Coaching e Desenvolvimento Pessoal

Sobre Realizar Sonhos!

Queridos corações que me sentem,
Ainda ontem era uma menina, ainda ontem tinha tantas dúvidas e procurava tantas respostas.
Ainda ontem as minhas acções eram baseadas em porquês e cobranças.
Ontem o meu abraço não me chegava, a minha companhia não era bastante e a minha opinião não era suficiente.
Quase que consigo ver-te e sentir-te outra vez pequenina.
Hoje com os olhos cheios de orgulho e um coração maior.
Hoje com a alma cheia de sonhos possíveis de realizar.
EU decidi que queria mais, EU caminhei passo a passo, EU lutei para chegar mais longe, ainda que as estatísticas não estivessem do meu lado.
E este EU, não é um super-herói. Este EU não se desenvolveu sozinho.
Este EU foi corajoso o suficiente para pedir ajuda quando precisou, para cair quando o corpo não aguentava mais, para travar lutas internas a fim de ter paz.
Foi neste fim-de-semana que tive a certeza qual seria a minha resposta à pergunta “o que queres ser quando fores grande?”. Quero semear sonhos, em mim, nas pessoas e no mundo em geral. Sonhos criam movimento, sonhos fazem os olhos brilhar e fazem sentir borboletas na barriga. Eu realizei um sonho e percebi que já estava a trabalhar nele há bastante tempo.
No caminho,
Percebi que está tudo bem em vivermos a nossa vida somente com o que nos faz felizes, mesmo que por vezes isso signifique eliminarmos da nossa vida pessoas e situações que naturalmente deveriam fazer parte dela. Aprendi que perdoar ás vezes é fazemo-lo para nós mesmos e que não precisamos permitir que certas coisas façam ou voltem a fazer parte da nossa vida. Aprendi que está tudo bem em seguirmos os nossos instintos desde que o façamos com verdade.
Entendi que ás vezes a vida nos coloca novamente em momentos que nos testam para que possamos perceber se aprendemos aquilo que era necessário.
A vida é uma prova e uma transformação constante. Vamos precisar olhar sempre para dentro para entendermos onde estamos e quem somos no agora.
No nosso caminho devemos apenas permitir que entre e que esteja aquilo que acrescenta e que nos faz estar e viver em paz, mesmo que por alguns momentos o nosso mundo seja abanado. Nesses momentos precisamos parar e pedir ajuda se for preciso. Precisamos clarear a mente.
Parte da (nossa) evolução é aceitar que às vezes o nosso mundo vai ser testado e que vai doer porque todos temos uma história. Mas em consciência aprendi que é nossa a responsabilidade de sermos levados por isso ou fazermos diferente.
Percebi que sempre que falamos com amor, tudo fica melhor. E falar com amor é muitas vezes connosco mesmos.
Que as nossas vidas sejam preenchidas com pessoas bonitas, com pessoas que falam a mesma linguagem (a do amor).
Serei eternamente grata àqueles que me acompanham e que acreditam em mim. A todos aqueles que me fazem ser uma pessoa melhor todos os dias.
Um dia eu decidi que merecia viver a vida dos meus sonhos, e a verdade é que a vivo. Rodeada de sorrisos, de palavras verdadeiras, de emoções e de mais sonhos.
Sou profundamente grata a todos aqueles que me permitem entrar nas suas vidas sabendo que a forma como os poderei ajudar é dizendo-lhes a verdade. Colocando-os fora da zona de conforto. O meu profundo obrigada por me ensinarem com as vossas histórias, com o vosso amor pela vida e por quererem ser mais, fazer mais e ter mais.
Texto de Marta Ramos do COA

 

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Coaching e Desenvolvimento Pessoal

Sobre viver com propósito!

Desde a infância nutrimos curiosidade pelo sentido das coisas. Todos nós, a certa altura, bombardeámos os adultos da nossa vida com perguntas do tipo “”Porque é que o céu é azul?”, “Para que servem as formigas?”, “Onde vão as estrelas e a lua quando é de dia?”. Com o tempo, esse olhar curioso começa a voltar-se para dentro de nós e começamos a querer entender a razão pela qual estamos aqui, qual o nosso papel no mundo e como podemos ser felizes. Procuramos o significado, o significado da vida, o significado da nossa vida.

À medida que o tempo passa e a vida acontece, alguns de nós somos apanhados nas armadilhas de um tempo que corre, de obrigações que se somam e de responsabilidades que nos toldam a curiosidade. Passamos a priorizar a resposta aos problemas do dia-a-dia, a solução de responsabilidades eminentes e esquecemo-nos de olhar para dentro, para a alma. Esquecemo-nos de analisar se estamos a seguir o caminho dos nossos sonhos ou se nos deixámos enredar por uma vida que não era a que sonhámos, mas que foi a que se nos apresentou.

E de repente alguém nos fala sobre propósito de vida. Explicam-nos que descobrir o propósito de vida é descobrir aquilo que amamos, aquilo que nos torna diferentes. É descobrir aquela paixão que pode transformar a nossa vida para melhor, mas também a vida dos que nos rodeiam. Aquela paixão que transforma o mundo e deixa a nossa marca por onde quer que passemos. Falam-nos sobre como encontraram o seu propósito de vida e nós lembramo-nos de olhar para dentro. E é aqui que a angústia começa, que a sensação de que se rema contra a maré se instala e que chega o cansaço. O cansaço de correr e sentir que não se chega a lado nenhum. A dúvida sobre se estamos a fazer o suficiente, se aquilo que fazemos tem algum significado. Questionamos as nossas escolhas, os passos que demos, os sonhos que enfiamos nas gavetas da memória. Já não sabemos bem se aqueles sonhos ainda nos servem ou sequer se eram mesmo os nossos sonhos. Sentimo-nos perdidos. Agarramo-nos a qualquer coisa que nos dê um indício da nossa essência porque de repente quase que já nem sabemos quem somos. O que era já não é, os sonhos de criança já não servem. São muitas dúvidas.

Mas é assim que o caminho começa. Com perguntas. Muitas e cada vez mais perguntas. Com o despertar da mente de principiante que tudo quer saber sem julgamento.

Descobrimos que alguns dos sonhos que tínhamos, hoje não fazem sentido e está tudo bem. Uma das grandes coisas que importa saber sobre o propósito de vida é que ele pode mudar ao longo do tempo e também está tudo bem.

O propósito advém de sabermos quais são os nossos sonhos, de descobrir os sonhos que ainda nos servem, os sonhos que estamos agora a desenvolver. No fundo, descobrirmos quem somos e para onde queremos ir. E vamos, mas vamos passo a passo. Nada se constrói com solidez se for construído no imediato. A expectativa é que seja rápido e maravilhoso, apenas. Mas a realidade é que demora e às vezes também dói. Requer gentileza, aceitação e uma boa dose de perdão. É complexo, mas incrivelmente libertador.

Nunca é demasiado tarde para iniciar este caminho e cada vez são mais as pessoas que necessitam de dar esse primeiro passo.

Eu, como representante do Life Quadrants e a Marta Ramos como representante do COA vamos dinamizar um workshop com vista a apoiar aqueles que pretendem dar este salto de fé. Num dia mágico, carregado de boas energias e muitas dinâmicas, pretendemos guiar-vos nesta viagem pela descoberta do vosso propósito. E dar-vos as sementes que poderão lançar à terra hoje, para que no futuro delas possam colher os frutos e os sabores.

 

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Para que a vida não vos aconteça e sejam vocês a fazer acontecer!

Inscrições

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Mais informações:

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Texto de Cláudia da Silva Mousinho

Evento e Parceria com Marta Ramos

Psicologia

Pedrogão! Uma visão do que é o voluntariado em situações de catástrofe.

No dia 14 de Junho de 2017 deflagrou um grande incêndio florestal no distrito de Leiria, concelho de Pedrogão Grande, alastrando para outros concelhos vizinhos, resultando num elevado número de perdas pessoais e materiais, com um elevado número de vitimas mortais e desalojados.

Quinta-feira, dia 21 de Junho de 2017, após um dia de trabalho perfeitamente normal, encontrava-me na sala-de-estar a ver as últimas notícias na TV quando recebo a chamada.
Enquanto Psicóloga Voluntária, Membro da Equipa de Intervenção Psicossocial em Crise da Cruz Vermelha Portuguesa fui solicitada para o Incêndio Florestal do Distrito de Leiria, de modo a render os colegas Psicólogos que já se encontravam no local há alguns dias, pelo que deveria estar preparada para ser chamada a qualquer momento. Sabia exaustivamente, com base nos noticiários, o que se estava a passar no Distrito de Leiria e, tendo em conta as dimensões da desgraça, confesso que já contava com a possibilidade de ser chamada para o local. Após a notificação confesso que se apoderou de mim alguma agitação e um misto de emoções, tais como ansiedade pelo receio de poder vir a correr perigo; entusiasmo pelo facto de ser uma experiência única; insegurança pelo facto de não saber bem qual iria ser o meu papel naquele cenário (embora teoricamente soubesse); e empatia, desejando fortemente poder ajudar as vítimas. Fui imediatamente fazer as malas e preparar todo o material de identificação necessário, tendo ficado posteriormente num estado de alerta.

Finalmente, na madrugada de dia 22 de Junho de 2017, partimos para Pedrogão Grande, uma equipa de Psicólogas e Assistentes Sociais Voluntárias.

Enquanto profissionais previamente formadas na área de intervenção em crise, tínhamos total conhecimento que trabalhar como voluntário em situações de emergência pode ser muito stressante e, por essa razão, os voluntários envolvidos nas operações de emergência devem estar conscientes e saber como prevenir e/ou minimizar os eventuais efeitos negativos que possam surgir (Emergency Response Unit
– ERU).
Quanto mais nos aproximávamos do destino, mais carregado se tornava o ar que respirávamos e embora ainda fosse de noite, era percetível o manto negro de fumo, tristeza e morte. Recordo-me de olhar para a estrada e reparar nas placas sinalizadoras completamente manchadas de negro e dobradas sobre si próprias, impossibilitado a sua leitura.

Finalmente chegamos ao Teatro de Operações de Figueiró dos Vinhos, local onde nos reunimos com a equipa que iriamos render. Quando olhei para os colegas voluntários reparei que o seu semblante revelava cansaço extremo, mas os seus olhos transmitiam satisfação pelo dever cumprido. Estavam bem-dispostos e com vontade de regressar às suas casas e famílias preocupadas, embora soubessem que iriam levar consigo imagens mentais devastadoras pelo sofrimento.

No Teatro de Operações recebemos toda a informação necessária acerca do objetivo das atividades que iriamos realizar, pois seriamos nós que estaríamos na linha de frente, em contacto direto com as pessoas afetadas pela situação de crise.

É fundamental que os voluntários recebam informações apropriadas que devem incidir sobre:
• Políticas e princípios de trabalho humanitário;
• Informações sobre a dimensão e a natureza da emergência;
• Informações atualizadas sobre a situação atual da operação de socorro/emergência;
• Informações sobre as reações normais ou esperadas face aos acontecimentos traumáticos e o que os Voluntários poderão fazer para prevenir e aliviar o stress.

Nessa noite não consegui dormir! Fiquei algumas horas, junto de outros colegas que permaneciam no Teatro de Operações desde o primeiro dia, a querer saber mais acerca do trabalho que tinham efetuado com as vítimas, o que esperar do estado psicológico das mesmas, entre outros assuntos. Para além disto, procurei também prestar-lhes algum apoio psicológico, uma vez que vivenciaram eles próprios situações traumáticas.

No dia seguinte, após 1 ou 2 horas de sono, recebemos informações acerca do protocolo de recolha de necessidades que deveríamos utilizar no atendimento às vítimas que se deslocassem diretamente ao Teatro de Operações em busca de ajuda. Assim foi! Chegaram algumas vítimas, com as quais conversamos e prestamos apoio psicossocial.
Mais tarde, fui convocada, juntamente com uma colega Assistente Social, para ir prestar apoio numa escola primária, onde estudava anteriormente uma menina que faleceu no decorrer dos incêndios. O objetivo seria prestar algum suporte emocional e informativo aos profissionais da escola e familiares, pois as aulas iriam começar em breve e não sabiam como responder às questões dos alunos relativamente aos recentes acontecimentos e falecimento da colega.

Quando chegamos ao local, fomos recebidos pela Psicóloga da escola, a qual nos colocou a par de todas as dificuldades e situações mais delicadas. Quando chegamos à sala, a qual se encontrava com uma audiência avultada, fomos recebidas como se fossemos as portadoras da solução, do alivio, “a luz ao fundo do túnel”. Foi visível o cansaço, a angústia, desespero e tristeza na cara dos pais, professores e auxiliares. Todos eles procuravam a resposta para a pergunta “O que dizemos às nossas crianças acerca da morte da colega? Devemos dizer a verdade?”. Enquanto psicóloga consegui empatizar de imediato com aquela audiência e procurei normalizar aquilo que estavam a sentir. Quem não se sentiria chocado, angustiado, desesperado, triste, apático depois de ter perdido para sempre os seus familiares da forma mais brutal?, depois de perder os seus bens construídos ao longo de uma vida?, depois de ter visualizado as imagens mais traumatizantes? Arrisco-me a dizer que ninguém. Nem mesmo aqueles que num estado de negação profunda, vivem o sofrimento de uma forma diferente ou menos adaptativa.

Não podendo devolver aquilo que perderam, procurei corresponder às suas necessidades e aquela mais premente era a resposta à questão geradora de grande angústia “Devo ou não informar as minhas crianças acerca do que se passou?”. As crianças e adolescentes, como qualquer outra pessoa em situação de crise, onde a sensação de perda de controlo é predominante, necessitam de informações sobre os eventos críticos, que devem ser dadas de acordo com a sua idade, de modo a poder facilitar alguma sensação de controlo, mesmo que mínima. Os educadores devem incentivar as crianças a fazerem perguntas e devem utilizá-las como um guia nas conversas. Falar é importante, no entanto, as crianças não devem ser sobrecarregadas com informação que não pediram. É importante ser honesto e usar palavras que as crianças entendam. Devemos dizer a verdade, mas não de forma nua e crua, mas sim clarificar que o que aconteceu não foi um resultado das suas ações, e evitar que as crianças ouçam as conversas dos adultos ou notícias dos media sobre os acontecimentos traumáticos (Emergency Response Unit – ERU).
Quando as crianças são confrontadas com uma pressão intensa ou súbita, como uma crise ou uma grande perda, podem vivenciar estados de stress mais intensos. As reações
das crianças ao stress são diferentes das dos adultos, assim como as suas manifestações de luto. Às vezes, essa diferença é interpretada pelos adultos como se as crianças esquecessem e se adaptassem rapidamente, sendo muitas vezes “colocadas de parte”
como forma de as protegerem. Embora algumas crianças possam não demonstrar os seus sentimentos, nem expressar a sua dor em palavras. Os períodos de luto infantil são curtos, no entanto um evento crítico pode ter efeitos mais duradouros nas crianças do que nos adultos. As crianças são vulneráveis à crise e ao stress e necessitam de cuidados e apoio dos adultos do seu círculo de pessoas mais significativas, não sendo “ignorados”, mas sem necessidade de saber todos os pormenores macabros (Emergency Response Unit – ERU).

Para além disto, procurou-se também elucidar a plateia para as reações normais da criança ao stress, sendo que depois de um acontecimento stressante que envolva uma perda, a dor das crianças é muitas vezes abrupta e pode mudar rapidamente a partir de reações de luto intensas para reações de brincadeira e divertimento. Quase todas as crianças brincam, mesmo que tenham passado por um evento crítico. As crianças mais jovens podem comportar-se de forma agressiva perante os seus cuidadores ou outras crianças. Ao mesmo tempo evidenciam sinais de ansiedade de separação relativamente aos seus cuidadores e figuras mais significativas. Pode ocorrer também mudanças de comportamento, por exemplo, regressão para o comportamento das crianças mais jovens (exemplos: fazer chichi na cama ou nas cuecas, chupar o dedo ou não ser capaz de dormir sozinha). Isso mostra a perda de confiança. Nestas situações, as relações estáveis e seguras são recursos muito importantes (Emergency Response Unit – ERU).
Ainda no decorrer da sessão foram esclarecidas outras dúvidas, também elas de cariz psicossocial. No final da sessão, foi percetível a sensação de alívio, de agradecimento. Não obstante, o medo do que poderia vir a seguir continuava refletido nos seus olhos. Perfeitamente normal, uma vez que a situação de crise (incêndios) ainda não se encontrava controlada.

Num outro momento, fomos (eu e minha colega Assistente Social) destacadas para prestar apoio a um Padre que fez todos os funerais em Figueiró dos Vinhos. A equipa de intervenção psicossocial encontrava-se preocupada que este pudesse descompensar emocionalmente, pelo que nos pediu que fossemos avaliar a situação e poder prestar algum suporte.
Quando chegamos ao local, a comunicação social já lá estava para entrevistar o Sr. Padre. Tentámos falar com ele, mas encontrava-se agitado nos preparativos para outro funeral. Percebemos que se encontrava num estado de embotamento afetivo e que se estava a refugiar no álcool para lidar com o sofrimento. Procuramos desviá-lo da comunicação social e tentar falar confidencialmente, num local mais reservado, mas o mesmo não se demonstrou recetivo. Ouvimos os jornalistas presentes tecer comentários negativos a nosso respeito e percebemos que a nossa presença não era adequada no momento, pelo que decidimos retirar-nos, adiando a intervenção para outro momento mais oportuno e menos “agitado”.

No dia 23 a equipa deixou o Teatro de Operações de Figueiró dos Vinhos e foi destacada para uma entidade residencial que tinha acolhido os desalojados, em Pedrogão Grande. À chegada deparamos com uma grande quantidade de pessoas: voluntários, desalojados, profissionais de saúde, exército e agentes de autoridade. Quando entrei nas instalações estava uma sala-de-estar completamente lotada de desalojados a dormir em colchões no chão, desde crianças a idosos, acompanhados de animais de estimação. Procurei falar com algumas pessoas, mas ficou-me gravada na memória a agitação de um cão a ganir, cuja dona idosa se encontrava a tentar descansar deitada no chão. Quando abordei a senhora, reparei que era invisual e que estava preocupada com o seu animal de estimação, pois não conseguia levá-lo a passear à rua para o acalmar um pouco. Disponibilizei-me imediatamente para o fazer, de modo a poder deixá-la descansar tranquilamente, durante um período, e poder tranquilizar o animal, visivelmente agitado.
Passeamos um pouco e ambos descontraímos no meio da agitação! Verificamos que as pessoas se encontravam desorientadas, embora já estivessem pouco a pouco, com orientação dos profissionais da área social, a retomar às suas casas (aqueles que ainda as tinham habitáveis).

Encontrava-me cansada, estava muito calor nesse dia e o ar estava irrespirável devido ao fumo, tínhamos tido pouco tempo para fazer uma alimentação adequada (embora nos tivesse sido sempre disponibilizada alimentação) e o meu corpo começou a ressentir-se. Optei, incentivada pelas colegas, a descansar um pouco e depois retomar adequadamente o trabalho.

Embora todo o cenário despertasse em nós (profissionais) a vontade de estar sempre ativos, de modo a ajudar quem necessitava, esta ajuda deixava de ser frutífera caso não existisse da nossa parte um postura e descanso adequados. Presenciei, vários colegas, que pela falta de descanso e adrenalina, se encontravam agitados, entrando em conflitos desnecessários. Depois de algumas horas de descanso e após outras tantas intervenções, fui destacada para outra Escola, desta vez uma escola secundária, onde se encontravam professores que tinham eles próprios sofrido perdas pessoais e materiais significativas. A intervenção incidiu na partilha de experiências, na normalização de emoções que estavam a experienciar e na entreajuda. Mais uma vez o resultado foi bastante favorável, a curto-prazo. A longo prazo estavam a ser tomadas as diligências necessárias para que pudessem contar com apoio psicossocial.

No dia 24 retomamos a Figueiró dos Vinhos e no final do dia, tivemos indicação que a situação estava controlada e que o Teatro de Operações daquele concelho poderia ausentar-se.

Após regressar a casa, iniciamos um novo procedimento, desta vez no sentido de prestar apoio e fazer uma supervisão aos profissionais voluntários que estiveram presentes desde o primeiro dia nos diversos Teatros de Operações. Na vida diária, o apoio dos pares (colegas) é importante para se estar bem. Este apoio pode assumir diversas formas: manter contato e conviver com os colegas; trocar experiências, reações e preocupações; e apoiar o outro. O apoio dos pares envolve, também, a intervenção quando um colega parecer angustiado ou manifestar um comportamento perigoso. Nestes casos, podemos aproximar do colega, incentivá-lo a procurar ajuda e, se necessário, informar o seu supervisor.
Estar envolvido no trabalho humanitário na sequência de uma situação de emergência na maioria das vezes é positivo, pois significa fazer algo ativo e construtivo no contexto de uma situação caótica. No entanto, geralmente significa trabalhar em condições muito stressantes. Os trabalhadores humanitários devem cuidar de si para evitar o stress e outras doenças relacionadas. O stress é um estado de pressão ou tensão sobre o corpo e a mente. Ele pode ser causado por qualquer mudança – positiva ou negativa. O stress é uma característica comum da vida quotidiana, mas se não for gerido de forma adequada pode afetar seriamente a saúde, a capacidade de trabalho e a vida privada.

Alguns trabalhadores humanitários sofrem reações de stress, pois não são capazes de responder às necessidades das pessoas ou por enfrentarem dilemas morais ou éticos relacionados com o seu trabalho (Emergency Response Unit – ERU).

Quando chegamos a casa e o tempo passa, pensamos que tudo passou arrastado pelo tempo, mas é nos pequenos acontecimentos do quotidiano que percebemos que existiram coisas que nos marcaram emocionalmente. No meu caso, estava no funeral do avô de uma amiga, à qual fui prestar o meu apoio num momento difícil da sua vida. Obviamente que num funeral geralmente encontramos um ambiente de tristeza e choro, mas a verdade é que não sentia vontade de chorar por não existir uma relação de proximidade com o falecido. Não obstante, a certo momento decidi afastar-me do local para dar mais privacidade aos familiares e amigos próximos e sem me aperceber aproximei-me dos jazigos das cinzas, onde constavam mensagens dos familiares dos falecidos. Comecei a ler as mensagem e dei por mim com as lágrimas a escorrerem pela minha cara, sentindo tristeza pelas pessoas que ali estavam em cinzas, e pela família que sofria com a sua perda….tal como as vítimas dos incêndios que morreram queimadas e agora estão em cinzas, tal como os familiares dessas pessoas que ainda sofrem profundamente a sua perda e tentam diariamente renascer, como uma fénix.

Texto de Marta Abreu

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Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? O papel de ajuda.

Olá de novo caro leitor, na última rúbrica dei-lhe alguns conselhos sobre como ajudar alguém que sofre com ideias de suicídio. Achei que por essa razão, faria sentido continuar a gravitar à volta de um tema semelhante a esse: como devemos agir se pretendemos ajudar alguém que está a sofrer com problemas de saúde psicológica? Considero que este tema é importante pois como referi na minha última rúbrica, embora possamos ter toda a boa vontade do mundo, nem sempre estamos bem preparados para auxiliar e por essa razão, corremos o risco de contribuir para o sofrimento da pessoa, inadvertidamente. Mas podemos começar por perguntar “será que isso é realmente importante?”. Passemos então a colocar as coisas em perspectiva:

Parte 1 – A prevalência dos problemas de saúde mental em Portugal.

O primeiro relatório do estudo epidemiológico sobre saúde mental realizado em Portugal [1], que devido ao seu rigor científico nos dá alguns dados importantes que podemos analisar para tirar conclusões sobre a realidade no nosso país: 1 em cada 5 indivíduos apresenta uma perturbação psiquiátrica, o que faz com que tenhamos a segunda maior prevalência de doenças mentais em toda a Europa, apenas (e ligeiramente) ultrapassados pela Irlanda do Norte. Os problemas de ansiedade são o grupo que apresenta maior prevalência, seguidos das perturbações depressivas, perturbações de controlo de impulsos e consumo de substâncias.

Parte 2 – Quem sofre procura automaticamente ajuda, certo?

Embora possamos pensar que os serviços de saúde mental captam com relativa eficácia as pessoas que necessitam de cuidados de saúde, esta não é uma realidade assim tão garantida por diversas razões. Recorrendo à evidência do estudo epidemiológico sobre saúde mental[1], mais de 65% das pessoas com doença mental estudadas não receberam qualquer tratamento nos 12 meses anteriores. Tal sucede maioritariamente nos casos de menor gravidade, no entanto, tal também se verificou em situações mais graves. Poderá estar a questionar-se o leitor: “mas qual a explicação para isso?”. Não posso dar uma resposta decisiva, mas postulo que uma das razões poderá ser a recusa em procurar ajuda – comportamento que várias investigações têm associado à discriminação das pessoas com doença mental[2]. Por esta razão, saber como actuar de uma forma não estigmatizante poderá ser um ponto de partida para aumentar a probabilidade de que alguém que necessite, receba os devidos cuidados de saúde psicológica.

Parte 3 – Que postura adoptar se queremos ajudar alguém que está em sofrimento?

Para que possamos estar capacitados para ajudar alguém que sofra com problemas de saúde mental devemos assegurar duas coisas: 1) conhecimento adequado dos meios de suporte e fontes de apoio disponíveis na nossa comunidade; e 2) uma postura de suporte emocional, e facilitadora da comunicação e da colaboração.

            Começando pelo primeiro ponto, devemos procurar saber quais as fontes de assistência psicossocial para pessoas com problemas de saúde mental. Tal pode passar por consultar médicos, enfermeiros, psicólogos, ou outros profissionais de saúde, mas também procurar associações, instituições de solidariedade social, grupos de suporte, linhas de apoio ou sites informativos (ex. http://encontreumasaida.pt – Ordem dos psicólogos portugueses).

            Já na hora de adoptar uma postura de suporte emocional, devemos procurar [3]:

  1. Mostrar-nos dispostos a conversar e Escutar atentamente. Assinalar claramente que estamos ali dispostos a conversar sobre algo se a pessoa assim o desejar. Ao fazê-lo, dar espaço para falar, e apenas o acto de escutar pode ser realmente útil para quem está a sofrer. Se a pessoa tiver alguma dificuldade em expressar-se, comunicar que estaremos lá para a escutar quando se sentir preparada para conversar.
  2. Manter a calma e tranquilizar a pessoa. Embora possamos estar nervosos, é importante manter uma postura de abertura e tranquilidade, evitando reacções bruscas ou julgadoras. Isto ajudará também a pessoa a se acalmar, mostrando-lhe que pode comunicar consigo abertamente e sem receios. Podemos também reforçar esta ideia transmitindo à pessoa que nos preocupamos com o seu bem-estar e que estaremos ali para ajudar quando necessitar.
  3. Ser paciente. Podemos querer arranjar uma solução instantânea ou encontrar uma ajuda imediatamente, no entanto é extremamente importante deixar a pessoa definir o prazo para procurar ajuda profissional.
  4. Evitar interpretações ou suposições. A sua perspectiva pode não ser útil a quem está neste tipo de situações ou ser até invalidante (i.e. comunicar à pessoa que aquilo que pensa ou sente não é verdadeiro ou importante, o que levará a um bloqueio na comunicação e a uma maior resistência para procurar ajuda), tente ao máximo evitar assumir que sabe a razão para os seus problemas e opte antes por uma postura colaborativa, mostrando-se presente, disponível para ajudar, respeitadora e valorizadora da outra pessoa.
  5. Manter o contacto social. O suporte emocional deve procurar manter a vida da pessoa dentro do mais normal possível, para além do contacto de suporte descrito nos pontos anteriores, pode também envolver a pessoa em outros eventos sociais, ou até focar-se em outras áreas da sua vida. Outra coisa que poderá ser útil será oferecer-se para ajudar em tarefa domésticas, burocráticas ou até de acompanhamento até aos meios de suporte formais (ex. médico de família).

 

Referências:

1 – Almeida, J., Xavier, M., Cardoso, G., Pereira, M., Gusmão, R., Corrêa, B., … & Silva, J. (2013). Estudo epidemiológico nacional de saúde mental–1º relatório. Lisboa: Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa.

2 – Corrigan, P. W., Druss, B. G., & Perlick, D. A. (2014). The impact of mental illness stigma on seeking and participating in mental health care. Psychological Science in the Public Interest15(2), 37-70.

3 – Seeking help for a mental health problem: A guide to taking the first steps, making empowered decisions and getting the right support for you. (2018, Outubro 9). Retirado de: https://www.mind.org.uk/information-support/guides-to-support-and-services/seeking-help-for-a-mental-health-problem/helping-someone-else-seek-help/

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Apresentação

Como ajudar alguém que sofre com ideias de suicídio?

Segundo a Pordata [1], em 2015 morreram 1127 pessoas por suicídio em Portugal. Embora comparativamente à nossa população de aproximadamente 10 milhões de habitantes, esta informação pareça pouco significativa, podemos colocá-la melhor em perspectiva dizendo que tal número equivale a três pessoas que morrem por dia, por suicídio. Para os leitores mais cépticos, alerto ainda para o facto de que este é um problema que transcende as mortes por suicídio. Por cada suicídio completado, estima-se que existam cerca de 25 pessoas que cometem tentativas e ainda que cerca de 135 pessoas sejam afectadas por essas mortes [2], o que nos mostra que este é um problema de saúde pública com graves implicações para todos nós. Embora estes sejam números sobre os quais devemos reflectir com alguma seriedade, a DGS mostra-nos, contudo, que as mortes por suicídio são na sua maioria potencialmente evitáveis, garantindo que quem sofre, recebe os cuidados de saúde de que necessita em tempo adequado [3]. No entanto, por uma vasta gama de razões é difícil para quem sofre com ideias de suicídio procurar ajuda, pelo que recai a todos nós o dever de estar alerta para o sofrimento alheio e de apoiar todos aqueles que dela necessitarem. Ainda assim, por muito boas intenções que possamos ter, devemos ter especial atenção a como abordamos o assunto, pois sem preparação corremos o risco de aumentar o sofrimento da pessoa que pensa em suicídio. Deixarei em seguida uma síntese de algumas ideias a ter em mente para quando queremos ajudar alguém nesta situação [4]:

Como ajudar alguém nesta situação?

  1. Estar atento a sinais de alerta e encarar qualquer manifestação de comportamento suicida como algo sério, que não deve ser desvalorizado. Nomeadamente, quaisquer mudanças drásticas das rotinas diárias da pessoa (ex. mudanças de hábitos de sono, isolamento constante ou cada vez mais frequente, etc). Para além dos sinais indirectos, a pessoa pode evidenciar sinais mais explícitos, como por exemplo despedir-se dos seus entes queridos como se nunca mais se fossem ver, ou até dizer que deseja morrer (ou nunca ter nascido). É importante perceber que qualquer comportamento suicidário é um pedido de ajuda para escapar a uma dor intolerável, pelo que não deve ser ignorado ou menosprezado, mas antes encarado como uma manifestação de sofrimento perante o qual poderemos ter oportunidade para ajudar.
  2. Comunicar de forma respeitadora e escutar adequadamente a pessoa que sofre. Se estamos perante sinais indirectos, poderemos sinalizar à pessoa a nossa preocupação com o que se passa consigo. Tal pode conseguido recorrendo à empatia, dizendo por exemplo “Olha, tenho reparado que tens estado mais em baixo e ultimamente te tens isolado, está tudo bem contigo?”. Caso não existam sinais de perigo de vida e a pessoa não quiser conversar, devemos respeitar a sua decisão e mostrar-nos disponíveis para conversar com ela quando desejar. Se a pessoa mostrar intenção de conversar connosco acerca da sua situação, é importante que lhe comuniquemos numa postura de respeito e aceitação da sua dor, mostrando-lhe que não deve sentir medo da nossa reacção ou vergonha do seu sofrimento. Assim, devemos focar-nos na escuta da pessoa que sofre e evitar julgá-la, interrompe-la, resolver os seus problemas ou ser paternalistas face ao seu sofrimento.
  3. Abordar a questão do suicídio. O senso comum diz-nos para evitar falar de suicídio devido ao perigo de colocar ideias na mente de quem sofre. Contudo, hoje em dia sabemos que quando falamos adequadamente sobre o assunto, esse risco não existe. Devemos, no entanto, procurar entender o grau de persistência e intensidade que estes pensamentos têm na vida da pessoa, sem que o façamos como se de um interrogatório se tratasse. Por isso devemos procurar fazer principalmente perguntas abertas (ex. “O que é que pensaste quando isso te aconteceu?”) que ajudem a estabelecer uma relação e a explorar melhor as circunstâncias à volta do sofrimento da pessoa, mas também algumas perguntas mais fechadas (ex. “Actualmente pensas, ou já pensaste, em suicídio”) para que possamos perceber se a sua vida se encontra em risco.
  4. Apoiar a pessoa e encorajá-la a procurar ajuda. Como já referi, a pessoa pode ter medo, receio ou vergonha de procurar ajuda por receio de ser rejeitado, humilhado ou ignorado. Por esta razão, é importante que tentemos ajudar a pessoa a procurar uma ajuda especializada a que possa recorrer. Devemos averiguar se a pessoa sabe onde procurar ajuda e, se necessário, oferecer-nos a acompanhá-la aos locais adequados. Embora possamos ter toda a boa vontade do mundo, é importante frisar que o papel de quem ajuda nunca poderá substituir o de um profissional de saúde especializado. Ainda assim, poderemos ter um papel de maior proximidade e atenção para com a pessoa que sofre, visitando-a regularmente ou telefonando para perceber como se encontra e se necessário, ajudá-la.

Considerações finais

            Lamentavelmente, por questões de espaço não pude abordar tudo o que gostaria de transmitir ao leitor. No entanto, quero mostrar-lhe que temos não só o poder de zelar por quem sofre, mas também a responsabilidade de o fazer – pois como vimos no início, o sofrimento que leva ao suicídio não surge – nem desaparece – isoladamente. A melhor forma de o evitar passa por incorporar este espírito de zelo, respeito, aceitação, empatia e preocupação para com a vida humana. Precisamos também de melhor acesso aos cuidados de saúde mental, maior presença de equipas multidisciplinares que possam atender a tempo útil às pessoas que se encontram nesta situação e mais oportunidades para desmistificar este tema, que tanto se tem tornado um tabu na população geral. Na região do Alentejo, decorre neste momento uma campanha de sensibilização para a problemática do suicídio, se desejar saber mais sobre as acções que irão ocorrer durante todo o mês poderá consultar as páginas de Facebook das campanhas de Évora, Beja e Portalegre.

Bibliografia recomendada:

Como ajudar alguém que sofre de ideações suicidas: https://goo.gl/wQeERn – Texto fundamental escrito por Tiago Zortea, Psicólogo do Brasil, que expande algumas das ideias que aqui apresentei. Vale muito a pena ler.

Suicide: What to do when someone is suicidal? https://goo.gl/6DAc5E – Artigo da MayoClinic, muito informativo e com diversos sinais de alerta associados ao comportamento suicidário e o que fazer e não fazer.

 

Referências:

1 – Pordata (2018). Óbitos de residentes em Portugal por algumas causas de morte: quantas pessoas morrem por doença, como cancro, diabetes ou do aparelho circulatório, por acidente ou suicídio? Retirado de: https://www.pordata.pt/Portugal/Óbitos+de+residentes+em+Portugal+por+algumas+causas+de+morte-156-235702

2 –  International Association for Suicide Prevention (2018). World Suicide Prevention Day 2018 Facts and Figures Sheet. Retirado de: https://www.iasp.info/wspd/pdf/2018/2018_wspd_facts_and_figures.pdf

3 – Direcção-Geral da Saúde (2017). Programa Nacional para a Saúde Mental 2017. Retirado de: https://www.dgs.pt/portal-da-estatistica-da-saude/diretorio-de-informacao/diretorio-de-informacao/por-serie-883589-pdf.aspx?v=11736b14-73e6-4b34-a8e8-d22502108547.

4 – Zortea, T. (2018, Setembro 10). Como ajudar alguém que sofre de ideações suicidas? [Blog]. Retirado de: https://www.comportese.com/2016/12/como-ajudar-alguem-que-sofre-de-ideacoes-suicidas

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Coaching e Desenvolvimento Pessoal

A vida é o que dá vida!

Ainda estou a tentar decifrar quando é que aceitámos tornar-nos marionetas de uma sociedade que somos nós que construímos.

Quantas vezes temos vontade de fazer alguma coisa e deixamos de a fazer porque a sociedade diz que não é correto ou que não se coaduna com o nosso estilo de vida ou extracto social? Quando é que deixámos de ser seres humanos para nos tornarmos robôs? Às vezes paro para pensar nas coisas que, por vezes, deixo ou vejo a deixarem de ser feitas porque alguém vai achar que não é correto. Será que paramos para pensar o que é que nós achamos?

Tantas e tantas vezes, nadei contra a maré e posso dizer-vos que o resultado foi sempre positivo. Não quero com isto dizer que o desfecho de todas as coisas que fiz contra o que a sociedade pensa tenham tido um “final feliz” ou o melhor dos resultados mas o que é certo, é que todas elas me ensinaram alguma coisa. Será que não é isso a que chamamos de viver?

Eu sou feliz quando sigo o meu coração. Eu sou feliz quando tenho conversas que preenchem, momentos que acrescentam, muitas delas com pessoas de que não estava à espera e foi precisamente quando saí da bolha e da zona de conforto que isso aconteceu.

Sempre fui do tipo de desafiar tudo e todos. Sempre fui mais do género de não ligar, ou pelo menos tentar, não ligar ao que os outros pensam. Hoje, paro muitas vezes para pensar sobre como me sinto com as situações e tento obter as respostas em mim. Elas existem dentro de nós. Só precisamos confiar mais, entregar mais. No final o que fica é aquilo que viveste, que sentiste na pele.

E se pararmos mais vezes para pensar sobre o que nos faz tremer, sobre aquilo que nos coloca o coração a mil à hora, sobre todas as coisas que nos fazem rir até doer a barriga? Sobre aquelas coisas que até te podem fazer sofrer e chorar mas que te vão tornar mais fortes. Que tal se nos colocarmos tão vulneráveis que acabamos por ser naturais? Naturais! Aquilo que devíamos ser a todo o instante. Que importa se no final magoa se o durante foi mágico?

Quero e vivo para momentos. Para o MOMENTO. Aquele que me permite crescer, sentir, cheirar, chorar, cair, levantar e continuar. Preciso disso a correr-me nas veias. Preciso de tudo isso e também de parar e pensar. Como me sinto? O que aprendi? O que levo daqui? Preciso de vida para me dar vida. Preciso de histórias e de pessoas, de momentos e de sorrisos.

Preciso de precisar. Preciso de acreditar que a vida é aquilo que eu fizer dela. O que farias agora se a decisão fosse só tua? Agarra isso e vai. Com ou sem medo, mas vai.

Texto de Marta Ramos do COA

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Coaching e Desenvolvimento Pessoal, Psicologia

A sua melhor versão – Exercício de 5 minutos

Tem por hábito parar para pensar sobre o tipo de pessoa que quer ser ou sobre como quer ser recordado(a)?

Infelizmente, a maioria das pessoas com quem me cruzo no dia-a-dia questionam-se sobre por que motivo não se sentem realizadas nem encontram o seu propósito na vida.

Os típicos exercícios de estabelecimento de objetivos ajudam a perspetivar as coisas que gostaria de conquistar, ter ou comprar no futuro – este que hoje lhe apresento vais mais longe e pode ajudar a compreender que pessoa gostaria de ser.

Demora apenas 5 minutos e as revelações que traz podem mudar a sua vida.

Aqui vamos nós…

1º PASSO – Imagine que está num funeral

Eu sei que pode parecer mórbido, mas quero que feche os olhos e imagine mesmo que está num funeral. Está cheio de pessoas da sua família e dos seus amigos. Toda a gente que você conheceu ao longo da sua vida.

À medida que vai olhando à volta apercebe-se de está no seu próprio funeral. Está a observar a cerimónia e os seus entes queridos estão prestes a dizer umas palavras a seu respeito.

Não estou a propor este desafio para que seja mórbido ou para o(a) fazer sentir-se mal. Estou a propô-lo por uma razão muito importante:

Quero que pare e pense sobre aquilo que as pessoas da sua vida têm a dizer sobre si, sobre a pessoa que é.

Um por um, observe-os a dizer perante toda a gente aquilo que admiravam em si. O que é que o(a) fazia ser especial? Que objetivos e sonhos conseguiu alcançar? De que forma mudou o mundo? De que formas marcou a vida de cada uma dessas pessoas?

O que é que quer que eles digam sobre si?

Tire uns minutos para pensar nisto. Se possível escreva esses pensamentos sobre o que gostaria de ouvir. Agora volte ao momento presente e pense seriamente sobre a forma como gostaria de ser recordado(a).

Agora pergunte-se: Está nesse caminho agora? Está a fazer todas as coisas que precisa para garantir que se torna nessa pessoa para o resto da sua vida?

Se não estiver – Porque não? O que é que precisa de mudar na sua vida para construir a melhor versão de si mesmo(a)?

2º PASSO – Responda a estas perguntas importantes:

Sem uma direção clara na sua vida, torna-se difícil fazer as mudanças que necessita e que gostaria de ver acontecer ou tornar-se na pessoa que sempre sonhou ser.

Então, peço-lhe que pegue em papel e caneta, pense realmente sobre as perguntas que lhe vou colocar e escreva as respostas.

No que diz respeito ao planeamento do seu futuro há algumas coisas que precisa realmente de considerar:

  • Quais eram os seus sonhos e desejos quando era novo(a)?
  • Os seus sonhos mudaram com o tempo, ou só disse a si próprio(a) que não valiam a pena?
  • Em que é que é realmente bom(boa)? O que é que lhe surge e faz com naturalidade e facilidade?
  • O que é que realmente o(a) entusiasma e lhe traz um sentimento de realização?
  • O que é que se iria arrepender de não fazer, ser ou ter na sua vida?

Bem sei que estas são questões desafiantes e de resposta difícil, mas o que aqui se pretende é ajudá-lo(a) a identificar o que é realmente importante para SI na SUA vida, porque quando descobre qual é a sua paixão e o seu propósito, o caminho para ser a pessoa que deseja ser torna-se muito mais simples de percorrer.

3º Passo – Plano & Ação

Para se tornar na pessoa que deseja ser, lembre-se que precisa de um plano e de o colocar em prática.

Em todos os dias desta semana gostaria que parasse um pouco para pensar profundamente sobre as respostas que escreveu e gostaria que todos os dias desenvolvesse pelo menos uma ação que o(a) coloca mais perto de se tornar a pessoa pela qual quer ser recordado(a).

Pode ser tão simples como arranjar tempo para um passatempo ou pode ser tão complexo como finalmente sentar-se para escrever o plano de negócios para aquele projeto que vai mudar vidas.

O importante é que comece a agir de acordo com aquilo que estabeleceu para si, criar movimento e começar a fazer a grande roda da vida girar no sentido certo para si.

Faça este exercício sempre que se sentir a duvidar do seu caminho, sempre que se sentir perdido(a) ou que se sentir confuso(a). Deverá ajudá-lo(a) a reencontrar-se e realinhar-se com a melhor versão de si próprio(a).

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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Coaching e Desenvolvimento Pessoal

Vulnerabilidade

A palavra por si só já é algo difícil de dizer.

Se há algo que tenho tentado entender é que a vulnerabilidade não é uma fraqueza. Muito pelo contrário, até acredito que seja um estado de coragem. Quantas vezes deste por ti a esconder aquilo que és, aquilo em que acreditas para que não te coloques num estado em que alguém possa magoar-te por ver aquilo que tu és? Quantas vezes fingiste ser algo que não és só para que continues a acreditar que há coisas das quais não és merecedor(a)?

Todos aqueles que tentam ser melhores têm obrigatoriamente de se confrontar com alguns medos. Medos que foram edificados pela nossa história de vida, por experiências que nos marcaram tanto que quando falamos sobre elas parece que voltamos ao momento e que de repente nos inundam de sentimentos que só queremos esquecer. Até mesmo medos que nos moldaram com exemplos que nos rodearam, porque os sentimos quase como se fossem nossos.

Sair deste estado e perceber que, independentemente daquilo porque passámos ou sentimos, continuamos a merecer o melhor da vida é uma tarefa complicada. Nenhum de nós é um exemplar perfeito de humano, até porque se o fossemos não estaríamos aqui a fazer grande coisa. Aceitar as nossas fraquezas é o primeiro passo para a mudança mas o mais trabalhoso é o que vem a seguir; Colocar isso a correr nas nossas veias. Dizeres baixinho e em segredo que MERECES. O que quer que seja.

Seja amaras-te ou aceitares que há quem possa gostar de ti exatamente por seres quem és, com todas as imperfeições inerentes. Que seja compreenderes que mereces ter tudo aquilo que acreditas que te vai fazer sentir ou ser melhor e que talvez nunca tenhas tido.

Deparo-me com muitas pessoas (eu inclusive) que conseguem dizer coisas tão acertadas e que por vezes a relação com elas mesmas é baseada em pensamentos e conversas interiores que ficaríamos chocados se víssemos alguém tratar assim alguém.

Gostava de te pedir para pensares sobre isto. Como te tens tratado? Quais são os pensamentos que tens sobre ti? O que dizes a ti mesmo que mereces?

Tudo leva o seu tempo a mudar, mas não fará sentido começarmos a ser mais pacientes e gentis connosco?

Como queremos que as coisas que mais desejamos venham até nós se nem mesmo nós acreditamos nelas?

Será que faz sentido ultra protegermo-nos para não cairmos em vez de cairmos para nos transformarmos? Eu acredito que sim.

Quando emanas a energia daquilo em que realmente acreditas, tudo vem até ti.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.”

 

Texto de Marta Pico do COA

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Palavras e Fotografia

Em ti.

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Despenteia-me as noites e amanhece em mim,

Antes que o sol se erga sobre as ideias,

Antes que dos dias sobre apenas estilhaços do que somos ou quisemos ser… um dia.

E abraça-me, abraça-me muito e não me largues.

Já que dos teus braços nasce o prazer que envolve os meus dias de ternura.

Já que é nesse aperto que me afagas os dias… a vida.

Não me largues, e eu serei eu…

Em cada anoitecer,

Inventando-me com raios de sol. Contigo. Em ti.

 

Texto de Joana Almeida

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Psicologia

Sobre o stress e as suas consequências.

Olá caro leitor, espero que este verão esteja a ser do seu agrado. Dado que já entrámos no período em que muitos milhares de portugueses tiram o seu tempo de descanso para recuperar das pressões do seu dia-a-dia, decidi escrever um pouco sobre este assunto que tantas vezes ouvimos (corriqueiramente) falar. O termo “stress” é hoje em dia um vocábulo típico da nossa língua, é fácil ouvi-lo ou invocá-lo ao mínimo indício de situações de pressão. A psicologia e as restantes ciências da saúde têm vindo a alertar para os seus efeitos adversos, em situações prolongadas, e hoje em dia não escasseiam as opções com vista à sua eliminação. Mas pergunto-lhe então: O que é o stress? Será um estado emocional? Ou uma reacção física que temos a determinadas situações que exigem mais de nós? Serão todas as reacções de stress iguais? Serão também todas nocivas? Vejamos então:

Que coisa é essa a que chamamos “Stress”?

Embora inicialmente o Stress tenha sido visto como puramente biológico, a psicologia avançou o seu estudo mostrando que – dado que não é um fenómeno comum e igual em todas as pessoas – existem diferenças psicológicas que são importantes a ter em conta. Hoje em dia sabemos que, grosso modo, o stress surge quando uma situação é vista como demasiado exigente face aos recursos (internos ou externos) que temos para lidar com ela. Se o leitor se está a questionar “E como se expressa ele?” podemos dizer que através dos nossos pensamentos (Ex. “Estou sempre a fazer tudo mal”, “Vou ser prejudicado com isto”, entre outros), Comportamentos (poderemos ficar mais agitados, tender a discutir mais e a descarregar em terceiros), Emoções (Raiva, medo, ansiedade, angústia, irritação) ou nas nossas reacções corporais (Aumento da transpiração, sensação de falta de ar, dores e tensão muscular constante, por exemplo). Por motivos de espaço, dado que não me poderei alargar, concluo com uma ideia que quero partilhar com o leitor: Em situações prolongadas e com intensidade constante, a exposição ao stress predispõe-nos a desenvolver um vastíssimo conjunto de doenças físicas e mentais, compromete a qualidade de vida e faz-nos envelhecer mais cedo. Por essa razão, se queremos zelar pela nossa saúde, olhar para esta questão pode ser importante. Abaixo seguem algumas indicações:

Algumas recomendações

  1. Pare por um instante e reflicta: O que é mais comum em si em situações exigentes?

Como pudemos ver, as reacções de stress que cada um apresenta são relativamente diferentes de pessoa para pessoa. Por essa razão não  há um perfil típico que seja aplicável a todos nós, mas sim um conjunto de reacções que podem estar mais ou menos presentes conforme a pessoa.

  1. Esteja atento aos sinais que o corpo e a mente lhe dão.

Pessoalmente, o meu primeiro indicador de uma situação potencialmente stressante é o súbito arrefecimento das minhas mãos – mas este sinal esteve durante bastante tempo fora da minha capacidade de reconhecer os sinais. Pense no seu organismo como um termómetro: Podem existir reacções mais insignificantes que lhe sinalizam que está a ficar sob pressão e perante exposição prolongada poderá começar a notar outras manifestações mais acentuadas. O primeiro passo para que possamos olhar por nós passa por saber quais são os nossos sinais de stress e conseguir nota-los à medida que surgem.

  1. Que soluções o revigoram?

O que resulta para si? Descansar? Falar com alguém sobre as situações mais difíceis? Fazer algo de forma diferente? Parar por um instante e dedicar-se àquela coisa que adora fazer? É importante perceber quais são as actividades que nos fazem sentir recompensados e reestabelecidos, pois elas podem servir como uma maneira de recuperar do desgaste que as situações mais difíceis nos podem trazer. Poderá ser útil ao leitor criar uma lista de opções para “recarregar baterias” –  é no entanto importante que lhes dedique algum tempo e atenção regulares, pois recorrer a elas apenas esporadicamente poderá não ser suficiente para o ajudar.

  1. A situação é recorrente? Se sim, considere em procurar um profissional especializado.

Como referi há pouco, se existem circunstâncias na sua vida que estão a interferir significativamente com o seu bem-estar e a que leitor sente que está sistematicamente a retornar, poderá ser um sinal de que é necessário analisar a situação com a ajuda de um especialista. Um psicólogo poderá ser uma ajuda preciosa para o ajudar a voltar a sentir-se de novo restabelecido e com uma sensação de bem-estar continuamente renovada. Saiba também que nos dias de hoje sabemos que esse tipo de assistência profissional não necessita de ser muito prolongado para lhe trazer benefícios, pelo que poderá negociar com o profissional a que recorrer um tempo que lhe pareça sensato para dar resposta à situação que o levou a recorrer a uma ajuda especializada.

Vá de férias sem stresses

Se se identifica com algumas das coisas que aqui partilhei, caro leitor, poderá esta ser uma oportunidade para reflectir sobre a atenção que está a dedicar ao seu estado de saúde e bem-estar. Caso conheça alguém nesta situação, sinta-se à vontade para partilhar o texto ou fazer algumas das recomendações que aqui deixei. Esta é uma questão de saúde pública e como tal será tanto mais útil quanto maior número de pessoas alcance. Quero no entanto fazer uma última ressalva: nem todo o stress é necessariamente mau para o nosso organismo. Em algumas situações ajuda-nos a funcionar mais eficazmente, contudo, devemos estar atentos ao momento em que este deixa de nos ajudar e nos passa a encostar à parede – fazendo-nos ter maiores dificuldades em funcionar no dia-a-dia ou levando a que a nossa saúde física e mental possa ficar comprometida. Se já foi de férias, espero que se sinta como novo neste momento, caso ainda não tenha ido, desejo-lhe que seja um momento verdadeiramente reparador para si.

 

Bibliografia:

Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. Nova Iorque: Springer

Pires, R, M, B. (2018) Avaliação Da Eficácia De Um Programa De Intervenção Para A Gestão Do Stresse Em Enfermeiros De Cuidados Continuados (Dissertação de Mestrado). Retirado de: http://dspace.uevora.pt/rdpc/handle/10174/23170

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com