com foco em endurance muscular. Este treino permite um aumento da capacidade dos músculos no que diz respeito ao número de repetições e ao tempo em que conseguem manter atividade. A corrida é um bom exemplo, na medida em que, para mantermos uma corrida durante alguns minutos, é necessário que os nossos músculos tenham capacidade para contrair e relaxar continuamente, suportando impactos contínuos.

Aplicação prática:

  • Cargas menores que 70% de 1RM;
  • 2 a 4 séries de 10 a 25 repetições;
  • Período de recuperação deverá estar entre os 30 e 60 segundos.

Em seguida, temos a força muscular que, como o nome indica, permite um aumento gradual da nossa força muscular, o que permitirá trabalho com cargas superiores, mais facilidade em movimentar objetos no dia a dia, melhoria da postura, entre outros.

Aplicação prática:

  • Cargas entre os 60-70% de 1RM;
  • 1 a 3 séries de 8 a 12 repetições;
  • Período de recuperação entre 1 e 3 minutos.

Antes de iniciar qualquer tipo de treino e para poder escolher qual o mais adequado, são necessários alguns princípios. Primeiramente devem ser definidos objetivos específicos, que produzirão resultados específicos. Quer isto dizer que para alcançarmos uma determinada meta temos que saber o que queremos trabalhar, por exemplo, se pretendo fortalecer os músculos das costas, os exercícios a realizar serão específicos para essa área. Isto parece obvio mas é importante ter em conta, principalmente quando se trata de treinos complementares a uma determinada modalidade desportiva, onde os músculos e os movimentos a reforçar podem ser muito específicos.

Também é importante conhecer os chamados “princípio da sobrecarga” e da “progressão”, que por outras palavras significam que, para obtermos resultados e uma evolução positiva no treino, deve ser imposto stress ao nosso sistema músculo-esquelético – o que implica alguma dificuldade na execução dos exercícios, mas não tanta que impossibilite a realização dos mesmos. Devido à constante adaptação do nosso corpo, a carga deve ser gradualmente aumentada, de forma a sobrecarregar progressivamente o sistema músculo-esquelético. Este aumento progressivo da carga deve ser feito com alterações ligeiras, através do aumento de pesos e repetições, alteração do tipo de exercício ou redução do tempo de repouso entre séries. Estas alterações devem ser efetuadas quando já não sentimos dificuldade em realizar o nosso plano de treino, é nesta altura que nos apercebemos que o nosso corpo se está a habituar e que devemos desafiar os músculos com mais algum stress fisiológico.

Atenção! Estes aumentos são bastante ligeiros, devem aumentar as cargas apenas entre 2 a 10%, e/ou adicionar 1 a 2 repetições de cada vez, voltando a aumentar apenas alguns treinos depois, quando o nosso corpo se está a adaptar novamente.

Quanto à melhor forma de queimar calorias da qual prometi falar… Vamos desmistificar a ideia de que os treinos “cardio” são a melhor opção. Ainda existe muita gente a pensar que: “é a correr ou andar muito tempo na passadeira, ou a pedalar nas bicicletas e elípticas que vou perder mais gordura”, mas não é bem assim. É verdade que este tipo de exercício pode utilizar gordura para produção de energia, contudo, recorrendo repetidamente ao mesmo tipo de exercício, estarão a limitar-se. Recomendo que recorram ao treino de resistência de que acabei de falar, trabalhem todos os grupos musculares com um pouco de hipertrofia, um pouco de endurance e um pouco de treino de força, para além de exercícios cardiovasculares (que por si só não trabalham uma parte considerável dos nossos músculos).

Porquê? O segredo está no consumo calórico após o exercício. Músculos mais trabalhados requerem um maior consumo energético, mesmo quando estamos em repouso, o que significa que uma maior condição física geral e um trabalho muscular mais completo através da prática destes diferentes tipos de treino, em última instância, será mais benéfico e permitirá um maior consumo calórico.

Bons treinos e Feliz Natal!

 

Texto de Cláudio Mousinho

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Memórias e Fotografia

[Saudade]

Fim de Semana @ Vila Real 20-23.07.2007 012

Há uma saudade que sempre espreita,
Um abraço esquecido,
Um beijo perdido.
Há uma saudade que se esconde,
que se arruma,
que se apaga.
Uma janela aberta,
Uma porta fechada.
Há uma saudade que se estende,
Que perdura,
Que esvoaça.
E em três fases, meu amor…
O vento sopra,
O dia amanhece,
E as palavras morrem.

 

Texto de Joana Almeida

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Fotografia de Nuance Fotografia by Cláudia da Silva Mousinho

Psicologia e Desenvolvimento Pessoal

Quer falar-me melhor sobre isso? A relação terapêutica.

Olá de novo caro leitor, se tem acompanhado a minha rúbrica no Life Quadrants lembrar-se-á de que este é o último de uma série de três textos que procuram iluminar um pouco o conceito de “Psicoterapia”. Ao longo do tempo tenho referido várias vezes a importância do conceito de relação terapêutica na concepção de “psicoterapia”, contudo, até ao momento esse conceito não foi ainda aprofundado. Por essa razão, o propósito desta rúbrica é o de elucidar, o melhor possível, que tipo de relação caracteriza esta prática. Não esconderei ao leitor que não será tarefa fácil, uma vez que este assunto é tema de debate há várias décadas na comunidade científica de psicologia e que tem dado origem a muitas páginas sobre o assunto. Preparado? Aqui vamos então:

Como ponto de partida, comecemos por dizer que a psicoterapia funciona como um “microcosmo” da vida do cliente (Spinelli citado por Finlay, 2016). Tal significa que é através dela que, momento-a-momento, o terapeuta consegue observar como os seus clientes sentem, pensam e vêem o seu mundo psicológico e social – ou ainda, de que forma se relacionam com o mesmo. Este processo estende-se também para o terapeuta, e neste sentido, é na relação terapêutica que a vida relacional do cliente se revela. Mas quererá isso dizer que a relação terapêutica é sinónimo de uma relação de proximidade e amizade? Bem, a resposta é sim e não. Na relação terapêutica o terapeuta mostra-se como uma figura presente, segura, constante e incondicionalmente disposta para estar com o cliente (Filnlay, 2016), o que significa que independentemente do sucedido, ele estará lá para o escutar e aliviar o seu sofrimento. O terapeuta procura também comunicar genuína e honestamente, permitindo-se ser emocionalmente “tocado” pelo cliente (Jacobs citado por Finlay, 2016).

Outra qualidade da relação terapêutica é o seu cariz colaborativo, o que significa que é uma relação que implica não uma postura assimétrica entre um “especialista” e um “doente”, mas sim uma relação em constante transformação, evolução e negociação que é co-criada por dois seres humanos que se encontram com o objectivo de promover o desenvolvimento e o bem-estar daquele que procura ajuda (Evans & Gilbert citado por Finlay, 2015). Ainda assim, devemos pensá-la como uma relação que implica alguma desigualdade, pois o centro das atenções reside em última instância no cliente e no seu bem-estar. Para além disso, salvo raras e devidas excepções, a relação terapêutica é circunscrita ao contexto específico da terapia – algo a que nós psicólogos denominamos de setting terapêutico.

Em suma, a relação terapêutica que caracteriza a psicoterapia, é uma relação que procura criar as condições ideais para fomentar a mudança e o bem-estar do cliente. É uma relação que implica segurança, empatia, respeito, compaixão e de ausência de julgamento de qualquer aspecto que o cliente leve à terapia.

Ao longo da história da psicoterapia, o papel da relação terapêutica tem sido cada vez mais estudado e investigado, sendo que, como já referi em textos anteriores, actualmente existem evidências que parecem indicar que a qualidade da relação terapêutica contribui mais do que a utilização de técnicas específicas no alívio do sofrimento humano. Por esta razão e como já começa a ser tradição nas minhas rúbricas do LQ, termino com uma citação de John Norcross (2011) sobre o assunto:

A psicoterapia é na sua essência uma relação humana. Mesmo quando feita à distância ou via computador, a psicoterapia é, irredutivelmente, um encontro humano. Ambas as partes trazem aspectos de si – as suas origens, culturas, personalidades, psicopatologia, expectativas, vieses, defesas e forças – para a relação humana. Alguns defenderão que a relação é um pré-requisito da mudança e outros um processo da mudança, no entanto, todos concordam de que se trata de um investimento relacional. (p.429) “

 

Referências:

            Finlay, L. (2016) Relational Integrative Psychotherapy: Engaging Process and Theory in Practice. West Sussex: John Wiley & Sons Ltd.

            Norcross, J. C. (2011) Psychotherapy Relationships that Work: Evidence-Based Responsiveness. Nova Iorque: Oxford University Press.

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Desporto e Nutrição

Sabores

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Aqui em casa, gostamos muito de aproveitar tudo o que podemos 🙂! Desta vez tinha uma posta de bacalhau assado!
Assim aproveitei para fazer esta tarde super fácil de fazer e deliciosa!

Ingredientes
1 posta de bacalhau cozida ou assada desfiada
5 ovos
250 ml de queijo quark
1 alho francês cortado ás rodelas fininhas
Coentros
Pimenta q.b.
Noz moscada q.b.

Preparação

Bater bem os ovos, envolver com o queijo quark, misturar o bacalhau, o alho francês e temperar a gosto (coentros, pimenta, noz moscada). Colocar numa forma de silicone durante 40 minutos a 220 graus em forno pré aquecido.

Bom apetite ❤️ cá em casa adoramos !!!

Receita da nossa parceira:

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Desporto e Nutrição

Os primeiros passos de quem quer começar a correr.

Na publicação anterior, abordámos a importância fundamental do equipamento que escolhemos para treinar, enunciando as características mais importantes que devemos ter presentes aquando da aquisição do mesmo.

 Se a nível de vestuário, a questão prender-se-á (não só, mas sobretudo) com o conforto, no que diz respeito ao calçado o factor protecção/prevenção é, sem duvida nenhuma, primordial para a escolha mais adequada.

Quando a nossa opção recai sobre os chamados desportos de impacto – assim chamados pelo “impacto” provocado e que se repercute através da nossa estrutura de suporte, o esqueleto –, como a corrida, aquilo que calçamos constitui a primeira linha de defesa contra as lesões, sejam elas musculares, ósseas ou articulares.

Tendo presente esta premissa, devemos procurar aderência, suporte e absorção:

  • Aderência para evitar movimentos articulares repentinos e imprevistos;
  • Suporte para manter as ligações articulares na posição correcta, incluindo as dos dedos;
  • Absorção para minimizar o impacto, que o peso do nosso corpo contra o solo provoca, em toda a nossa estrutura óssea;

Para os que estão a iniciar-se na corrida, e que portanto não sentem ainda a necessidade de despender um valor considerável num par de ténis, os Speed Swift 2 da Under Armour são uma óptima opção. Além de preencherem os requisitos que enunciámos acima, o PVP de 80€ é um excelente compromisso entre custo e qualidade.

As principais características dos Under Armour Speed Swift 2 Running Shoes são:

  • Construção em material respirável para melhor ventilação, com reforço intermédio do “meio-pé” para maior durabilidade
  • Interior em espuma EVA, para maior conforto
  • Sola intermédia em EVA monopeça, para uma passada responsiva
  • Sola exterior em borracha, reforçada nas zonas de impacto para elevada absorção, aliando durabilidade e peso reduzido
  • Peso: 248g (ténis masculino) / 210g (ténis feminino)

 

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Visite-nos e venha conhecer esta e outras soluções para a sua prática desportiva!!

Bons treinos!

 

Texto de Six Pack Fitness Store

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Memórias e Fotografia

As Raízes da Saudade – I (Parte II)

Eu tinha 5 anos, era o meu primeiro dia de escola. Foste comigo de mãos dadas até à sala de aula, eu estava nervosa, entusiasmada com a ideia de ir para a escola e ao mesmo tempo cheia de medo. Apertava-te as mãos com força como quem diz “por favor, não me deixes sozinha”. Entrámos na sala e de repente estavam aqueles olhos pequenos todos voltados na minha direcção e naquele momento quis voltar para casa.

Queria ficar, fazer amigos, aprender, mas tinha tanto medo. Tinha medo que os meninos não gostassem de mim. Tinha medo que gozassem comigo.

Estivemos da sala de aula um tempo, não me lembro ao certo do que falámos. Sei que se tratou de uma forma de nos prepararmos devagarinho para aquele novo desafio. De repente a professora pediu aos pais e avós que saíssem da sala para poder estar connosco, conhecer-nos. Aí o mundo parou. As lágrimas vieram aos olhos, agarrei a tua mão e comecei a chorar.

– Não quero ficar aqui sozinha! Não vás embora, por favor.

– Oh filha, a avó vai só ao pão e vais ver que daqui a pouco já aqui estou outra vez para irmos para casa. – disseste tu enquanto me limpavas as lágrimas que insistiam em cair acompanhadas de soluços.

– Mas eu não quero! Quero ir contigo para casa!

– Oh minhas querida, então. A avó daqui a pouco já volta para te vir buscar. Já estiveste comigo uma vez não te lembras? – disse a professora Júlia com uma ternura na voz que me tranquilizou.

– Lembro… – disse eu hesitante enquanto limpava as lágrimas envergonhada, olhando à minha volta e percebendo que estavam todos a olhar para mim.

– Então. Vais ver que vais gostar. Estão aqui tantos meninos como tu. Vão dar-se bem e vais aprender muitas coisas novas. E hoje vão ficar só um bocadinho para se conhecerem e depois já vais poder voltar para casa com a avó.

Eu respirei fundo e limpei as lágrimas novamente. Tu olhaste para mim e sorriste. Pegaste no lenço que trazias preso no cós da tua saia e limpaste-me a cara. Deste-me um beijo e saíste. Acompanhei-te com o olhar até a porta se fechar atrás de ti. O coração apertou e eu voltei a chorar.

Acompanharam-me à casa de banho, fizeram-me acalmar e voltei à sala de aula. Eu sabia que tu ias voltar para me vir buscar, sabia que ia voltar para casa. Sabia que tinha só que aguentar aquelas horas e tudo ia compor-se.

– Emprestas-me as tuas canetas? – perguntou uma colega que estava sentada ao meu lado.

Olhei para ela intimidada, agarrei no meu estojo e coloquei-o junto ao peito. Não estava habituada a deixar que ninguém mexesse nas minhas coisas.

– Não! São minhas. Usa as tuas! – disse eu, zangada e assustada por estarem a falar comigo, quando eu só queria fazer os meus desenhos metida no meu mundo.

– Vais ter muitos amigos assim. És má.

Estremeci… Achava que ela tinha razão, que não ia fazer amigos e que aquele percurso ia sempre ser um inferno.

Com o passar das horas fui perdendo o medo. Levantei-me da cadeira, com uma caneta azul na mão e fui ter com a colega que tinha mudado de lugar.

– Desculpa… Não queria ser má para ti. Podemos ser amigas? – perguntei envergonhada.

Ela pegou na caneta, olhou para mim:

– Está bem. – disse sorrindo enquanto me dava para a mão um lápis de cor também ele azul.

Umas horas depois estava a guardar as canetas dentro do estojo, as folhas dentro da mochila e a correr novamente na tua direcção, com a certeza de que amanha o dia ia correr muito melhor.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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Desporto e Nutrição

O que é a nutrição funcional?

Tratar o problema e não apenas os sintomas é a base da medicina funcional. A medicina tradicional tem um papel importantíssimo na melhoria da saúde da população. Graças à sua evolução conseguimos diminuir a mortalidade infantil de forma louvável, aumentar a esperança média de vida, erradicar doenças fatais e diminuir o sofrimento de pessoas com diagnósticos muito variados. Não vejo como descurar ou minimizar a sua importância.

No entanto, assistimos todos os dias à prática da medicina apenas focada no controlo dos sintomas. Às vezes a única solução é essa mas será sempre? Certamente que não. Quando temos uma dor de cabeça o que fazemos? Tomamos um analgésico. Quando estamos obstipados? Tomamos um lachante. Quando temos anemia? Às vezes prescrevem-nos ferro. Quando nos sentimos cansados todos os dias o que fazemos? A maior parte das vezes nada, limitamo- nos às queixas do dia a dia. Mas qual é a origem destes problemas todos? Dá para os tratar e controlar efetivamente?

O conhecimento científico é vasto e todos os dias o desperdiçamos.
Muitas vezes limitamo-nos a pintar os buracos da parede com esperança de resolver o problema enquanto podíamos tapar os buracos (filosófico). Acredito que é importante utilizarmos as ferramentas clínicas e científicas para melhorar a saúde da população ao máximo. Infelizmente nem todos estamos focados neste objetivo. Os recursos disponíveis muitas vezes são escassos e limitam os profissionais de saúde a realizar todos os exames que poderiam fazer e a gastar o tempo necessário com cada doente.

A nutrição funcional não se limita a prescrever dietas, a emagrecer pessoas e a suplementar ou recomendar alimentos funcionais “XPTO”. É uma área da nutrição clínica, não é uma novidade. O nome utiliza-se para distinguir e diferenciar de outras práticas mais generalistas da nutrição. Como fundamentos base a nutrição funcional avalia a individualidade bioquímica, foca o tratamento nas reais condições e necessidades do utente, trabalha com o objetivo de oferecer uma alimentação equilibrada . Tem em atenção a biodisponibilidade dos nutrientes e as suas interações bioquímicas. Os desequilíbrios nutricionais, hormonais, stress oxidativo, alterações imunitarias, saúde intestinal e relação com a saúde mental são estudados e valorizados.

Acho importante reforçar que existe uma pirâmide que prioniza questões alimentares. É muito comum assistir a tentativas de ingressar num estilo de vida e alimentação saudáveis pelos promenores e questões complexas e não pela base. Diria que 80 a 90% do impacto da alimentação está nas alterações do primeiro patamar, as mais simples. Comer saudável não é só para elites é o base está em alterações acessíveis.

A nutrição funcional não é baseada no consumo de alimentos “estranhos” e em “unicórnios”. Deve ser uma prática baseada na evidência que busque melhorar a saúde das pessoas de forma personalizada, utilizando as ferramentas técnicas e científicas adequadas.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Psicologia e Desenvolvimento Pessoal

Quer falar-me melhor sobre isso? O propósito da psicoterapia.

Olá de novo caro leitor, se tem acompanhado o meu trabalho lembrar-se-á de que na minha última rúbrica começámos a explorar o conceito de psicoterapia falando sobre as várias maneiras de a praticar. Concluímos que existem diversos modelos teóricos, com diferentes formas de realizar o trabalho psicoterapêutico e que, segundo a investigação, parecem ter níveis de eficácia equivalente. Para continuarmos a explorar o conceito, hoje pretendo focar-me na questão “Qual o propósito da terapia?”. O leitor poderá neste momento estar a pensar “A cura/alivio dos sintomas de problemas de saúde mental!”, embora concorde parcialmente torno a lançar a dúvida: será apenas esse? Trago hoje três estudos que nos fornecem algumas conclusões interessantes sobre o assunto.

Para começar, considero que ninguém melhor para nos ajudar a compreender o propósito da psicoterapia que os seus próprios clientes. Um estudo de 2015 desenvolvido por Olivera, Penedo e Roussos propôs-se a estudar em antigos clientes de psicoterapia, a percepção do que mudou e as razões que os levou a procurar a terapia. Através de entrevistas a antigos clientes de psicoterapia descobriram que as principais razões de consulta foram: Problemas interpessoais (i.e. problemas conjugais, com a família etc), Problemas emocionais (nomeadamente depressão, ansiedade, entre outros) e Crises Relacionadas a eventos de vida (i.e. Divórcios, entre outros). Os autores classificaram os tipos de mudança referidos pelos participantes como: Mudanças cognitivas (i.e. mudança da forma de pensar ou de processar os acontecimentos à sua volta); Mudanças emocionais (i.e. diminuição de depressão ou ansiedade); Melhoria da qualidade de vida (i.e. melhoria do bem-estar e da vontade de viver); Mudanças interpessoais (i.e. mudanças nas relações com os outros); Mudanças intrapessoais (i.e mais aceitação de si, maior autoconfiança) e Mudança de comportamentos (i.e mudança da forma de responder às situações). A maior parte dos participantes referiu notar mudanças em mais do que uma área.

Em 2010, outro estudo desenvolvido por Binder, Holgoersen e Nielsen procurou responder à questão “O que é um bom ganho terapêutico para o cliente de psicoterapia?” e para o efeito entrevistaram antigos clientes de psicoterapia e descobriram cinco temas importantes: Desenvolver novas formas de se relacionar com os outros – nomeadamente, uma maior segurança, autenticidade, assertividade, sensibilidade e empatia nas relações; Redução dos sintomas; Mudanças no comportamento relacionado ao sofrimento; Melhor capacidade de introspecção e auto-compreensão e melhor aceitação e valorização de si próprio.

Estes dois estudos elucidam aspetos importantes relativamente à pergunta que lancei ao leitor no parágrafo anterior. Em primeiro lugar, percebemos que a psicoterapia pode servir não apenas para redução ou gestão de sintomas do nosso sofrimento psicológico, mas também como forma de suporte e amparo a problemas de relação com os outros ou a eventos de vida que nos causem impacto. Em segundo, podemos perceber que os ganhos psicoterapêuticos não se limitam exclusivamente à eliminação do sofrimento. De facto, estendem-se bem para lá disso, permitindo mudar a nossa forma de pensar sobre nós, os outros e o mundo, mudar os nossos estados emocionais, ajudar-nos a viver melhor e melhorar a nossa relação connosco e com os outros.

Há no entanto outra pergunta que me parece ser pertinente fazer se queremos perceber as implicações do propósito da psicoterapia. Se por um lado a investigação parece apontar para o potencial de uma panóplia de mudanças, até que ponto a terapia pode verdadeiramente mudar-nos? Roberts e colaboradores publicaram este ano uma meta análise[1] sobre o efeito da psicoterapia nos traços de personalidade que traz algumas conclusões interessantes a esse respeito. Em mais de 200 estudos diferentes, os autores verificaram que existem mudanças nos traços de personalidade após intervenção psicoterapêutica, sendo que os dois traços de personalidade que mostraram uma mudança positiva mais acentuada denominam-se de estabilidade emocional[2] e extraversão[3]. Os autores referem que os seus dados corroboram a ideia de que a psicoterapia pode levar a uma alteração duradoura da personalidade e que esta não parece estar associada a um típico específico de modalidade terapêutica. Os autores referem ainda que embora exista a possibilidade de que as mudanças se desvaneçam com o tempo, a evidência parece apontar que tal não sucede.

Considerações finais

            Como o leitor certamente poderá imaginar, este pequeno texto não pode fazer jus a toda a literatura existente sobre psicoterapia, pelo que poderão existir outros estudos igualmente relevantes que não estão aqui incluídos. No entanto, o propósito da apresentação destas três investigações é apenas testar algumas concepções que podemos ter sobre esta área, influenciadas pela ideia socialmente construída daquilo que é a psicoterapia.

            Mais uma vez reitero, a psicoterapia (e por conseguinte, a psicologia) é uma poderosa forma de nos ajudar a viver melhor, mais estáveis e mais livres. Embora a ideia de eliminação de sintomas não esteja totalmente errada, para alguns modelos teóricos não é sequer o foco da intervenção (i.e. pode ser encarada como um subproduto da mudança). Como pudemos ver, há uma grande quantidade de situações que podem ser indicadas para trabalhar em psicoterapia sem que tal implique uma gestão ou eliminação de sintomas. Se ainda estiver céptico, ficam então as palavras de Norcross, um reconhecido investigador na área, sobre o conceito de psicoterapia: “A psicoterapia é a aplicação intencional e informada dos métodos clínicos e posturas interpessoais derivadas de procedimentos psicológicos estabelecidos para o propósito de assistir pessoas na modificação dos seus comportamentos, pensamentos, emoções e/ou outras características pessoais na direcção considerada desejável pelos participantes” (Norcross citado por APA, 2013).

Referências Bibliográficas:

American Psychological Association. (2013). Recognition of psychotherapy effectiveness. Journal of Psychotherapy Integration, 23(3), 320-330. http://dx.doi.org/10.1037/a0033179

Binder, P. E., Holgersen, H., & Nielsen, G. H. (2010). What is a “good outcome” in psychotherapy? A qualitative exploration of former patient’s point of view. Psychotherapy Research, 20, 285-294. doi:10.1080/10503300903376338

Olivera, J., Braun, M., Gómez Penedo, J. M., & Roussos, A. (2013). A qualitative investigation of former clients’ perception of change, reasons for consultation, therapeutic relationship, and termination. Psychotherapy: Theory, Research, & Practice, 50, 505–516. http://dx.doi.org/10 .1037/a0033359

Roberts, B. W., Luo, J., Briley, D. A., Chow, P. I., Su, R., & Hill, P. L. (2017). A systematic review of personality trait change through intervention. Psychological Bulletin, 143(2), 117-141. doi:10.1037/bul0000088

[1] Tipo de estudo que procura analisar um grande número de estudos diferentes sobre um determinado tema de modo a integrar e resumir os seus resultados.

[2] A capacidade de manter um equilíbrio emocional em circunstâncias stressantes.

[3] Grau de sociabilidade e assertividade de um individuo.

 

Texto de Rodrigo Pires

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Desporto e Nutrição

Devo escolher um Personal Trainer ou um Fisiologista do Exercício?

Apesar da ainda insuficiente prática de atividade física no nosso país, as evidências relativas ao papel do exercício físico na saúde pública começam a estar mais presentes na nossa consciência, o que nos últimos anos tem resultado num aumento da oferta desportiva e na popularidade de ginásios e health clubs. A procura pela perda de peso, manutenção e/ou melhoria da condição física e percentagem de massa muscular está, felizmente, a crescer. A acompanhar este crescimento da área do fitness está o já tão conhecido Personal Trainer, que oferece um serviço personalizado, focado nas necessidade e objetivos específicos de cada cliente. Os seus serviços são requisitados não só pelo aumento da eficácia dos treinos personalizados, mas também pelo fator motivacional, muito importante para as pessoas que desistem de praticar atividade física caso não tenham alguém a “puxar por elas”. Mas será que estes profissionais estão realmente preparados para atuar mediante todas as nossas características? E se for portador de uma deficiência ou algum tipo de doença? Se tem problemas respiratórios ou cardíacos?

Não quero com isto insinuar que a atividade profissional dos Personal Trainers não é ética e competente, a grande maioria destes profissionais atualmente possui formação superior (licenciaturas, mestrados, pós-graduações), adequada às suas funções, o problema está na falta de regulamentação. De acordo com a legislação atual, para exercer atividade como Personal Trainer, um indivíduo pode ter formação superior específica e aprofundada ou ter apenas realizado um curso de formação profissional que dá igual acesso à cédula profissional de Técnico de Exercício Físico. Assim, é notória a desigualdade existente ao nível da formação académica e curricular de cada técnico, o que poderá levar a desigualdades no conhecimento técnico e teórico e consequentemente na prática da sua atividade.

Explanada esta questão, coloca-se uma outra igualmente pertinente. Estarão os Personal Trainers, com formação superior totalmente preparados para lidar com todos os indivíduos que a eles recorrem? É um curso superior suficiente para dar resposta adequada a todas as questões eminentes?

A resposta é Não! Relativamente a situações como as referidas anteriormente (portadores de deficiências, problemas respiratórios e/ou cardíacos, bem como, outras patologias específicas) é estritamente necessária a continuidade e o aprofundamento da formação.

E agora, como proceder? Afinal não devo ter um Personal Trainer ou devo controlar e comprovar os seus currículos? Nada disso, estes profissionais têm um valor enorme na promoção de saúde a nível mundial e não devemos abdicar da sua ajuda, devemos sim alterar um pequeno pormenor do nosso comportamento e recorrer a uma alternativa que apresentarei de seguida.

Os leitores que recentemente se inscreveram num ginásio poderão confirmar que, para iniciar uma prática desportiva na maioria destes estabelecimentos, ou para adquirir um serviço de treino personalizado já não lhes é exigido um atestado médico, apenas lhes é pedido que assinem um termo de responsabilidade onde afirmam não ter qualquer problema de saúde que impossibilite a prática de atividade física. Desta forma poderemos estar a “poupar tempo” por não ser necessário sermos observados por um médico nem sermos sujeitos a exames, mas este simples pormenor pode ser o início de diversos problemas. O que por vezes acontece nestes casos é que o cliente tem um problema de saúde recente, não detetado em exames médicos anteriores, e o seu PT, sem saber, prescreve determinado treino com características prejudiciais, o que poderá resultar em acidente ou lesão grave durante o treino. Posto isto a minha recomendação é óbvia, mesmo que não vos seja exigido, peçam uma avaliação médica.

Este é o primeiro passo para uma iniciação segura à prática de atividade física, o segundo vai depender da avaliação médica. Caso não seja detetado qualquer problema de saúde, avancem sem medos e adiram ao Personal Training, aproveitem ao máximo os conhecimentos e disponibilidade destes profissionais.

Se por outro lado for detetada alguma limitação não deverão contactar um PT. Mas isto não significa que não possam praticar atividade física, pelo contrário.

Aproveito agora para vos apresentar uma classe profissional pouco conhecida pelo povo português mas já existente e regularizada em vários países, o Fisiologista do Exercício. Este profissional deverá ser a alternativa para todos os que pretendem melhorar a sua saúde através da atividade física. Aqui estão as principais características do Fisiologista do Exercício:

Fisiologista_Exercício_jpegFonte: Revista Factores de Risco nº44 Abr-Jun 2017

O Fisiologista do Exercício pode exercer atividade profissional em ginásios, farmácias, clínicas, câmaras municipais e juntas de freguesia, hospitais ou em vários tipos de empresas. Assim como os PT’s, pode trabalhar por conta própria ou inserido em equipas multidisciplinares.

A regulação profissional na área do exercício físico está ainda a dar os primeiros passos no nosso país, mas felizmente temos exemplos como o Canadá, que se encontra alguns anos à nossa frente no que diz respeito a esta matéria, que nos apresenta um exemplo onde o Personal Trainer e o Fisiologista do Exercício representam diferentes categorias profissionais. Neste caso,  diferentes profissões na área da saúde estão interligadas (PTs, Fisiologistas do Exercício, Médicos, Fisioterapeutas, Nutricionistas, Psicólogos, entre outros). Assim, os PTs encarregam-se da prática de atividade física da população com  baixo risco, enquanto que os Fisiologistas do Exercício trabalham esta atividade com quem possui problemas de saúde.

É nesta direção que caminhamos neste momento, mas a falta de regulamentação atual não nos permite encontrar estes profissionais com a regularidade desejada. Por essa razão vos falo aqui hoje sobre a sua existência e recomendo que os procurem e requisitem.

Todos merecem um serviço de qualidade, principalmente no que diz respeito à saúde, como tal, é essencial que procurem quem apresenta melhor capacidade de ajudar. Neste caso, se existir um problema de saúde e pretenderem contrariá-lo através de atividade física, enquanto o nosso governo não regulamentar esta área, procurem um licenciado em Desporto com formação complementar em Fisiologia do Exercício para ser o vosso Personal Trainer.

 

Texto de Cláudio Mousinho

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