Palavras e Fotografia

[Os meus passos]

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Tenho os dedos a entornar palavras
e o corpo a flutuar em pasmos, sobre a noite que nos cerca.
Um desvio do pensamento sempre que o vento me acompanha os passos.

Encontro-te sem hora marcada, entre a leveza do toque que me queima por dentro e a acidez dos dias que se seguem.
Apareces de forma irregular, com sorrisos nas mãos a desfazeres-me em tormentos e palavras por escrever.

Caminho sobre os dias e não sei se o que levo dentro dos bolsos são as peças que te constroem em correntes de ar, daquelas que passam ao de leve, debaixo de cada porta fechada, sobre os pés descalços que percorrem o chão das noites de verão quente.

Se eu te conseguisse mostrar nas palavras, o que me entope o peito,  numa nudez repentina, talvez pudesses compreender o vazio que é, saber que os dias não giram em torno do vento que me acompanha os passos.

 

Texto de Joana Almeida

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Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – IV (Parte I)

Passaram meses e finalmente encontrámos um centro de dia para onde podias ir passar o tempo enquanto o meu pai estava a trabalhar e eu na Universidade.

Não me lembro do teu primeiro dia no centro, mas lembro-me que nos primeiros dias voltavas sempre desanimado. Fazias queixas da comida, dos funcionários, dos companheiros. Estavas num sítio estranho, com pessoas que não conhecias.

– São uns velhos. E são uns malucos. Qualquer dia quem fica maluco sou eu. – dizias.

Foram meses difíceis. Sabíamos que eras bem tratado lá e que não havia razão de queixa dos funcionários. Faziam o que podiam com as condições que tinham. Os teus companheiros eram velhinhos, alguns deles senis. Sabíamos que de cabeça estavas bem, com melhor memória do que qualquer um de nós e no fundo, isso só te tornava tudo mais difícil.

Com o tempo regressavas mais animado, foste abandonando a postura curvada e sofrida que trazias nos últimos meses e já sorrias.

– Hoje estive sentado ao pé da Rosa – disseste com um sorriso malandro.

– Da Rosa? Quem é a Rosa? – perguntei em tom de brincadeira.

– É uma que mora ali para os lados de Belas. Hoje veio meter-se comigo. “Jaiminho, hoje sentas-te aqui ao pé de mim para o almoço.”

– Ai a malandra da Rosinha. A querer arranjar namorado.

– Ela é brincalhona. Andava lá de roda de outro mas lá se chateou com ele…

Estavas a reagir, recomeçaste a brincar, já te via menos lágrimas no rosto. Estavas mais falador, brincavas, contavas o que acontecia no teu dia. Nos dias mais difíceis tentava animar-te, pôr-te a pensar nas coisas boas que ainda te restavam.

Estava a estudar fora nesta altura, tinha iniciado o meu Mestrado. Todas as semanas vinha a casa ver como estavas, ajudar o meu pai nesta tarefa árdua de trabalhar 8 horas por dia e vir para casa a correr cuidar de ti.

Um dia o meu pai ligou.

– Olá pai. Está tudo bem?

– Não. O avô caiu. Partiu o braço.

– Mas como é que isso aconteceu? – perguntei enquanto senti o coração acelerar. Tinhas 88 anos. Qualquer fractura podia ser perigosa.

– Foi ao quarto para fechar as persianas e de repente oiço a chamar por mim. Quando lá cheguei estava caído de lado no chão. Levantei-o, perguntei se estava bem, se lhe doía alguma coisa. Disse que lhe doía o braço mas nada de especial. Passado um bocado disse-me que não estava bem, que o braço estava a doer mais e vim com ele ao hospital. Está partido. Vai ter que ser operado.

Senti o peito gelar, a cabeça andar à roda. Respirei fundo e pensei: “vai tudo correr bem. É uma cirurgia simples e ele vai recuperar.” Não calculei as consequências que isto ia trazer para tua vida e consequentemente para a nossa.

O que é certo, é que foste operado, estiveste mais ou menos um mês no hospital. No dia em que te fomos buscar estavas bem-disposto, ias voltar para casa. Mal nós sabíamos do que se avizinhava. Sair do hospital foi um suplício. Felizmente o pai já tinha comprado a cadeira de rodas como que a prever a falta que nos ia fazer… Não conseguias andar, estavas tão fraco que tive medo que nunca mais fosses capaz de dar um passo. Estiveste um mês de cama, o teu corpo perdeu a pouca força que lhe restava e agora teríamos um enorme desafio pela frente: conseguir que voltasses a andar.

Nos meses seguintes estiveste com gesso no braço. Não podias mexer o braço, tinha que se manter numa determinada posição para garantir que sarava bem e por isso não podias estar deitado na cama. Dormias no sofá. Era inverno e estava frio. O pai mantinha o aquecedor ligado no mínimo para evitar sustos de maior, tapava-te com as mantas e tentava que pudesses ficar o mais confortável que era possível. Foram longas semanas nesta situação. Sempre em sobressalto, atentos ao mínimo sinal de desconforto. A dada altura estavas com tosse. Uma tosse que às vezes quase te sufocava. Fomos contigo ao médico e disseram-nos que tinhas uma infecção respiratória. Fomos assolados por um sentimento de culpa avassalador. Tinhas passado semanas a dormir no sofá da sala, tentámos manter-te o mais quente e confortável possível com as condições que tínhamos mas não tinha sido suficiente. Estavas doente, muito doente.

Travaste batalhas de gigante no final da tua vida e esta era mais uma delas. Pouco tempo houve de paz desde que ela morreu. Eu sabia que tudo ia acontecer depressa e que as nossas vidas iam mudar, mas nunca pensei que fosses passar por tanto.

Eu voltei para a Universidade, em Évora, como tinha que ser e a preocupação era constante, estavas demasiadas horas sozinho depois de voltares do centro e já não andavas sem ajuda. Não eras capaz de te levantar para ir ao wc e por isso também tinhas que usar fralda. O meu pai deixava-te sempre um copo de água e qualquer coisa para poderes comer até ele chegar, na mesinha de centro da sala, que tinha sido posicionada ao lado do teu sofá. Aí tinhas o comando da televisão, o teu lenço, os teus óculos e o telemóvel para podermos ir falando contigo ao longo do tempo. Não consigo imaginar como será estar tanto tempo sozinho, sentado no mesmo sítio sem liberdade para simplesmente ir ao quintal apanhar sol e ar. Forçava-me a não pensar demasiado nisso enquanto estava fora, obrigava-me a viver a minha vida naquela cidade mágica mas era como se na verdade não estivesse lá.

Vinha a casa à Sexta-feira, com uma ambivalência difícil de pôr em palavras. Queria chegar a casa, pousar as malas e dar-te um beijo e um abraço, mas ao mesmo tempo não queria ter de me confrontar com a tua degradação. Estavas pior a cada semana que passava e era como se de cada vez que te visse me despedisse de ti. Estavas a desaparecer aos poucos.

Sempre que vinha a casa recebias-me com um sorriso.

– Então netinha, já cá estás? – dizias de olhos brilhantes e sorriso aberto.

– Olá avô! Já cheguei!

– Quando vais? – perguntavas numa vã expectativa que te dissesse que já não ia.

– No Domingo, sabes que tenho aulas na segunda-feira – dizia ao mesmo tempo que pensava que todo o tempo era pouco para estar contigo.

– Pois. Tem que ser assim não é… – dizias com o olhar triste de quem sabe que lhe resta tão pouco tempo.

– Como correu a tua semana no centro?

– Oh correu…

– E a Rosinha?

– Oh chateou-se comigo – dizias com o teu ar de malandro.

– Ora essa. Porquê?

– Ela é maluca. Estava com ciúmes lá de uma senhora com quem me dou muito bem. E eu não estou para me chatear.

Eu ria contigo. Admirava a tua capacidade de brincar e rir mesmo sentado numa cadeira de rodas e com a plena consciência de tudo o que estavas a perder. E o que estavas a perder era o bem mais essencial de todos….a vida.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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[Saudade]

Fim de Semana @ Vila Real 20-23.07.2007 012

Há uma saudade que sempre espreita,
Um abraço esquecido,
Um beijo perdido.
Há uma saudade que se esconde,
que se arruma,
que se apaga.
Uma janela aberta,
Uma porta fechada.
Há uma saudade que se estende,
Que perdura,
Que esvoaça.
E em três fases, meu amor…
O vento sopra,
O dia amanhece,
E as palavras morrem.

 

Texto de Joana Almeida

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Fotografia de Nuance Fotografia by Cláudia da Silva Mousinho

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As Raízes da Saudade – I (Parte II)

Eu tinha 5 anos, era o meu primeiro dia de escola. Foste comigo de mãos dadas até à sala de aula, eu estava nervosa, entusiasmada com a ideia de ir para a escola e ao mesmo tempo cheia de medo. Apertava-te as mãos com força como quem diz “por favor, não me deixes sozinha”. Entrámos na sala e de repente estavam aqueles olhos pequenos todos voltados na minha direcção e naquele momento quis voltar para casa.

Queria ficar, fazer amigos, aprender, mas tinha tanto medo. Tinha medo que os meninos não gostassem de mim. Tinha medo que gozassem comigo.

Estivemos da sala de aula um tempo, não me lembro ao certo do que falámos. Sei que se tratou de uma forma de nos prepararmos devagarinho para aquele novo desafio. De repente a professora pediu aos pais e avós que saíssem da sala para poder estar connosco, conhecer-nos. Aí o mundo parou. As lágrimas vieram aos olhos, agarrei a tua mão e comecei a chorar.

– Não quero ficar aqui sozinha! Não vás embora, por favor.

– Oh filha, a avó vai só ao pão e vais ver que daqui a pouco já aqui estou outra vez para irmos para casa. – disseste tu enquanto me limpavas as lágrimas que insistiam em cair acompanhadas de soluços.

– Mas eu não quero! Quero ir contigo para casa!

– Oh minhas querida, então. A avó daqui a pouco já volta para te vir buscar. Já estiveste comigo uma vez não te lembras? – disse a professora Júlia com uma ternura na voz que me tranquilizou.

– Lembro… – disse eu hesitante enquanto limpava as lágrimas envergonhada, olhando à minha volta e percebendo que estavam todos a olhar para mim.

– Então. Vais ver que vais gostar. Estão aqui tantos meninos como tu. Vão dar-se bem e vais aprender muitas coisas novas. E hoje vão ficar só um bocadinho para se conhecerem e depois já vais poder voltar para casa com a avó.

Eu respirei fundo e limpei as lágrimas novamente. Tu olhaste para mim e sorriste. Pegaste no lenço que trazias preso no cós da tua saia e limpaste-me a cara. Deste-me um beijo e saíste. Acompanhei-te com o olhar até a porta se fechar atrás de ti. O coração apertou e eu voltei a chorar.

Acompanharam-me à casa de banho, fizeram-me acalmar e voltei à sala de aula. Eu sabia que tu ias voltar para me vir buscar, sabia que ia voltar para casa. Sabia que tinha só que aguentar aquelas horas e tudo ia compor-se.

– Emprestas-me as tuas canetas? – perguntou uma colega que estava sentada ao meu lado.

Olhei para ela intimidada, agarrei no meu estojo e coloquei-o junto ao peito. Não estava habituada a deixar que ninguém mexesse nas minhas coisas.

– Não! São minhas. Usa as tuas! – disse eu, zangada e assustada por estarem a falar comigo, quando eu só queria fazer os meus desenhos metida no meu mundo.

– Vais ter muitos amigos assim. És má.

Estremeci… Achava que ela tinha razão, que não ia fazer amigos e que aquele percurso ia sempre ser um inferno.

Com o passar das horas fui perdendo o medo. Levantei-me da cadeira, com uma caneta azul na mão e fui ter com a colega que tinha mudado de lugar.

– Desculpa… Não queria ser má para ti. Podemos ser amigas? – perguntei envergonhada.

Ela pegou na caneta, olhou para mim:

– Está bem. – disse sorrindo enquanto me dava para a mão um lápis de cor também ele azul.

Umas horas depois estava a guardar as canetas dentro do estojo, as folhas dentro da mochila e a correr novamente na tua direcção, com a certeza de que amanha o dia ia correr muito melhor.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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[Se…]

Se te dissesse, baixinho…
Entre a brincadeira e o tom sério
de quem brinca com o destino
E é assolado de inquietude,
que a loucura é um pé-de-vento que se aproxima ao anoitecer
Paravas, por uns segundos?
Se eu te falasse, baixinho…
De sonhos sem significado
Do que se alimenta o medo
Da caminhada sobre a linha fina
que divide o Amor do resto
Paravas, por uns minutos?
Se te contasse, baixinho…
Que em cada esquina,
Em cada canto,
Em cada gota que se esgota no peito,
Surge uma palavra, surge um poema
Ainda que torto, ainda que incerto
Paravas, por umas horas?
Se baixinho te dissesse,
Que ninguém quer o que não entende
E um bolso vazio não serve para guardar a noite.
Se te dissesse…
Paravas, o tempo?

 

Texto de Joana Almeida

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As Raízes da Saudade – III (Parte I)

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010. Acho que foi a primeira vez, ao fim de tantos anos, que te dei um abraço. Ela tinha morrido no Domingo e eu tinha acabado de chegar a Lisboa para o velório. Estava tão preocupada contigo, procurava por ti em todas as pessoas, em todos os rostos. Sabia que devias estar desamparado, tinhas perdido a tua companheira de 63 anos. Quando te vi vinhas a chorar, com uma mão na bengala que te amparava os passos e na outra um dos teus característicos lenços de pano. Mal saí do carro corri na tua direcção.

Olhaste para mim com o olhar mais triste que alguma vez te vi… Abracei-te e tu disseste apenas:

– Oh filha…já ficaste sem a tua avó.

Naquele momento senti que o teu desespero também era por mim. Naquele momento a tua preocupação era comigo. Apercebi-me de que sempre foi assim, podias pôr-te primeiro que toda a gente, menos primeiro que eu. Para ti eu estava sempre primeiro! Lembro-me de ter pensado que agora te restava tão pouco e que por isso também te havia de perder em breve. Chorei…chorei por ela e chorei por ti. Nunca te tinha visto chorar daquela forma e partiu-me o coração. Recordava-te sempre de sorriso no rosto e de repente apareceste como que desfigurado pela dor que sentias. Estavas “sozinho”. Não sabias quem eram os teus pais, o nome não te estava escrito no bilhete de identidade. Filho de pais incógnitos, dizia. A tua única referência era uma tia que te criou, mais ninguém. A tua história tinha sido apagada, era como se só tivesse sido escrita a partir do momento em que te casaste. E mesmo assim, apesar de tudo, tinhas sempre um sorriso pronto, um abraço guardado para quando eu chorava, uma mão para me ajudar a saltar nas poças de água.

Aqueles foram dias desgastantes. Vi-te chorar em cada um deles e sentia que não podia fazer nada para te aliviar a dor de perder a tua companheira de uma vida. Sabia que te sentias sozinho, que não sabias o que ia acontecer a seguir e que acreditavas que te íamos pôr num lar…

No final do dia, já sentado no sofá da sala junto à janela, depois de quase toda a gente ter ido embora disseste:

– Agora é que acabou tudo…

O pai pôs-se de joelhos à tua frente, agarrou-te na mão e disse-te:

– Pai, eu não vou o vou por num lar. O pai não vai a lado nenhum. Vamos procurar um sítio para poder ficar durante o dia, enquanto eu estou a trabalhar, mas à noite vem para casa para ao pé de mim. Pode ser assim?

– Está bem. Assim pode ser. – Disseste tu, enquanto fungavas e limpavas as lágrimas.

– Eu não o vou pôr num lar enquanto tiver alternativa e o poder ter em casa.

– Está bem.

Respiraste fundo, vi os teus ombros relaxarem e paraste de chorar.

– Depois vou contigo ver o sítio quando encontrarmos pode ser? – Perguntei com esperança de te dar algum alento.

– Sim… – Tinhas a cabeça baixa enquanto dobravas o lenço nas mãos e uma lágrima te caia pela face.

Nessa noite mal dormi… Tinha um nó na garganta, doía-me o peito. Chorei por ela, por ti, pelo meu pai. O mundo mudou radicalmente e as nossas vidas iam mudar também. Ela era a matriarca. Tudo girava em torno dela, das suas necessidades, das suas vontades, das suas dores. Ela era a organizadora de tudo, tratava da casa, da lista das compras, das limpezas e às vezes de nos fazer a cabeça em água. Mas era ela… a tua mulher e a minha avó-mãe. Nesse dia também eu perdi uma parte de mim. Teríamos que descobrir como viver sem ela.

Demorei dois dias até cair em mim, passei dois dias em modo automático. Não me lembro desses dias, do que disse, do que fiz. Lembro-me apenas de te ver chorar… E lembro-me de ao terceiro dia estar no computador e a bateria ter avariado. Irritei-me. Tentei resolver o problema mas nada corria bem. Atirei o carregador ao chão e virei costas, saí da sala a correr e atirei-me para o chão na divisão ao lado. Chorei! Chorei verdadeiramente, num sufoco inigualável. Tinha perdido…estava perdida! Não me pude despedir dela. Na última vez que falei com ela era Quinta-feira e ela dizia-me para eu ir a casa no fim-de-semana. Ela fazia anos no dia 13 de Julho!

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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claudia.s.s.x.silva@gmail.com

Palavras e Fotografia

À minha querida Marta.

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A vida ensinou-me que há muitas formas de se estar presente.

Quando a doce lembrança do teu sorriso nos cerca a memória logo pela manhã, é sinal que estás por perto. Quando aquela música que passa na radio me lembra de ti, eu fecho os olhos e vejo-te sorrir e sei que estás por perto.

Desculpa… hoje não te faço um bolo de fubá para comemorar o teu dia, mas desenho-te junto a mim.

Feliz aniversário à Dra. mais querida deste mundo e do outro!

 

 

Texto e desenho de Joana Almeida

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Pinhal do Rei

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O Pinhal de Leiria era um dos sítios mais bonitos que já conheci. Nos últimos 7 anos da minha vida foi casa de bons momentos, foi canto de boas memórias, foi terapia, foi amor… O Pinhal de Leiria apaixonava cada um que o visitasse. Era impossível ser-lhe indiferente. Agora são cinzas! Cinzas carregadas de Histórias e de estórias… É de coração apertado que piso aquele chão. Desolador é a palavras que me ocorre.

Do que antes era verde sobram cinzas, do que antes era o cheiro dos pinheiros e eucaliptos sobra o cheiro a queimado. As folhas que sobraram teimam em cair, agora numa cama de cinzas e natureza morta.

Ainda há verde, ainda há pequenos recantos de esperança. Mas a dimensão de escuridão é tão avassaladora que não parece haver esperança que chegue.

Foto e Texto de Nuance Fotografia by Cláudia da Silva Mousinho