Coaching e Desenvolvimento Pessoal

“A única forma de te encontrares é perderes-te primeiro.”

Quando comecei o meu processo de desenvolvimento estava longe de pensar que ia fazer-me tão bem ou que ia transformar-me tanto. Quando decidi que queria fazer mais por mim nem estava bem consciente das mudanças maravilhosas que viriam com isso. A frase que dá título a este meu primeiro texto sempre me marcou muito e hoje em dia entendo-a ainda melhor.

No início é duro. Não posso iludir-vos. Mas temos de perceber que a mudança implica remexer em algumas feridas. Implica reaprender, reanalisar, resignificar, “re-re-re” muita coisa. Muitas delas já nem nos lembramos que estão dentro de nós.

O que mais aprendi foi que ter um muro à nossa frente, não traz nada de positivo. Mas acreditamos tanto que com ele nos protegemos de tudo o que existe de mau que ele acaba por ficar cada vez maior.

Agora gostava de te perguntar…desde quando é que é agradável esconder o quanto de bom existe em nós só porque nos podemos eventualmente magoar? As emoções são o que dá alento e cor à vida. Não interessa se são “boas” ou “menos boas”, interessa que mudes o teu olhar sobre elas. Uma vez que o faças, entendes que aquelas menos boas te ensinam muito. Entendes que sem elas nem desfrutas das boas, porque já não tens termo de comparação.

Deixa que o mundo te surpreenda, deixa que a vida te vá levando. E deixares-te levar, não é ficares parado no tempo. É viveres uma vida da qual tiras o melhor proveito. É descobrires-te a cada momento. É acreditares e confiares que aconteça o que acontecer, vais conseguir sempre ver os ensinamentos que podes tirar de tudo o que te acontece.

Não sou demasiado optimista! Sou é demasiado apaixonada pela vida. Vida que me foi concedida para que tire dela e do que me rodeia, o melhor que existe. Estou longe de saber tudo e, no entanto, cada vez mais perto de me encontrar. Quando te valorizas, quando te conheces, descobres qual é o teu propósito. Compreendes que todos temos algo a acrescentar e que (auto)-conhecimento não tem fim. E que bom!

Disse-me uma vez uma pessoa muito sábia que tinha de fazer dos meus buracos um trampolim. Que posso cair, na certeza que voltarei mais forte. Que ter emoções e vivê-las faz parte, vejam bem! Acreditei e confiei de tal forma que hoje sei que o meu propósito é ajudar pessoas a entenderem o mesmo. Aceitar que podes ser o que quiseres é no mínimo assustador, eu sei! Porque aí a responsabilidade aumenta. Aí vais ter mesmo que andar para a frente e sair da zona confortável, de te vitimizares e culpares o mundo por algo que é TUA responsabilidade – seres a tua melhor versão.

Sempre foi mais fácil fazer conversa fiada, reclamar da vida e colocar as culpas em alguém. Sei tão bem! Já lá estive e nesse campo, acreditem, era uma expert. Hoje em dia comprometo-me a responsabilizar-me 100% pela minha vida. Sem desculpas nem muros.

Viver é uma bênção e quero ser um orgulho para mim. Quero partilhar aquilo que sou e quero aprender mais e mais. Cada pessoa que se cruza no meu caminho não aparece por acaso. Por isso mantenho-me alerta para o que posso aprender em cada situação.

Espero que a cada dia te descubras um pouco mais, te apaixones um pouco mais, abraces e sorrias um pouco mais. Apaixona-te pela vida todos os dias e diz-lhe tantas e quantas vezes forem necessárias o quanto és apaixonado por ela. Porque querendo ou não, a vida é como os votos de casamento, para o bem e para o mal. E com o bem (quase) todos sabemos lidar.

Texto de Marta Pico do COA

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Palavras e Fotografia

Aquela Casa

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Adormece-me a alma devagar, que o dia de hoje se prolonga pelas noites que já não durmo.

Adormece-me sempre que houver demora na recolha que fazemos pelas horas.

Sempre que o amor se espalhe pelos dias, como aquela luz que entrava pelas brechas dos estores da casa velha.

Tenho saudades daquela casa, sabes? Quando o mundo se resumia a nós e tudo o que existia para além disso era apenas pó… montes e montes de pó.

 

Texto de Joana Almeida

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Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? O mais importante.

Olá de novo caro leitor, hoje farei a última rúbrica sobre a primeira série de textos ligados ao conceito de auto-cuidado. É comum encontrar quem nos tente vender a felicidade como um objectivo supremo de vida. São vários os produtos que nos chegam com promessas de melhoria radical das nossas vidas. Contudo, alguns psicólogos defendem que a felicidade não é a única coisa que pode dar cor à nossa existência. Certos acontecimentos ou hábitos podem ser a antítese total da felicidade e ainda assim algumas pessoas persistirão neles pelo sentido por eles atribuído às suas vidas. A investigação tem mostrado que a sensação de viver uma vida plena de sentido é uma preocupação central dos seres humanos (Baumeister citado por Park & Baumeister, 2017) que está associada ao bem-estar (Ho, Cheung & Cheung, 2010) e uma maior resistência a stressores (Park & Baumeister, 2017). Por esta razão, defendo que estar em contacto com as fontes de sentido – que fazem com que sintamos que a vida que levamos vale a pena – pode ser uma forma de nutrirmos a nossa vida.

Onde encontrar as nossas fontes de sentido?

De facto, esta é a verdadeira questão que intriga os investigadores. Embora pareçam existir várias formas de encontrar sentido nas nossas vidas, uma corrente de pensamento dentro da psicologia defende que uma vida tem significado quando vivida de acordo com os próprios valores. Antes de passarmos a aprofundar esta ideia, apresento-lhe a terapia de aceitação e compromisso (doravante, ACT). Friso ainda que dado que não possuo formação formal neste modelo e por essa razão, esta publicação é apenas informada pela ACT. Caso o leitor tenha mais interesse em trabalhar aspectos da sua vida através deste modelo, recomendo-lhe que procure um profissional devidamente especializado.

Valores: O que são?

Numa perspectiva de ACT, falar em valores não significa falar de aspirações, objectos ou sentimentos, mas sim das qualidades pessoais através das quais nos queremos definir (Brown & Gillard, 2016). Para melhor explicar este termo, cito também Ray Owen, terapeuta ACT sediado no Reino Unido (Lucas, 2017), que defende que os valores se referem “à forma como queremos actuar no mundo. São as coisas que ajudam a reforçar a nossa forma de estar”. Nesse sentido, os valores podem cumprir uma função de bússola orientadora: Ao clarificá-los, podemos ter uma ideia de como queremos comportar-nos e actuar perante a vida (Brown & Gillard, 2016), ajudando assim a organizá-la – especialmente quando as nossas circunstâncias se alteram. Por exemplo, se um dos meus valores for “A sustentabilidade ambiental” posso começar a tomar acções congruentes com o mesmo, começando a reciclar, participando em activismo ambiental e tomando escolhas de vida mais sustentáveis (Brown & Gillard, 2016).

 Implicações práticas

Clarificar e actuar em função dos próprios valores pode nem sempre significar ter como finalidade “sentir-se bem” ou “Ser feliz”, mas sim agir em função das qualidades que mais nos importam a cada um de nós. Provavelmente o leitor poderá estar a questionar-se “mas como perceber quais os meus valores?”, nesse caso, se estiver disposto a reflectir sobre o assunto convido-o a seguir as recomendações de Owen (Lucas, 2017): “A menos que estejamos realmente focados no que se passa à nossa volta, todo o conceito de valores não passa de uma ideia abstracta. Por essa razão, o mais importante é desenvolver a nossa capacidade de estar consciente e conseguir reparar nos nossos pensamentos e sentimentos, pois só assim conseguiremos fazer a ligação entre os nossos comportamentos e os nossos valores”.

Se tem acompanhado esta série de textos centrados nas questões do auto-cuidado poderá reparar que Owen está, no fundo, a convidar-nos a desenvolver atenção plena ao nosso redor de modo a que consigamos estar em contacto com aquilo que mais importante é para nós e, consequentemente, possamos sentir o quão significativo isso é. Para terminar, estas três rúbricas são de certo modo, complementares: Em primeiro lugar, convidei o leitor a desenvolver a sua capacidade de atenção plena como forma de aumentar a consciência das suas necessidades e limites. Em segundo lugar, falei ao leitor da importância das relações com os outros e do quanto a nossa vida gira muitas vezes em redor dos grupos de pessoas com quem vamos tendo contacto ao longo da nossa vida. De facto, é também nesta dimensão social que surgem as oportunidades de experienciar aquilo que mais significativo pode ser para cada um de nós. Por essa razão terminei esta série falando sobre valores, desafiando o leitor a reflectir sobre quais são as qualidades que mais gostaria que o definissem – bem como desafiando-o a cultivá-las. Por último, durante a próxima semana, convido o leitor a procurar prestar atenção aos momentos que lhe trazem alegria e felicidade e pergunte-se a si mesmo “Neste momento em que estou, o que é o mais importante para mim?” (Lucas, 2017).

Referências Bibliográficas:

Brown, F., J. & Gillard, J. (2016) Acceptance and Commitment for Dummies. Chichester, West Sussex: John Wiley & Sons Ltd.

Ho, M. Y., Cheung, F. M., & Cheung, S. F. (2010). The role of meaning in life and optimism in promoting well-being. Personality and individual differences48(5), 658-663.

Jim Lucas, JL. (2017). Getting deeper with Values and what you truly care about. Open Forwards. Retirado de: http://www.openforwards.com/podcast/self-help-sat-nav/14-getting-deeper-with-values-ray-owen/

Park, J., & Baumeister, R. F. (2017). Meaning in life and adjustment to daily stressors. The Journal of Positive Psychology12(4), 333-341.

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Nutrição

Sabores

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Franguinho com Limão e Gengibre

 

Ingredientes:

1 frango cortado em pedacinhos

Azeite

Gengibre

Sumo de dois limões

Sal

Alho

Pimenta

1 couve coração cortada em Juliana

Semente de sésamo e de papoila

Manteiga de coco

 

Deixar o Frango a Marinar no sumo dos limões, no gengibre em raspa, azeite, sal e pimenta durante 6 horas.

Levar ao forno de maneira a ficar tostadinho e apetitoso

Numa frigideira saltear a couve coração com a manteiga de coco, sal e pimenta, de maneira a ficar ainda estaladiça, retirar e colocar as sementes.

Servir, comer e chorar por mais!

Receita da nossa Rita Paparica
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Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – V (Parte II)

Estava calor.

Eu tinha talvez uns quatro ou cinco anos e tu estavas a tirar do saco a minha piscina de plástico. Eu dava pulos e gargalhadas de excitação na expectativa do que aí vinha.

Enquanto o avô abria a piscina, eu e tu colocávamos no chão o cobertor que servia para que a piscina não fosse furada pelas pedras do chão.

Colocavam a piscina em cima do cobertor e eu saltava lá para dentro munida do meu fato de banho roxo e da minha bóia de cintura que servia apenas para acrescentar à diversão.

Pegavas na mangueira e abrias a água. O som da água a correr misturava-se com as minhas gargalhadas e com o chapinhar das minhas pequenas e rechonchudas mãos. Ao mesmo tempo, dançava de felicidade. Imagina, pequenina, de barriguinha rechonchuda rodeada pela bóia de cintura a dar saltinhos de alegria e abanar os braços.

Tu rias, como tão poucas vezes te vi fazer.

– Senta-te filha. Já tens água que chegue para brincar. – dizias tu com o olhar brilhante, ainda que sempre envolvido pela tristeza de todas as tuas perdas.

As saudades que tenho desse olhar que era tão raro. O quanto eu desejei que ele se tornasse mais frequente…Mas a verdade é que por mais que fizesse, por mais que tentasse não conseguia fazê-lo aparecer mais vezes.

Eu sentava-me com a minha bóia azul e branca pontuada com desenhos de bolas de praia coloridas, e ria!

À minha volta andava sempre a nossa cadela Pastor Alemão, a Farrusca. Lembro-me de ter cães desde que me lembro de ser gente, de também eles serem a minha companhia.  Ainda hoje os tenho. São uma espécie de botão de memória para um passo mais ou menos feliz. Recordo-me que por vezes ela se aproximava da piscina para beber água e tu a afastavas, como que para me proteger.

Tu pegavas na água com as mãos enrugadas em concha e molhavas-me a cabeça.

– Tens que molhar a cabeça. O sol está muito quente e depois ficas doente e temos que ir à Senhora Doutora.

Eu aceitava de bom agrado a água fresca que me escorria pelo cabelo curto e pelos ombros. O sol estava, de facto, muito quente e queimava-me a pele frágil mas ávida daquele calor.

Deixavas a água encher a piscina e desligavas a mangueira que o avô voltava agilmente a enrolar. Lembro-me de ficares ali comigo a observar cada gesto. Penso que aqueles eram os poucos momentos em que estavas feliz…ou pelo menos em que a tua tristeza era abafada pelo som das minhas gargalhadas.

Na altura não sabia, mas hoje penso “só por isso já valia a pena rir”.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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Desporto

Prepara o verão com a Six Pack Fitness Store.

A Sardina nasceu do sonho de criar uma marca portuguesa de moda de praia, inspirada no tipicamente português. Este sonho ganhou asas e o nome surgiu naturalmente em homenagem a Portugal, às mulheres portuguesas e ao que tão bem se faz por cá!

Depois de um ano de treino com o vosso equipamento comprado na Six Pack Fitness Store merecem ir pavonear os resultados na praia, mas sempre em grande estilo.

Vão lá modelos super elegantes e divertidos e vão ver que difícil vai ser sair de lá só com um!

 

Texto de Six Pack Fitness Store

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Nutrição

Comfort food e fome emocional

“Desde que me casei que engordei. A minha esposa tem mão para a cozinha”, “é delicioso não dá para comer só um”, “Estou cheio mas para a sobremesa arranja-se sempre um espacinho”, “comi pouco, a comida estava sem sabor”.

No nosso dia a dia é fácil concluir que comemos mais quando a comida nos sabe melhor. A literatura científica parece concordar que comemos para além das nossas necessidades quando a componente hedónica da refeição é mais forte. Ou seja, refeições que nos dão prazer estimulam-nos a comer mais. Estas refeições são normalmente ricas em açúcar, sal e/ou gordura.

Atualmente surgiu um novo título para refeições apetitosas: “comfort food”. As comidas de conforto não são mais do que refeições saborosas, normalmente com um equilíbrio entre açúcar, sal e gordura. Há uma explicação para este nome. Sabemos, por exemplo, que após uma refeição rica em hidratos de carbono, a libertação de insulina estimula a libertação do neurotransmissor serotonina dando-nos uma sensação de conforto e relaxamento. Mas se é certo que comer nos dá prazer será que procura-lo diariamente na comida é saudável?

A fome emocional é a procura de sensação de conforto na comida, o chamado “ não é fome, é vontade de comer”. Tema que deixarei em aberto para os psicólogos do Life Quadrants. Num processo de emagrecimento, especialmente em dietas muito restritas, um estado de depressão transitória associado ao défice calórico e de hidratos de carbono é normal. Tentar comer refeições saborosas em pequena quantidade, quando o tacho cheio está na mesa, torna-se difícil e o estímulo para continuar a comer é grande.

Quando temos uma alimentação muito variada, cheia de sabores, cheiros e cores diferentes é possível que a tarefa de emagrecer seja um pouco mais difícil. É necessário controlar os impulsos, manter as quantidades estabelecidas, conhecer os alimentos e fazer as escolhas certas. Isso vai ser uma tarefa difícil sem a ajuda de um nutricionista.

A forma mais fácil de manter um peso adequado é tendo uma alimentação consistente e previsível. Falta de rotinas e excesso de palatabilidade das refeições levam a comer em mais quantidade comida que, muitas vezes, tem quantidades demasiado elevadas de energia, açúcar ou sal, que não são benéficos para a saúde em quantidades elevadas. As comidas de conforto são permitidas e podem fazer parte da nossa vida, especialmente em momento sociais, no entanto são pouco aconselhadas de forma rotineira para quem pretende perder ou manter o peso.

Algumas dicas:

  • Não leve os tachos para a mesa;
  • Faça comida à conta para as refeições que pretende fazer;
  • Sirva-se de uma só vez e evite petiscar;
  • Faça uma ementa semanal/mensal para casa;
  • Coma sopa ou legumes antes do prato principal para se sentir saciado mais cedo;
  • Nos restaurantes evite fazer refeições de 3 pratos (entrada, prato principal e sobremesa).

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Palavras e Fotografia

SONHOS

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Todos os sonhos.
Repito.
Todos os meus sonhos, cosidos.
Os que costuro com cuidado, num ponto apertado, cerzido na pele que me dói por dentro, todos eles se cravam no meu peito, como uma tatuagem escolhida.
Não te sei explicar a importância da voz que se faz sentir, nem das imagens que, de quando a quando, me atropelam em sobressalto.
Acendo a luz e escrevo-te.
Mesmo em tons de mãos meio vazias, escrevo-te.
Um dia, esta desordem será somente luz a invadir a sombra que se faz sentir.

 

Texto de Joana Almeida

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Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? Relações Sociais: O Inferno sem os Outros.

Uma das características que definiu a história evolutiva dos seres humanos, foi a sua propensão e aptidão para funcionar em pequenos grupos. Há centenas de milhares de anos atrás, a pertença a um grupo ditaria de forma quase certa, o futuro de um elemento da nossa espécie e o isolamento seria uma sentença de morte imediata. É esta a razão pela qual ouvimos frequentemente chamar ao Ser Humano, um “animal social”. Contudo, com o avanço das eras e das formas de vida em sociedade, é hoje consideravelmente diferente viver em grupo. O isolamento continua a estar presente na nossa sociedade, contudo, numa parte considerável das zonas em que habitamos não teremos predadores que possam ameaçar a nossa sobrevivência. Antes que respiremos todos de alívio perante esta constatação aparentemente optimista, a investigação científica tem mostrado que os efeitos da solidão estão bem para lá do que nos parece mais aparente.

A solidão no século XXI

O isolamento social é cada vez mais considerado um problema dos nossos dias, de tal maneira que até alguns países, como é o caso do Reino Unido, já criaram especificamente novos ministérios dedicados à sua erradicação. Mas porque é o isolamento social um problema tão importante e qual é a sua relevância para o leitor? Comecemos por analisar algumas evidências:

  1. O ambiente social tem influência na saúde psicológica dos seres humanos: Segundo o Inquérito Social Europeu (citado por Nós e os Outros), quem mantém boas relações com os outros apresenta maiores níveis de felicidade do que aqueles que não mantêm.
  2. O ambiente social tem influência na saúde física dos seres humanos: Aqueles que têm melhores relações com os outros tendem a ter menos doenças e uma maior esperança de vida comparativamente a quem não tem boas relações com os outros. Mais ainda, o isolamento social pode aumentar o risco de morte prematura em cerca de 45%. O que nos permite afirmar que, estar isolado e sentir-se sozinho é tão nocivo quanto fumar 15 cigarros por dia (Holt-Lundstad, Smith & Layton citado por Lima, 2018).
  3. Portugal é um dos países que apresenta maiores taxas de isolamento social. Estima-se que cerca de 22% dos portugueses com 65 ou mais anos viva sozinho. O inquérito social europeu de 2014 mostrou ainda que cerca de 12,5% dos Portugueses se sentiram na última semana, muitas vezes ou quase sempre sós. Embora nos jovens adultos este valor seja baixo, no caso dos mais velhos sobe para cerca de 18%, isto é, quase 1 em cada 5 portugueses com idade igual ou superior a 65 anos referiu sentir-se sozinho na grande maioria do tempo. Estes dados tornam-se consternadores se nos recordarmos que Portugal é dos países da Europa com maiores taxas de envelhecimento populacional.

Asseguro ao leitor que existem muitas mais evidências para outros problemas associados ao isolamento e solidão, mas que infelizmente, por questões de espaço não poderei abordar aqui. Contudo, a principal conclusão que devemos retirar é que um mau ambiente social tem sérias implicações na saúde dos seres humanos. Por este motivo, ao falar em autocuidado é de extrema importância lembrar que as nossas relações sociais devem também ser elas alvo de investimento.

Relações Sociais – A sua importância

Como referi no inicio desta rúbrica, as relações sociais são um dos ingredientes que ditaram e influenciaram a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. Por esta razão, o contexto social tem influência contínua não apenas na nossa satisfação com as nossas relações, mas também com o nosso funcionamento em geral ao longo do ciclo vital – influindo sobre os nossos estados de humor, níveis de stress, bem-estar, persecução de objectivos, sensação de segurança, sentido de propósito e de significado da nossa vida. Isto significa que as relações sociais modelam-nos, influenciando o nosso comportamento e o nosso bem-estar (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017). A qualidade das nossas relações sociais pode ser uma fonte de resiliência ou uma agravante do risco de desenvolvimento de problemas de saúde físicos e psicológicos – algo que se verifica especialmente na maioria dos principais casos de doença mental (Beck citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017, ; Leach & Kauzler citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017; Pettit & Joiner citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017)

Implicações práticas

O leitor poderá estar a questionar-se que soluções existem para combater o problema da solidão e do isolamento social. Quero começar por concordar com Lima (2018) dizendo que “a solidão não se cura com um psicólogo ou com uma linha de apoio 24 horas por dia” – embora a psicologia seja uma das ciências que tanto tem ajudado a compreender as implicações deste problema nas nossas vidas, a sua resolução transcende-se para todos nós. Por esta razão, defendo que é imperativo cuidar das nossas relações sociais. Contudo, tal não significa tornar-se a nova estrela em ascensão com milhares de seguidores nas redes sociais, ou coleccionar uma legião de amizades apenas porque sim. O cuidado implica reciprocidade – não apenas para que possamos falar sobre o que sentimos, mas sim criar um espaço onde o cuidado se dá e recebe (Lima, 2018). Este maior contacto psicológico que pauta as relações de proximidade (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017) permite-nos desenvolver a sensação de que iremos ter o apoio e suporte quando mais necessitarmos (Lima, 2018) – eliminando assim o sentimento de isolamento e solidão e todos os seus agravantes para a nossa saúde e bem-estar.

Em suma caro leitor, a solidão é de tal forma corrosiva para a nossa saúde e bem-estar, que vivê-la é, parafraseando Sartre, sentir não que “O inferno são os Outros” mas sim “O inferno sem os Outros”. Não deixe de assegurar um espaço no seu dia-a-dia para cuidar e usufruir das relações com quem sente que lhe faz bem – sejam os seus amigos, família, colegas de trabalho ou qualquer outra actividade de grupo da qual faça parte – pois cuidando deles, cuidará também de si.

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Desporto

Já conhecem o princípio FITT? (Parte II)

Caros leitores, se bem se recordam, prometi que esta semana vos traria as indicações para o treino de resistência, de acordo com o princípio FITT-VP. Para relembrar, este principio é um dos mais utilizados quando elaboramos um plano de treino personalizado. As siglas FITT-VP significam:

F – Frequência (número de dias por semana em que será praticada atividade física)

I – Intensidade (apenas exercícios acima de determinado patamar de esforço, que varia de pessoa para pessoa, resultarão na obtenção dos benefícios espectáveis com a prática de atividade física)

T – Tempo (medida que diz respeito à duração de cada sessão de treino)

T – Tipo (exemplos: caminhar, correr, nadar, esquiar, dançar…)

V – Volume (é o produto da frequência, intensidade e tempo, podemos dizer que é a Quantidade de exercício praticado, através do qual é calculado o dispêndio energético)

P – Progressão (a progressão consiste no aumento de qualquer um dos componentes do princípio FITT, consoante as características específicas de cada indivíduo)

No Life Quadrants já disponibilizámos algumas recomendações, com base neste princípio, relativas a Treino Aeróbico. Aqui vos deixo as relativas a Treino de Resistência, recomendadas pela “American College of Sports Medicine”;

Recomendações para Treino de Resistência:

Frequência:

  • Cada grande grupo muscular deve ser treinado 2 a 3 dias por semana.

Intensidade:

  • 60% – 70% de 1RM (Repetição Máxima) para que praticantes amadores ou intermédios melhorem a sua força:
  • Praticantes experientes em treino de força podem aumentar gradualmente até ≥80% de 1RM;
  • 40% – 50% de 1RM (intensidade muito leve) para indivíduos com mais idade, que se encontrem pela primeira vez a efetuar treino de força;
  • 40% – 50% de 1RM pode ser benéfico para indivíduos sedentários que se encontrem a iniciar treino de resistência;
  • Abaixo de 50% melhorar endurance muscular;
  • 20% – 50%, em idades mais avançadas, também apresenta benefícios.

Tempo:

  • No que diz respeito a treino de resistência, ainda não foi identificada nenhuma duração específica que contribua para um aumento de eficácia.

Tipo:

  • Exercícios que englobem cada um dos maiores grupos musculares são recomendados;
  • Exercícios multiarticulares que afetem mais do que um grupo muscular e que estimulem músculos agonistas (iniciam a contração necessária ao movimento) e antagonistas (alongam para auxiliar o movimento dos agonistas) são recomendados para todos os adultos;
  • Exercícios uni articulares direcionados a grandes grupos musculares também podem ser incluídos num programa de treino de resistência, geralmente após efetuar exercícios multiarticulares para esses mesmos grupos;
  • Neste tipo de treino podem ser utilizados diversos equipamentos, para além de exercícios com utilização de peso corporal.

Repetições:

  • 8 a 12 repetições são recomendadas para melhorar a força e potência muscular na maioria dos adultos;
  • 10 a 15 repetições são eficazes para melhoria de força em indivíduos de meia-idade e mais velhos, que se encontrem a iniciar exercício físico;
  • 15 a 25 repetições são recomendadas para melhorar a endurance muscular.

Séries:

  • 2 a 4 séries são recomendadas à maioria dos adultos, para aumento de força e potência;
  • Uma única série de exercício de resistência apresenta benefícios, principalmente entre praticantes com idade avançada e pouca experiência;
  • ≤2 séries são eficazes na melhoria de endurance muscular.

Padrão:

  • Intervalos de recuperação de 2-3 minutos entre cada série potenciam a eficácia dos mesmos;
  • É recomendado um descanso de pelo menos 48h entre treinos do mesmo grupo muscular.

Progressão:

  • Um aumento gradual de resistência, e/ou mais repetições por série, e/ou aumento de frequência são recomendados.

 

Agora que estão devidamente informados acerca das recomendações para o treino não há desculpas para não começar já. Olhem que o verão está aí à porta!

 

Bons Treinos!!

 

Texto de Cláudio Mousinho

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