Nutrição

Devo ou não comer fruta e quando?

Surpreendentemente esta é talvez uma das perguntas que mais vezes me fizeram e parece haver ainda algumas dúvidas e mitos sobre este assunto.

 “Dizem que não se pode comer fruta depois da refeição porque engorda“, “fruta não mata a fome“, “não se deve comer fruta porque a fruta também tem muito açúcar“, “comer fruta antes da refeição fermenta“.

Todos os guias alimentares internacionais, incluindo os portugueses, recomendam a ingestão de fruta todos os dias. Uma das conclusões mais sólidas nas ciências da nutrição é que o consumo de frutas e legumes tem benefícios significativos para a saúde. Estes benefícios devem-se ao seu teor em vitaminas, minerais e fibra. O seu consumo está relacionado com diminuição do risco de várias doenças crónicas como de doenças cardiovascularesdiabetes tipo II e alguns tipos de cancro como o do cólon e também parece ter um papel protetor interessante em doenças de origem inflamatória como a Alzeimer .

As fibras solúveis, presentes principalmente nas frutas e vegetais, contribuem para a normalização dos valores de colesterol e glicémia, aparentemente por diminuírem o ritmo da sua absorção. Se juntarmos alimentos com fibra às nossas refeições iremos sentir-nos saciados e satisfeitos mais rápido e por mais tempo. Para consumirmos a fibra recomendada por dia a melhor forma de o fazer é consumir 2 a 3 peças de fruta e vegetais todos os dias.

Antes de nos preocuparmos com o açúcar e calorias que duas peças de fruta nos dão (cerca de 150 calorias por dia) devíamos pensar nas 4 bolachinhas digestivas cheias de sal, gordura, açúcar e outros “não nutrientes” que nos oferecem cerca de 300 caloriasA fruta, como todos os outros alimentos, não engorda de forma isolada, apenas se consumirmos mais calorias do que aquelas que necessitamos vamos engordar. Antes de retirar a fruta da alimentação faz sentido pensar em retirar outros alimentos sem potencial protetor.

A fruta dá fome? Se o seu lanche habitual é constituido por um leite achocolatado e um croissant misto, ou uma taça de açai e granola e passa a consumir apenas uma peça de fruta, é natural que fique com fome. Não porque a fruta dê fome mas porque em vez de consumir quase 600 calorias consumiu só 80 calorias. As nossas refeições devem estar adaptadas às nossas necessidades e rotinas e uma fruta pode não ser o suficiente. Comer fruta não faz fome.

Quanto ao timing, pode ser interessante juntar a fruta às refeições por várias razões. O teor em vitamina C de algumas frutas como o kiwi, laranja, tangera e morangos auxilia a absorção de ferro dos produtos vegetais (grão, feijão, cereis integrais, etc.). Este facto pode ser especialmente interessante em vegetarianos, pessoas com anemia ferropriva (falta de ferro) ou senhoras durante a menstruação. Comer antes ou depois seráindiferente. Comer a fruta após uma refeição como sobremesa pode ser ótimo, especialmente se tem fome ou o está a fazer em detrimento de um doce.

fermentação não é um problema. O PH do estômago varia entre 1.5 e 3.5, muito ácido, neste ambiente as bactérias e leveduras têm dificuldade em sobreviver e dificilmente existirá fermentação que se torne desconfortável. A produção de gases intestinais é natural quando temos uma alimentação rica em fruta e legumes (fibras) e é essencial para a produção de vitamina K. O seu défice pode levar a problemas de coagulação, inflamação intestinal e deficiências no sistema imunitário.

Em suma, esforce-se por comer fruta e vegetais diariamente quando lhe apetecer.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto

Atividade física e gravidez.

Sendo esta a primeira publicação no nosso blog após o dia da mulher, o tema de hoje faz referência a algo que lhes é muito especial – a gravidez. Mais propriamente, a prática de atividade física durante a gravidez.

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Têm surgido algumas dúvidas no que diz respeito a este assunto, e mesmo com a atual existência de aulas/treinos específicos para o período de gestação, não é incomum ouvir ou ler comentários pejorativos quando vemos uma mulher simultaneamente grávida e musculada ou a praticar atividade física intensa. E sim, nós sabemos que a maioria destes comentários são direcionados a senhoras que aparentam ter o seu bebé a crescer dentro de uma prensa! Ainda assim, será que estão a fazer algo errado?

Não temam, qualquer mulher grávida, saudável, sem contraindicações para a prática de exercício deve ser encorajada a fazê-lo. Aliás, para aquelas que afirmam ter medo ou preguiça para o fazer, compreendam que as consequências, a curto e longo prazo, de sedentarismo nesta fase são bastante preocupantes. A atividade física durante a gravidez já é recomendada por diversos obstetras e ginecologistas e já se encontram disponíveis diretrizes  para orientar as sessões de treino, de forma a minimizar riscos e promover os benefícios para a saúde, tanto da mãe como da criança.

Caso estejam curiosas relativamente aos benefícios da atividade física durante a gravidez, aqui estão os principais:

  • Previne aumento de peso gestacional excessivo;
  • Previne diabetes mellitus gestacional;
  • Diminui o risco de pré-eclampsia (pressão arterial alta e aumento significativo de proteína na urina);
  • Diminui incidência e sintomas de dor no fundo das costas;
  • Diminui risco de incontinência;
  • Previne e/ou melhora sintomas depressivos;
  • Manutenção e/ou melhoria de aptidão cardiorrespiratória;
  • Previne retenção de peso pós-parto.

Com o devido acompanhamento, a gravidez pode ser uma oportunidade para as mulheres sedentárias mudarem os seus hábitos e passarem a ter uma vida mais saudável, na medida em que a vontade de mudar e fazer o melhor para os filhos auxilia bastante na transformação e alteração de comportamentos menos saudáveis.

Ainda assim volto a reforçar a importância de acompanhamento credenciado. Já está claro que podem e devem fazer exercício físico, mas nunca sem supervisão e aconselhamento.

Atenção às meninas que já treinavam antes da gravidez e continuam a treinar com a mesma intensidade durante a mesma. Existem adaptações fisiológicas neste período, como o aumento da frequência cardíaca e volume de oxigénio inalado, que se tornam mais irregulares e necessitam ser controladas.

No Life Quadrants acreditamos que a mulher portuguesa, de maneira geral, manifesta preocupação e cuidado quando se trata da saúde dos seus bebés. Mas como podem ocorrer distrações, aqui vai uma lista com as situações em que devem interromper os treinos:

  • Sangramento vaginal;
  • Falta de ar;
  • Tonturas ou dores de cabeça;
  • Dor no peito;
  • Fraqueza muscular;
  • Cãibras ou inflamação
  • Diminuição no movimento fetal;

Curiosidades:

  • Exercícios que fortaleçam a zona pélvica são recomendados para reduzir o risco de incontinência durante e depois da gravidez;
  • Deve ser evitada a prática de atividade física na posição “deitada de barriga para cima” após as 16 semanas devido ao peso do feto, que pode afetar a circulação sanguínea;
  • Mulheres grávidas devem evitar exercício físico em ambientes quentes e húmidos, estar bem hidratadas e utilizar roupa adequada para evitar golpes de calor;
  • Durante a gravidez a atividade metabólica aumenta e são consumidas cerca de 300 kcal extra por dia. Com a prática de atividade física, o aumento do consumo calórico é particularmente importante;
  • Devem ser evitadas modalidades desportivas de contacto e atividades que possam causar perda de equilíbrio ou trauma à mãe e ao feto. Como por exemplo, futebol, basquetebol, hóquei, equitação e ténis;
  • Após o parto, a atividade física pode, e deve, ser recomeçada. Geralmente 4 a 6 semanas para quem passou por parto normal e 8 a 10 semanas para partos com cesariana (sempre com autorização médica).

Está também provado que a prática de atividade física durante a gravidez reduz a duração do parto e diminui o tempo de recuperação no período pós-parto.

A saúde física e mental das nossas crianças é fortemente influenciada pelo estado emocional e bem-estar físico das mães durante a gravidez, e aliando este facto a toda esta informação que vos foi disponibilizada, incentivos não faltam.

Bons treinos. Até à próxima publicação.

Texto de Cláudio Mousinho

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Desporto

O Preço a pagar pela Inatividade Física.

O assunto de hoje surge motivado pelos incêndios que este ano tomaram proporções descontroladas, desde falecimentos, pessoas desalojadas e sem sustento a património destruído… Pessoalmente testemunhei a devastação de um local muito importante para mim, onde cresci, brinquei, treinei e onde voltava sempre que possível para sentir a natureza e cheirar o ar puro enquanto colocava em perspetiva os problemas da vida. Por mais doloroso que seja tudo isto, reconheço que podia ter sido pior, se não fosse o esforço e dedicação daqueles que são, na minha opinião, uma das classes profissionais mais desvalorizadas no nosso país, os Bombeiros, que aproveito para homenagear por tudo o que fizeram pela segurança dos Portugueses em geral e, no meu caso em particular, por não terem permitido que alguns dos meus familiares perdessem tudo no incêndio do passado mês de Outubro, já que as chamas chegaram a poucos metros das suas habitações.

Depois de tudo isto, e como é já hábito no nosso país, chega-nos a fase da atribuição de culpa. Despedem-se políticos, fala-se em criminalidade, interesses económicos, atribuição de responsabilidades às Forças Armadas, falta de meios, etc. Foi este último assunto, a falta de meios, que me despertou particular interesse pelo fato de ser possível relacioná-lo com o principal tema das minhas publicações. Passo a explicar: esta alegada falta de meios diz respeito, principalmente, a apoio financeiro que é atribuído às Associações de Bombeiros e também investido em aeronaves de combate a incêndios, por parte do Estado. E como aqui falamos de desporto e atividade física, façamos uma relação entre os custos que o estado possui com áreas como a proteção territorial (e muitas outras) e a área da saúde. Não pertendo com isto dizer que a área da saúde tem menos importância, de todo, apenas faço esta ligação e relembro que o desporto e a atividade física também representam despesas para o Estado. E nós, cidadãos comuns, temos influência direta nessas mesmas despesas, mas talvez não da forma que estarão a pensar.

É verdade que não somos nós que decidimos quanto o país vai gastar com o desporto e atividade física. Geralmente pensamos apenas em quanto vai custar a nossa própria prática desportiva, assim como a do nosso agregado familiar (quanto custa a subscrição no ginásio, na piscina, no clube desportivo, os equipamentos, as deslocações…) mas na realidade existe outro custo do qual muito poucos se apercebem, o custo da (In)atividade física. É aqui que o nosso comportamento e decisões (ou a sua falta) relativamente à pratica de atividade física tem o maior impacto em termos económicos. Porquê? Cada cidadão que opta pela procrastinação da melhoria do seu estado de saúde, aumenta consequentemente a probabilidade de desenvolver diversos problemas de saúde, desde cardiovasculares, diabetes, vários tipos de cancro, entre outros já mencionados noutras publicações do Life Quadrants, e todos eles se traduzem em gastos financeiros na área da saúde.

Não falo contudo de gastos pouco significativos, estamos a falar em milhões de euros. Analisando esta perspetiva de forma muito simples e direta, e correlacionando os fatos: se a atividade física melhora diversas vertentes da nossa saúde, a sua falta vai piorá-las; se a saúde piora, os investimentos financeiros na área da saúde aumentam; quanto mais dinheiro for necessário para esta área menos dinheiro sobrará para outras, e como já se devem ter apercebido, provavelmente mais impostos teremos que pagar para cobrir estas despesas e daqui a alguns anos em vez de gastarmos algumas dezenas de euros no nosso bem estar, essas dezenas de euros serão descontadas automaticamente dos nossos ordenados.

Mas quanto custa afinal a inatividade física?

Como valores concretos são sempre mais esclarecedores do que uma simples conversa, apresentarei alguns dados relativos a este assunto, com principal foco em doenças cardiovasculares, cancro e diabetes, que se encontram entre as dez principais causas de morte no nosso país.

A nível Europeu, uma análise da Organização Mundial de Saúde declara os valores do gráfico seguinte, expressos em biliões de euros, e representa as despesas gerais relativas a cinco doenças que podem ser prevenidas e/ou retardadas através da prática de exercício físico.Sem Título

 

 

Quanto a Portugal, comecemos pelas despesas com medicação cardiovascular que, segundo uma análise do Infarmed em 2011, traduzem-se em 649,3 milhões de euros, representando cerca de 27% da despesa total de medicamentos a esta data. Lembro que para além destas despesas os gastos com problemas cardiovasculares estão associados a cuidados médicos, internamentos, perda de produtividade, entre outros, que não são aqui quantificados. Tendo também em conta que ocorreu um aumento da incidência destas doenças e do consumo de medicamentos nos últimos anos, o valor real é bastante superior.

A Federação Internacional da Diabetes diz-nos que, a nível internacional, 415 milhões de adultos têm diabetes e prevê um aumento deste número para 642 milhões em 2040. No que diz respeito a despesas de saúde com a diabetes foram gastos pelo menos 673 biliões de dólares em 2015. Por cá existem mais de 1 milhão de diabéticos (segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia) e os custos médicos rondam os 1,7 mil milhões de euros anuais. A este valor somam-se custos indiretos como redução de produtividade, inaptidão para trabalhar, morte prematura, subsídios atribuídos pela Segurança Social, entre outros.

Falando agora apenas do nosso país, no documento “World Health Statistics” disponibilizado pela Organização Mundial de Saúde observamos que 11,9% dos gastos totais do nosso governo em 2014 (dados mais recentes) diziam respeito à saúde, já o Infarmed fala em 9% do PIB. Quando falamos em PIB, trata-se de um valor estimado (em 2014) de 173.079,1 milhões de euros. Todos estes valores estão a aumentar e na proposta do Orçamento de Estado para 2018 já se fala num aumento de várias centenas de milhões de euros face ao ano de 2017.

Voltando à inatividade física, estima-se que esta seja responsável por cerca de 15% dos casos de cancro coloretal e da mama, 8% dos casos de doença coronária e 11% dos casos de diabetes tipo 2. Tendo tudo isto em conta, os custos da inatividade física devem rondar os mil milhões, talvez mais, mas o que realmente importa é que este valor é variável consoante a nossa vontade e, optando por um estilo de vida mais saudável, é possível fazer com que todos estes milhões tenham um destino mais adequado.

Espero que esta publicação sirva como mais um reforço do impacto das nossas decisões e atos na nossa sociedade, e que se perceba que, individualmente, somos muito mais importantes do que a nossa auto-estima nos permite acreditar.

 

Texto de Cláudio Mousinho

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Nutrição

5 pontos para uma dieta de sucesso.

O que consideram ser o ponto-chave para o sucesso na perda de peso? Fazer uma dieta sem gorduras? Com muito poucas calorias? Sem hidratos de carbono? Com muita proteína? Suplementos para aumentar o metabolismo? Ou fazer exercício regularmente?

É comum ouvirmos “já fiz imensas dietas e não consigo emagrecer”, “até a água me engorda”, “devem ser as hormonas que me engordam”.

Desengane-se quem pensa que é fácil alcançar o sucesso numa dieta de perda de peso.  Se analisarmos a eficácia dos programas de perda de peso os resultados, à primeira vista, podem ser desanimadores. Por norma, consideramos que uma perda de peso significativa tem como resultado mínimo a redução de 10% do peso inicial, ou seja, se tiver 70Kg e alcançar os 63Kg é um facto de que se deve orgulhar. Acontecendo, o risco de desenvolver doenças como a diabetes tipo 2, doença cardiovascular  e alguns tipos de cancro decresce consideravelmente. Mas o objectivo não poderá ser apenas alcançar o peso pretendido a curto prazo mas sim mantê-lo. Imaginam que percentagem de pessoas consegue manter o peso que perdeu nos dois anos seguintes? Em cada 20 pessoas, apenas 5 o conseguem fazer, o que torna mais provável o sucesso a longo prazo. Isto significa uma eficácia de apenas 25% das dietas.

Mas porquê? Será que 75% das pessoas na realidade não queria perder peso, será falta de vontade? Não é justo dizer que 75% das pessoas tenha vontade de ter excesso de peso.

O nosso corpo está feito para armazenar gordura, somos animais. A capacidade de armazenar gordura é uma característica fisiológica que nos protegeu durante séculos de morrer em dois dias, mediante a escassez de alimentos. Não conseguimos controlar o facto de que, quando consumimos mais calorias do que aquelas que necessitamos para satisfazer as nossas necessidades diárias, iremos armazenar a energia em excesso na forma de gordura. Por isso, a única forma de mantermos um peso saudável é conhecermos o nosso corpo e comermos de acordo com as nossas necessidades.

Agora vamos acrescentar outro problema: quando nós fazemos uma dieta o nosso corpo diminui o metabolismo dificultando a perda de peso. Ou seja, quando tentamos perder peso o corpo reage de maneira inversa com o objectivo de manter o equilíbrio. Fá-lo alterando a produção de várias hormonas que controlam, entre outras coisas, o nosso apetite e gasto energético. O nosso corpo guarda a memória do seu peso habitual e quando fazemos alterações na alimentação, ele tende a ajustar-se para manter esse peso. Esta explicação muito simples aparenta dizer a quem tem excesso de peso para se conformar. Não, mas a realidade é que é necessário ter consciência que não é um processo fácil e que o nosso corpo não está adaptado à nossa realidade social. Ser obeso é ter uma doença metabólica em que o nosso organismo considera que deve ter um peso elevado e esforça-se para o manter. Com isto é necessário perceber que, independentemente do tipo de dieta que façamos, a sua eficácia irá depender sempre de outros factores.

Na sociedade ocidental e moderna esta tarefa tem vindo a ser dificultada pelo aumento da oferta alimentar, muito variada e de fraca qualidade nutricional. Tendencialmente, por razões fisiológicas tendemos a gostar mais de alimentos calóricos e ricos em açúcar em detrimento dos alimentos de travo azedo ou amargo. Pensa-se que isto aconteça devido a uma aprendizagem biológica que foi ocorrendo ao longo da evolução da espécie. Alimentos amargos e azedos são mais facilmente tóxicos ou pouco energéticos e como animais selvagens faria todo o sentido não os preferirmos. Ao preferirmos alimentos doces há um aumento da produção de “hormonas de bem-estar”. Daí grande parte das vezes procurarmos estes alimentos, não por necessidade fisiológica, mas para sentirmos uma sensação de prazer e bem-estar, mesmo que ocorra apenas a curto prazo.

Para perdermos peso e conseguirmos mantê-lo, é preciso diminuir o aporte energético que consumimos diariamente, menos quantidade do que aquela que necessitamos para manter. Alcançando o peso desejado é necessário ajustar a nossa alimentação de acordo com as necessidades energéticas base desse novo corpo. Será fácil perceber assim, que se queremos manter o peso após uma dieta não poderemos voltar aos hábitos antigos e que as mudanças que fizemos na nossa alimentação terão de ser perpetuadas.  Isto parece muito lógico mas na prática os estudos sobre a obesidade referem que é esta a maior dificuldade. Fazer uma dieta com a qual não nos identificamos e que estamos ansiosos por deixar, não nos imaginando no futuro a comer aqueles alimentos, aquelas horas, cozinhados daquela forma, ou que sabemos que de algum modo aquela dieta é demasiado pobre em nutrientes para ser saudável, irá significar que nos podemos facilmente perder após alcançar o objetivo. Isso faz da dieta e do plano de reeducação alimentar escolhidos um ponto muito importante.

Em suma, os pontos que considero mais importantes para o sucesso num programa de emagrecimento são:

Consciência – É necessário aceitar que o processo exige esforços e persistência. Criar um objectivo alcançável e realista, adaptado ao nosso corpo e contexto é um dos factores que considero fundamentais.

Motivação – Saber o porquê de querermos perder peso é essencial. Conseguirmo-nos projectar na concretização ou no insucesso do objectivo irá permitir estabelecer prioridades e fundamentos para a nossa acção.

Plano alimentar adaptado – Em primeira análise, planos que não têm em conta as nossas necessidades fisiológicas e nos obrigam a restrições demasiado severas, não só podem trazer danos para a saúde, como ser ineficazes. Fazer um plano alimentar de forma demasiado forçada, com alimentos que não gostamos, com horários demasiado difíceis de ajustar à nossa realidade, diminuem a nossa motivação.

Consistência – Sabemos que pessoas que já fizeram muitas dietas ao longo da vida têm muito mais dificuldade a concretizar, com sucesso, um plano de emagrecimento. Não só por questões psicológicas mas fisiológicas que levam o metabolismo a adaptar-se e dificultar o processo a cada tentativa. Fazer uma dieta tem de ser uma acção pensada e planeada. Monitorizar os resultados é importante para conseguirmos manter a consistência no processo e manter a motivação.

Exercício físico  O exercício tem imensos benefícios. Não só irá ajudar a melhorar o nosso humor e bem estar geral como fundamentalmente nesta fase irá aumentar o nosso metabolismo e fazer com que a perda de peso seja mais eficaz a médio prazo como também mais saudável.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Nutrição

O B-A-BA da Consulta de Nutrição

O nutricionista é o profissional de saúde de referência dedicado ao estudo dos alimentos e à sua interferência com a saúde. Enquanto profissional de saúde, o meu papel é utilizar o conhecimento e técnicas científicas relacionadas com qualidade, composição dos alimentos e funcionamento do corpo humano para promover a saúde, prevenir e tratar doenças e sintomas.

O papel da nutrição na qualidade de vida é conhecido e tem base cientifica forte que o suporta em várias áreas. Se a alimentação pode ser o problema para muitas pessoas e contribuir activamente para o aparecimento de doenças, pode também ser a solução para o seu tratamento ou diminuição de sintomas.

A predisposição genética para o aparecimento de determinados problemas de saúde, por exemplo a obesidade ou diabetes, efectivamente existe, mas é importante que saibamos que, apesar dos condicionantes genéticos, existem também factores ambientais que irão determinar se determinada doença irá ou não expressar-se. Quero com isto dizer que podemos prevenir o aparecimento de doenças para as quais temos maior propensão de desenvolver, controlando o nosso estilo de vida.

Acredito na medicina tradicional como essencial no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, no entanto, é verdade que a preocupação e investimento no tratamento de doenças é muito superior à sua prevenção. Se já dizia Hipócrates, o pai da medicina, há mais de 2500 anos que “somos o que comemos” a evolução da ciência mostrou-nos que grande parte da sua visão estava correta. É necessário prevenir e aí está um dos grandes pilares da nutrição.

O tipo de abordagem que faço nas minhas consultas respeita este princípio. Muitas vezes ouvi pessoas que iam a consultas com o nutricionista, dizer que este lhes ia ralhar por não terem cumprido minuciosamente o plano. Pois bem, a minha consulta não é uma ditadura mas antes uma reunião de parceria e cumplicidade em que, em conjunto, identificarmos as estratégias mais adequadas para que os alimentos sejam um aliado para o seu estado de saúde e não um problema.

O meu papel é ajudá-lo a identificar os problemas alimentares e mostrar-lhe de que forma a ciência o pode ajudar, tendo sempre em conta os condicionantes reais associados à sua vida.

A minha intervenção começa por identificar o estado nutricional e as suas causas. Para isso, é necessário conhecer não só a sua alimentação, como também o seu corpo e a sua história, através de inquéritos, medições físicas e análises clínicas. Após este passo é essencial desenvolvermos um plano de acção, com base nos objetivos. Estes objetivos têm de ser claros e discutidos em consulta. Na maioria das vezes em que as pessoas desistem de um plano alimentar, isto acontece porque têm objetivos irreais, difíceis ou impossíveis de alcançar. Faz parte do meu papel ajudá-lo a tornar os seus objetivos alcançáveis.

A fase seguinte é a definição da estratégia e implementação do plano de dietoterapia. Aqui não vai encontrar nomes para as dietas: paleo, dieta do chocolate, macrobiótica, detox, atkins, sounth beach, etc. A estratégia vai ser a mais adequada em cada caso, de acordo com as suas necessidades nutricionais, o que o vai ajudar a chegar até ao fim, cumprindo o seu objetivo.

Para que tudo resulte não vai ficar sozinho após a primeira consulta. É essencial a fase de reeducação alimentar em que aprenderá a adquirir conhecimentos e competências que irão contribuir para que a alimentação esteja de acordo com a estratégia, mas integrada no seu estilo de vida.

Nas consultas de reavaliação é monitorizada a evolução e cumprimento dos objetivos estabelecidos anteriormente. Ajustes ao plano e à estratégia podem ser necessários. Não se esqueça que nem sempre a estratégia adoptada é a mais adequada. Basta que existam alterações ao seu dia a dia para que possa ser necessário reajustar a estratégia e nessas fases estarei lá para o ajudar. À medida que vai alcançando os seus objetivos, as suas necessidades nutricionais vão-se alterando. Se estivermos a falar de um plano de emagrecimento, por exemplo, após perder algum peso este poderá ter de ser reajustado para conseguirmos continuar a alcançar os objetivos passo a passo.

Esta é a fórmula mais adequada para sermos bem-sucedidos numa jornada alimentar – não ter fórmula nenhuma. Utilizar a ciência, os alimentos, um sentimento de parceria e a motivação da forma que mais fizer sentido para cada um.

Texto de Ana Luísa Mousinho

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