Desporto e Nutrição

Devo escolher um Personal Trainer ou um Fisiologista do Exercício?

Apesar da ainda insuficiente prática de atividade física no nosso país, as evidências relativas ao papel do exercício físico na saúde pública começam a estar mais presentes na nossa consciência, o que nos últimos anos tem resultado num aumento da oferta desportiva e na popularidade de ginásios e health clubs. A procura pela perda de peso, manutenção e/ou melhoria da condição física e percentagem de massa muscular está, felizmente, a crescer. A acompanhar este crescimento da área do fitness está o já tão conhecido Personal Trainer, que oferece um serviço personalizado, focado nas necessidade e objetivos específicos de cada cliente. Os seus serviços são requisitados não só pelo aumento da eficácia dos treinos personalizados, mas também pelo fator motivacional, muito importante para as pessoas que desistem de praticar atividade física caso não tenham alguém a “puxar por elas”. Mas será que estes profissionais estão realmente preparados para atuar mediante todas as nossas características? E se for portador de uma deficiência ou algum tipo de doença? Se tem problemas respiratórios ou cardíacos?

Não quero com isto insinuar que a atividade profissional dos Personal Trainers não é ética e competente, a grande maioria destes profissionais atualmente possui formação superior (licenciaturas, mestrados, pós-graduações), adequada às suas funções, o problema está na falta de regulamentação. De acordo com a legislação atual, para exercer atividade como Personal Trainer, um indivíduo pode ter formação superior específica e aprofundada ou ter apenas realizado um curso de formação profissional que dá igual acesso à cédula profissional de Técnico de Exercício Físico. Assim, é notória a desigualdade existente ao nível da formação académica e curricular de cada técnico, o que poderá levar a desigualdades no conhecimento técnico e teórico e consequentemente na prática da sua atividade.

Explanada esta questão, coloca-se uma outra igualmente pertinente. Estarão os Personal Trainers, com formação superior totalmente preparados para lidar com todos os indivíduos que a eles recorrem? É um curso superior suficiente para dar resposta adequada a todas as questões eminentes?

A resposta é Não! Relativamente a situações como as referidas anteriormente (portadores de deficiências, problemas respiratórios e/ou cardíacos, bem como, outras patologias específicas) é estritamente necessária a continuidade e o aprofundamento da formação.

E agora, como proceder? Afinal não devo ter um Personal Trainer ou devo controlar e comprovar os seus currículos? Nada disso, estes profissionais têm um valor enorme na promoção de saúde a nível mundial e não devemos abdicar da sua ajuda, devemos sim alterar um pequeno pormenor do nosso comportamento e recorrer a uma alternativa que apresentarei de seguida.

Os leitores que recentemente se inscreveram num ginásio poderão confirmar que, para iniciar uma prática desportiva na maioria destes estabelecimentos, ou para adquirir um serviço de treino personalizado já não lhes é exigido um atestado médico, apenas lhes é pedido que assinem um termo de responsabilidade onde afirmam não ter qualquer problema de saúde que impossibilite a prática de atividade física. Desta forma poderemos estar a “poupar tempo” por não ser necessário sermos observados por um médico nem sermos sujeitos a exames, mas este simples pormenor pode ser o início de diversos problemas. O que por vezes acontece nestes casos é que o cliente tem um problema de saúde recente, não detetado em exames médicos anteriores, e o seu PT, sem saber, prescreve determinado treino com características prejudiciais, o que poderá resultar em acidente ou lesão grave durante o treino. Posto isto a minha recomendação é óbvia, mesmo que não vos seja exigido, peçam uma avaliação médica.

Este é o primeiro passo para uma iniciação segura à prática de atividade física, o segundo vai depender da avaliação médica. Caso não seja detetado qualquer problema de saúde, avancem sem medos e adiram ao Personal Training, aproveitem ao máximo os conhecimentos e disponibilidade destes profissionais.

Se por outro lado for detetada alguma limitação não deverão contactar um PT. Mas isto não significa que não possam praticar atividade física, pelo contrário.

Aproveito agora para vos apresentar uma classe profissional pouco conhecida pelo povo português mas já existente e regularizada em vários países, o Fisiologista do Exercício. Este profissional deverá ser a alternativa para todos os que pretendem melhorar a sua saúde através da atividade física. Aqui estão as principais características do Fisiologista do Exercício:

Fisiologista_Exercício_jpegFonte: Revista Factores de Risco nº44 Abr-Jun 2017

O Fisiologista do Exercício pode exercer atividade profissional em ginásios, farmácias, clínicas, câmaras municipais e juntas de freguesia, hospitais ou em vários tipos de empresas. Assim como os PT’s, pode trabalhar por conta própria ou inserido em equipas multidisciplinares.

A regulação profissional na área do exercício físico está ainda a dar os primeiros passos no nosso país, mas felizmente temos exemplos como o Canadá, que se encontra alguns anos à nossa frente no que diz respeito a esta matéria, que nos apresenta um exemplo onde o Personal Trainer e o Fisiologista do Exercício representam diferentes categorias profissionais. Neste caso,  diferentes profissões na área da saúde estão interligadas (PTs, Fisiologistas do Exercício, Médicos, Fisioterapeutas, Nutricionistas, Psicólogos, entre outros). Assim, os PTs encarregam-se da prática de atividade física da população com  baixo risco, enquanto que os Fisiologistas do Exercício trabalham esta atividade com quem possui problemas de saúde.

É nesta direção que caminhamos neste momento, mas a falta de regulamentação atual não nos permite encontrar estes profissionais com a regularidade desejada. Por essa razão vos falo aqui hoje sobre a sua existência e recomendo que os procurem e requisitem.

Todos merecem um serviço de qualidade, principalmente no que diz respeito à saúde, como tal, é essencial que procurem quem apresenta melhor capacidade de ajudar. Neste caso, se existir um problema de saúde e pretenderem contrariá-lo através de atividade física, enquanto o nosso governo não regulamentar esta área, procurem um licenciado em Desporto com formação complementar em Fisiologia do Exercício para ser o vosso Personal Trainer.

 

Texto de Cláudio Mousinho

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Desporto e Nutrição

O B-A-BA da Consulta de Nutrição

O nutricionista é o profissional de saúde de referência dedicado ao estudo dos alimentos e à sua interferência com a saúde. Enquanto profissional de saúde, o meu papel é utilizar o conhecimento e técnicas científicas relacionadas com qualidade, composição dos alimentos e funcionamento do corpo humano para promover a saúde, prevenir e tratar doenças e sintomas.

O papel da nutrição na qualidade de vida é conhecido e tem base cientifica forte que o suporta em várias áreas. Se a alimentação pode ser o problema para muitas pessoas e contribuir activamente para o aparecimento de doenças, pode também ser a solução para o seu tratamento ou diminuição de sintomas.

A predisposição genética para o aparecimento de determinados problemas de saúde, por exemplo a obesidade ou diabetes, efectivamente existe, mas é importante que saibamos que, apesar dos condicionantes genéticos, existem também factores ambientais que irão determinar se determinada doença irá ou não expressar-se. Quero com isto dizer que podemos prevenir o aparecimento de doenças para as quais temos maior propensão de desenvolver, controlando o nosso estilo de vida.

Acredito na medicina tradicional como essencial no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, no entanto, é verdade que a preocupação e investimento no tratamento de doenças é muito superior à sua prevenção. Se já dizia Hipócrates, o pai da medicina, há mais de 2500 anos que “somos o que comemos” a evolução da ciência mostrou-nos que grande parte da sua visão estava correta. É necessário prevenir e aí está um dos grandes pilares da nutrição.

O tipo de abordagem que faço nas minhas consultas respeita este princípio. Muitas vezes ouvi pessoas que iam a consultas com o nutricionista, dizer que este lhes ia ralhar por não terem cumprido minuciosamente o plano. Pois bem, a minha consulta não é uma ditadura mas antes uma reunião de parceria e cumplicidade em que, em conjunto, identificarmos as estratégias mais adequadas para que os alimentos sejam um aliado para o seu estado de saúde e não um problema.

O meu papel é ajudá-lo a identificar os problemas alimentares e mostrar-lhe de que forma a ciência o pode ajudar, tendo sempre em conta os condicionantes reais associados à sua vida.

A minha intervenção começa por identificar o estado nutricional e as suas causas. Para isso, é necessário conhecer não só a sua alimentação, como também o seu corpo e a sua história, através de inquéritos, medições físicas e análises clínicas. Após este passo é essencial desenvolvermos um plano de acção, com base nos objetivos. Estes objetivos têm de ser claros e discutidos em consulta. Na maioria das vezes em que as pessoas desistem de um plano alimentar, isto acontece porque têm objetivos irreais, difíceis ou impossíveis de alcançar. Faz parte do meu papel ajudá-lo a tornar os seus objetivos alcançáveis.

A fase seguinte é a definição da estratégia e implementação do plano de dietoterapia. Aqui não vai encontrar nomes para as dietas: paleo, dieta do chocolate, macrobiótica, detox, atkins, sounth beach, etc. A estratégia vai ser a mais adequada em cada caso, de acordo com as suas necessidades nutricionais, o que o vai ajudar a chegar até ao fim, cumprindo o seu objetivo.

Para que tudo resulte não vai ficar sozinho após a primeira consulta. É essencial a fase de reeducação alimentar em que aprenderá a adquirir conhecimentos e competências que irão contribuir para que a alimentação esteja de acordo com a estratégia, mas integrada no seu estilo de vida.

Nas consultas de reavaliação é monitorizada a evolução e cumprimento dos objetivos estabelecidos anteriormente. Ajustes ao plano e à estratégia podem ser necessários. Não se esqueça que nem sempre a estratégia adoptada é a mais adequada. Basta que existam alterações ao seu dia a dia para que possa ser necessário reajustar a estratégia e nessas fases estarei lá para o ajudar. À medida que vai alcançando os seus objetivos, as suas necessidades nutricionais vão-se alterando. Se estivermos a falar de um plano de emagrecimento, por exemplo, após perder algum peso este poderá ter de ser reajustado para conseguirmos continuar a alcançar os objetivos passo a passo.

Esta é a fórmula mais adequada para sermos bem-sucedidos numa jornada alimentar – não ter fórmula nenhuma. Utilizar a ciência, os alimentos, um sentimento de parceria e a motivação da forma que mais fizer sentido para cada um.

Texto de Ana Luísa Mousinho

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nutricionista.anamousinho@gmail.com

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