Desporto e Nutrição

O que é a nutrição funcional?

Tratar o problema e não apenas os sintomas é a base da medicina funcional. A medicina tradicional tem um papel importantíssimo na melhoria da saúde da população. Graças à sua evolução conseguimos diminuir a mortalidade infantil de forma louvável, aumentar a esperança média de vida, erradicar doenças fatais e diminuir o sofrimento de pessoas com diagnósticos muito variados. Não vejo como descurar ou minimizar a sua importância.

No entanto, assistimos todos os dias à prática da medicina apenas focada no controlo dos sintomas. Às vezes a única solução é essa mas será sempre? Certamente que não. Quando temos uma dor de cabeça o que fazemos? Tomamos um analgésico. Quando estamos obstipados? Tomamos um lachante. Quando temos anemia? Às vezes prescrevem-nos ferro. Quando nos sentimos cansados todos os dias o que fazemos? A maior parte das vezes nada, limitamo- nos às queixas do dia a dia. Mas qual é a origem destes problemas todos? Dá para os tratar e controlar efetivamente?

O conhecimento científico é vasto e todos os dias o desperdiçamos.
Muitas vezes limitamo-nos a pintar os buracos da parede com esperança de resolver o problema enquanto podíamos tapar os buracos (filosófico). Acredito que é importante utilizarmos as ferramentas clínicas e científicas para melhorar a saúde da população ao máximo. Infelizmente nem todos estamos focados neste objetivo. Os recursos disponíveis muitas vezes são escassos e limitam os profissionais de saúde a realizar todos os exames que poderiam fazer e a gastar o tempo necessário com cada doente.

A nutrição funcional não se limita a prescrever dietas, a emagrecer pessoas e a suplementar ou recomendar alimentos funcionais “XPTO”. É uma área da nutrição clínica, não é uma novidade. O nome utiliza-se para distinguir e diferenciar de outras práticas mais generalistas da nutrição. Como fundamentos base a nutrição funcional avalia a individualidade bioquímica, foca o tratamento nas reais condições e necessidades do utente, trabalha com o objetivo de oferecer uma alimentação equilibrada . Tem em atenção a biodisponibilidade dos nutrientes e as suas interações bioquímicas. Os desequilíbrios nutricionais, hormonais, stress oxidativo, alterações imunitarias, saúde intestinal e relação com a saúde mental são estudados e valorizados.

Acho importante reforçar que existe uma pirâmide que prioniza questões alimentares. É muito comum assistir a tentativas de ingressar num estilo de vida e alimentação saudáveis pelos promenores e questões complexas e não pela base. Diria que 80 a 90% do impacto da alimentação está nas alterações do primeiro patamar, as mais simples. Comer saudável não é só para elites é o base está em alterações acessíveis.

A nutrição funcional não é baseada no consumo de alimentos “estranhos” e em “unicórnios”. Deve ser uma prática baseada na evidência que busque melhorar a saúde das pessoas de forma personalizada, utilizando as ferramentas técnicas e científicas adequadas.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto e Nutrição

Escolho biológico ou convencional?

Num ápice passámos de caçadores recolectores a meros receptores de alimentos. Poucos de nós têm acesso direito à fonte que produz os nossos alimentos. Desde a sua produção até chegarem ao nosso prato muito acontece e preocuparmos-nos com a sua origem é também olhar para a nossa saúde e a do espaço onde vivemos.

A agricultura biológica reclama nestes dias um papel importante. Ainda estigmatizada por a associarmos a um “luxo” da população mais endinheirada, felizmente os preços começam a ser mais competitivos e a permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso.

Recapitulando, ou para os mais desatentos, a agricultura biológica é um sistema de gestão agrícola e produção de alimentos. Na prática, a agricultura biológica não produz organismos geneticamente modificados e limita a utilização de pesticidas e fertilizantes sintéticos que considera desnecessários ou potencialmente danoso para o consumidor.

No entanto, importa dizer que a agricultura convencional não é isenta de regras e nem todas as vezes é pior escolha. Embora exista actualmente alguma discussão relativamente à utilização de alguns pesticidas, a União Europeia é responsável por aprovar e regulamentar a sua utilização. Como critério principal está sempre a segurança do consumidor. Apesar disso, quando não existem alternativas aos pesticidas e fertilizantes convencionais que garantam a manutenção da produtividade das culturas e quando não está evidente um risco elevado para a saúde (embora possam existir indicadores de que um determinado produto é prejudicial) a UE mantém a licença para estes serem utilizados. Aproximadamente 1.5% dos produtos convencionais comercializados na Europa em 2016 tinham níveis de pesticidas em valores superiores ao legalmente estabelecido. Portugal é dos países europeus onde este problema é mais evidente e por isso regras recentes obrigam a que os agricultores tenham formação para utilizar pesticidas. Este problema também existe na agricultura biológica embora em menor escala.

Embora a agricultura biológica idealmente deva ser mais ecológica, temos de saber que nem sempre o é em todas as vertentes, especialmente no que diz respeito à utilização racional da água e à contaminação dos solos e efluentes com matéria orgânica (tipicamente pelo uso de estrume). Mais importante do que o selo de produto biológico é a utilização de práticas agrícolas sustentáveis e equilibradas. Também por isto, é importante não generalizar e não sermos fundamentalistas quanto ás nossas escolhas.

Quanto à alimentação, quando falamos em benefícios para a saúde criados pelo consumo de produtos de origem biológica, não estamos obrigatoriamente a dizer que estes produtos são mais ricos nutricionalmente em vitaminas ou minerais. Não existe evidência cientifica sólida que comprove que estes alimentos são mais nutritivos, quando chegam ao consumidor. No entanto, quando nos chegam rapidamente após colhidos a concentração de nutrientes é superior em alguns alimentos. A preocupação com os resíduos de pesticidas deve-se ao facto de alguns, não todos, poderem contribuir para desequilíbrios no funcionamento do nosso corpo, contribuindo para o aparecimento de doenças muito distintas desde alguns tipos de cancro a desregulações hormonais.

Outro aspecto importante a saber é que não se pode comer produtos biológicos sem lavar nunca! Especialmente produtos da terra. Não podemos esquecer que se a agricultura convencional utiliza os pesticidas e antibióticos é para matar os “bichos”, se não os utilizamos a probabilidade de contaminação destes produtos é muito superior e facilmente podemos ficar doentes. Por isso nunca devemos dizer, especialmente a crianças, idosos e doentes de risco “é biológico, podes comer à vontade. Nem precisas de lavar!”.

Embora os alimentos biológicos sejam geralmente uma boa opção, quando não for possível consumi-los lembre-se que os benefícios do consumo de frutas e legumes  oferecem benefícios claros à saúde sendo ou não de origem biológica! Preferir alimentos da época e locais é a melhor forma de garantir que as propriedades nutricionais dos frutos e dos legumes é a melhor.

Quais são os principais 10 alimentos que recomendo que escolham biológicos sempre que possível, por serem mais susceptíveis a terem níveis de contaminação química elevados? Diria especialmente os frutos (não esquecer que as cascas têm um valor nutritivo muito elevado e não devem ser desperdiçadas).  Segue uma lista dos alimentos que deve preferir biológicos sempre que possível, especialmente se fazem parte da lista de compras regularmente.

– Frutos vermelhos (morangos, groselhas, amoras e framboesas)

– Maçãs

– Tangerina

– Laranja

– Pêras

– Romã

– Maracujá

– Chás e infusões

– Ervas aromáticas (salsa e mangericão)

– Nabo

– Alface

– Aipo

– Rúcula

– Alho francês

– Repolho

– Tomates

– Aveia

Despeço-me sublinhando que consumir frutos e vegetais é essencial para a nossa saúde. Deixar de os consumir com o argumento que não tem acesso a produtos biológicos é dizer que prefere produtos altamente processados que, para além de poderem ter uma concentração residual de fertilizantes e pesticidas, têm uma inúmera lista de outros químicos que apenas os frutos e vegetais poderiam minimizar o malefício.

Boa semana!

Texto de Ana Luísa Mousinho

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nutricionista.anamousinho@gmail.com

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Desporto e Nutrição

Sabores

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1 Chávena e 1/2 de aveia
4 maçãs reinetas
1 banana
Mel
Framboesas
1 mão cheia de nozes
1 mão cheia de arando
1 canela
Preparação:
Cortar em pedaços 2 maçãs e levar ao microondas com um pouco de água por dois minutos. Juntas ás maçãs uma banana  e triturar com varinha mágica. Juntar a aveia , o mel  e as nozes picadas grosseiramente. Juntar as restantes maçãs , colocar tudo numa forma. Decorar com as framboesas e arandos.  25 minutos no forno a 180 graus.
Receita da nossa parceira:
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Desporto e Nutrição

A verdade das mentiras sobre a alimentação saudável.

A alimentação saudável está na moda. O assunto invade as redes sociais, os media e as conversas de café. A popularidade do tema leva a que sejam muitos os interessados em falar sobre isso e nem sempre são as pessoas mais informadas e conhecedoras das áreas da nutrição.

Nas redes sociais são muitíssimas as páginas que se dedicam à alimentação saudável. Algumas são uma óptima fonte de informação, outras dão uma visão vanguardista, muito apelativa, mas com pouca, ou nenhuma, evidência científica por trás das recomendações. Outras são as páginas que dizem o que os outros querem ouvir e lhes oferecem as soluções milagrosas, que tantas vezes pedem aos nutricionistas nas consultas.

Justificado pelo seu papel informativo essencial, a comunicação social tem cada vez mais publicitado resultados de artigos científicos ou fundamentado opiniões com base neles. Bem ou mal, estas publicações vêm contribuir com excesso de informação, muita dela contraditória e confusa. Grande parte da população, mesmo aquela com um elevado nível de literacia, tem muitas vezes dificuldade em filtrar a informação e concluir sobre o que a ciência acha que devemos ou não comer.

Em primeira análise é importante reforçar que a ciência não é feita de um estudo, seja em que área for. As recomendações clínicas são elaboradas com base em múltiplos estudos que resultam de investigações ao longo dos anos, de debates entre cientistas e de reunião de informação. Para considerarmos que uma alegação tem uma base cientifica sólida, e que devemos mudar os nossos hábitos ou a percepção de um alimento ou estilo alimentar, faz todo o sentido confirmar esta informação em fontes credíveis primeiramente. A pior das situações seria sabermos que mudámos um hábito alimentar, que tínhamos mantido durante muitos anos, era prazeroso e muito nos custou a alterar e depois alguém vir dizer que afinal a alteração, só não tem qualquer base científica, como até pode ser prejudicial à nossa saúde face aos nossos hábitos anteriores.

Depois surge-nos outra questão importante. Qual é a fiabilidade dos estudos a que a maioria de nós têm acesso? Muitos dos estudos que surgem em títulos de artigos da comunicação social ou nas redes sociais foram publicados em revistas de acesso livre. É sabido que estas revistas, para poderem sobreviver, aceitam os estudos mediante pagamento por parte do seu autor ou financiadores. Embora possamos ter acesso a muitos estudos de qualidade por esta via, a realidade é que o controlo de qualidade feito pela maioria das revistas é limitado, ou mesmo inexistente em algumas. Um caso famoso é o de um autor da faculdade de Harvard que publicitou nestas revistas um estudo fabricado, com analises e conclusões falsas. Pouco tempo depois vimos as redes sociais invadidas com estas informações, discussões de café acesas com a maioria a apoiar acerrimamente as conclusões do estudo. Infelizmente as melhores fontes de informação não estão ao alcance da população em geral, apenas os meios académicos e os interessados em subscrever revistas cientificas pagas têm a sorte de aceder a esta informação.

As ciências da nutrição tiveram o seu BUM de investigação há relativamente pouco tempo. O desenvolvimento da medicina deu as bases do conhecimento biológico necessário para as investigações mais recentes mas não está concluído. A nutrição é uma ciência complexa e por isso teremos sempre nutricionistas a discordar, mas isso também acontece noutras áreas da medicina. Para perceber a complexidade da nutrição segue uma simples explicação das etapas da evolução do conhecimento nesta área. Para percebermos de nutrição tivemos primeiro de perceber a fisiologia do ser humano, saber como o nosso organismo funciona. Depois temos de conhecer os alimentos. Apenas um alimento tem imensos componentes diferentes, desde água, vários tipos de açúcares, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e ainda uma série de outros componentes químicos. Mesmo dentro da mesma espécie de alimento (fruto ou vegetal por exemplo) existem variações de composição. Os nutrientes variam conforme a maturidade da planta, o clima e o solo em que foi plantado.  Depois de conhecermos os alimentos e os tratarmos por tu, ainda temos de perceber o que é que o nosso corpo lhes faz, o que é absorvido e de que forma é que o nosso corpo interage com todas estas substâncias (a biodisponibilidade e bioacessibilidade analisam que nutrientes ficam disponíveis do alimento e quais são digeridos, absorvidos e disponíveis no nosso corpo para serem utilizados).

Pensando que numa refeição não consumimos apenas um alimento mas sim vários, percebemos que há muitas combinações de nutrientes que podemos fazer. Se soubermos que alguns nutrientes competem pela sua absorção e uns são mais “fortes” que outros, complicamos ainda mais a conversa. Um alimento pode ter uma óptima quantidade de um dado nutriente importante mas quando consumido com outro os benefícios são claramente diminuídos. Um exemplo clássico é um doente com anemia, que necessita consumir fontes ricas em ferro. Se consumir na mesma refeição uma fonte rica em cálcio, como um iogurte à sobremesa, e anteriormente tiver comido um bife com o objectivo de obter ferro vai comprometer a sua absorção. O cálcio compete com o ferro e “ganha-lhe”. Se quisermos que mais quantidade de ferro da refeição seja absorvido podemos juntar uma fonte rica de vitamina C como um kiwi ou citrino à sobremesa. Outro exemplo clássico é referente a proteínas de elevado valor biológico. O arroz e o feijão são fontes vegetais proteicas de baixo valor biológico, ao contrário das fontes animais como a carne. Mas se juntarmos o feijão e o arroz temos uma refeição de alto valor biológico, porque os aminoácidos que o feijão não tem, tem o arroz (abençoados brasileiros).

Esta conversa toda para que percebam que a nutrição e as ciências dos alimentos são áreas muito complexas e é necessário que a informação que retemos tenha plausibilidade biológica e seja revista por quem estuda a área. A consulta de nutrição não serve apenas para perder peso, muito longe disso. Se assim fosse nunca teria ponderado em estudar esta área. Consulte um nutricionista para validar informações que chegaram até si e que suscitam dúvidas quanto à forma como deve gerir a sua alimentação e da sua família. Quer o objectivo seja a promoção da saúde, prevenção de doenças, o seu tratamento ou minimização de sintomas em casos de doença.

E agora podem-me dizer: “Então mas eu já ouvi vários nutricionistas, uns dizem uma coisa e outros dizem outra!” Certamente já ponderaram ou conhecem alguém que pediu uma segunda opinião para o diagnóstico ou tratamento de uma doença. A medicina não deve ser encarada como uma ciência exacta. Existem bases de conhecimento que são comuns e outras que, felizmente, não são. Existem nutricionistas acomodados com a informação que obtiveram anteriormente, outros estudiosos mas cautelosos quanto ás recomendações em áreas que ainda estão claramente em investigação e os vanguardistas que vão atrás de toda a informação nova.

Então o que podem começar a fazer já pela vossa alimentação em que os nutricionistas, à partida, todos concordam? Seguem 7 bases fundamentais da alimentação saudável em que pode confiar:

– Limitar o consumo de produtos ricos em açúcar e analisar os rótulos de produtos processados a fim de escolher os menos ricos neste nutriente (produtos de pastelaria e confeitaria, doces, gelados, guloseimas);

– Reduzir o aporte de sal, limitando a adição na confecção e analisando os rótulos de produtos processados;

– Consumir frutos diariamente de forma moderada;

– Consumir vegetais diariamente, a todas as refeições principais;

– Limitar o consumo de produtos ricos em gordura, evitar consumir gordura visível das carnes;

– Variar entre as fontes de proteína e consumir peixe, no mínimo, todas as semanas;

– Preferir a água como bebida de eleição e beber ao longo do dia.

Seja feliz, coma bem e trate de si!

PS: E por favor, caso o nutricionista não concorde com algo que disse não lhe diga com ar ameaçador: “Não não! O “ar” emagrece sim! Eu li numa revista e no facebook e já ouvi dizer!!”

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto e Nutrição

5 pontos para uma dieta de sucesso.

O que consideram ser o ponto-chave para o sucesso na perda de peso? Fazer uma dieta sem gorduras? Com muito poucas calorias? Sem hidratos de carbono? Com muita proteína? Suplementos para aumentar o metabolismo? Ou fazer exercício regularmente?

É comum ouvirmos “já fiz imensas dietas e não consigo emagrecer”, “até a água me engorda”, “devem ser as hormonas que me engordam”.

Desengane-se quem pensa que é fácil alcançar o sucesso numa dieta de perda de peso.  Se analisarmos a eficácia dos programas de perda de peso os resultados, à primeira vista, podem ser desanimadores. Por norma, consideramos que uma perda de peso significativa tem como resultado mínimo a redução de 10% do peso inicial, ou seja, se tiver 70Kg e alcançar os 63Kg é um facto de que se deve orgulhar. Acontecendo, o risco de desenvolver doenças como a diabetes tipo 2, doença cardiovascular  e alguns tipos de cancro decresce consideravelmente. Mas o objectivo não poderá ser apenas alcançar o peso pretendido a curto prazo mas sim mantê-lo. Imaginam que percentagem de pessoas consegue manter o peso que perdeu nos dois anos seguintes? Em cada 20 pessoas, apenas 5 o conseguem fazer, o que torna mais provável o sucesso a longo prazo. Isto significa uma eficácia de apenas 25% das dietas.

Mas porquê? Será que 75% das pessoas na realidade não queria perder peso, será falta de vontade? Não é justo dizer que 75% das pessoas tenha vontade de ter excesso de peso.

O nosso corpo está feito para armazenar gordura, somos animais. A capacidade de armazenar gordura é uma característica fisiológica que nos protegeu durante séculos de morrer em dois dias, mediante a escassez de alimentos. Não conseguimos controlar o facto de que, quando consumimos mais calorias do que aquelas que necessitamos para satisfazer as nossas necessidades diárias, iremos armazenar a energia em excesso na forma de gordura. Por isso, a única forma de mantermos um peso saudável é conhecermos o nosso corpo e comermos de acordo com as nossas necessidades.

Agora vamos acrescentar outro problema: quando nós fazemos uma dieta o nosso corpo diminui o metabolismo dificultando a perda de peso. Ou seja, quando tentamos perder peso o corpo reage de maneira inversa com o objectivo de manter o equilíbrio. Fá-lo alterando a produção de várias hormonas que controlam, entre outras coisas, o nosso apetite e gasto energético. O nosso corpo guarda a memória do seu peso habitual e quando fazemos alterações na alimentação, ele tende a ajustar-se para manter esse peso. Esta explicação muito simples aparenta dizer a quem tem excesso de peso para se conformar. Não, mas a realidade é que é necessário ter consciência que não é um processo fácil e que o nosso corpo não está adaptado à nossa realidade social. Ser obeso é ter uma doença metabólica em que o nosso organismo considera que deve ter um peso elevado e esforça-se para o manter. Com isto é necessário perceber que, independentemente do tipo de dieta que façamos, a sua eficácia irá depender sempre de outros factores.

Na sociedade ocidental e moderna esta tarefa tem vindo a ser dificultada pelo aumento da oferta alimentar, muito variada e de fraca qualidade nutricional. Tendencialmente, por razões fisiológicas tendemos a gostar mais de alimentos calóricos e ricos em açúcar em detrimento dos alimentos de travo azedo ou amargo. Pensa-se que isto aconteça devido a uma aprendizagem biológica que foi ocorrendo ao longo da evolução da espécie. Alimentos amargos e azedos são mais facilmente tóxicos ou pouco energéticos e como animais selvagens faria todo o sentido não os preferirmos. Ao preferirmos alimentos doces há um aumento da produção de “hormonas de bem-estar”. Daí grande parte das vezes procurarmos estes alimentos, não por necessidade fisiológica, mas para sentirmos uma sensação de prazer e bem-estar, mesmo que ocorra apenas a curto prazo.

Para perdermos peso e conseguirmos mantê-lo, é preciso diminuir o aporte energético que consumimos diariamente, menos quantidade do que aquela que necessitamos para manter. Alcançando o peso desejado é necessário ajustar a nossa alimentação de acordo com as necessidades energéticas base desse novo corpo. Será fácil perceber assim, que se queremos manter o peso após uma dieta não poderemos voltar aos hábitos antigos e que as mudanças que fizemos na nossa alimentação terão de ser perpetuadas.  Isto parece muito lógico mas na prática os estudos sobre a obesidade referem que é esta a maior dificuldade. Fazer uma dieta com a qual não nos identificamos e que estamos ansiosos por deixar, não nos imaginando no futuro a comer aqueles alimentos, aquelas horas, cozinhados daquela forma, ou que sabemos que de algum modo aquela dieta é demasiado pobre em nutrientes para ser saudável, irá significar que nos podemos facilmente perder após alcançar o objetivo. Isso faz da dieta e do plano de reeducação alimentar escolhidos um ponto muito importante.

Em suma, os pontos que considero mais importantes para o sucesso num programa de emagrecimento são:

Consciência – É necessário aceitar que o processo exige esforços e persistência. Criar um objectivo alcançável e realista, adaptado ao nosso corpo e contexto é um dos factores que considero fundamentais.

Motivação – Saber o porquê de querermos perder peso é essencial. Conseguirmo-nos projectar na concretização ou no insucesso do objectivo irá permitir estabelecer prioridades e fundamentos para a nossa acção.

Plano alimentar adaptado – Em primeira análise, planos que não têm em conta as nossas necessidades fisiológicas e nos obrigam a restrições demasiado severas, não só podem trazer danos para a saúde, como ser ineficazes. Fazer um plano alimentar de forma demasiado forçada, com alimentos que não gostamos, com horários demasiado difíceis de ajustar à nossa realidade, diminuem a nossa motivação.

Consistência – Sabemos que pessoas que já fizeram muitas dietas ao longo da vida têm muito mais dificuldade a concretizar, com sucesso, um plano de emagrecimento. Não só por questões psicológicas mas fisiológicas que levam o metabolismo a adaptar-se e dificultar o processo a cada tentativa. Fazer uma dieta tem de ser uma acção pensada e planeada. Monitorizar os resultados é importante para conseguirmos manter a consistência no processo e manter a motivação.

Exercício físico  O exercício tem imensos benefícios. Não só irá ajudar a melhorar o nosso humor e bem estar geral como fundamentalmente nesta fase irá aumentar o nosso metabolismo e fazer com que a perda de peso seja mais eficaz a médio prazo como também mais saudável.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto e Nutrição

O B-A-BA da Consulta de Nutrição

O nutricionista é o profissional de saúde de referência dedicado ao estudo dos alimentos e à sua interferência com a saúde. Enquanto profissional de saúde, o meu papel é utilizar o conhecimento e técnicas científicas relacionadas com qualidade, composição dos alimentos e funcionamento do corpo humano para promover a saúde, prevenir e tratar doenças e sintomas.

O papel da nutrição na qualidade de vida é conhecido e tem base cientifica forte que o suporta em várias áreas. Se a alimentação pode ser o problema para muitas pessoas e contribuir activamente para o aparecimento de doenças, pode também ser a solução para o seu tratamento ou diminuição de sintomas.

A predisposição genética para o aparecimento de determinados problemas de saúde, por exemplo a obesidade ou diabetes, efectivamente existe, mas é importante que saibamos que, apesar dos condicionantes genéticos, existem também factores ambientais que irão determinar se determinada doença irá ou não expressar-se. Quero com isto dizer que podemos prevenir o aparecimento de doenças para as quais temos maior propensão de desenvolver, controlando o nosso estilo de vida.

Acredito na medicina tradicional como essencial no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças, no entanto, é verdade que a preocupação e investimento no tratamento de doenças é muito superior à sua prevenção. Se já dizia Hipócrates, o pai da medicina, há mais de 2500 anos que “somos o que comemos” a evolução da ciência mostrou-nos que grande parte da sua visão estava correta. É necessário prevenir e aí está um dos grandes pilares da nutrição.

O tipo de abordagem que faço nas minhas consultas respeita este princípio. Muitas vezes ouvi pessoas que iam a consultas com o nutricionista, dizer que este lhes ia ralhar por não terem cumprido minuciosamente o plano. Pois bem, a minha consulta não é uma ditadura mas antes uma reunião de parceria e cumplicidade em que, em conjunto, identificarmos as estratégias mais adequadas para que os alimentos sejam um aliado para o seu estado de saúde e não um problema.

O meu papel é ajudá-lo a identificar os problemas alimentares e mostrar-lhe de que forma a ciência o pode ajudar, tendo sempre em conta os condicionantes reais associados à sua vida.

A minha intervenção começa por identificar o estado nutricional e as suas causas. Para isso, é necessário conhecer não só a sua alimentação, como também o seu corpo e a sua história, através de inquéritos, medições físicas e análises clínicas. Após este passo é essencial desenvolvermos um plano de acção, com base nos objetivos. Estes objetivos têm de ser claros e discutidos em consulta. Na maioria das vezes em que as pessoas desistem de um plano alimentar, isto acontece porque têm objetivos irreais, difíceis ou impossíveis de alcançar. Faz parte do meu papel ajudá-lo a tornar os seus objetivos alcançáveis.

A fase seguinte é a definição da estratégia e implementação do plano de dietoterapia. Aqui não vai encontrar nomes para as dietas: paleo, dieta do chocolate, macrobiótica, detox, atkins, sounth beach, etc. A estratégia vai ser a mais adequada em cada caso, de acordo com as suas necessidades nutricionais, o que o vai ajudar a chegar até ao fim, cumprindo o seu objetivo.

Para que tudo resulte não vai ficar sozinho após a primeira consulta. É essencial a fase de reeducação alimentar em que aprenderá a adquirir conhecimentos e competências que irão contribuir para que a alimentação esteja de acordo com a estratégia, mas integrada no seu estilo de vida.

Nas consultas de reavaliação é monitorizada a evolução e cumprimento dos objetivos estabelecidos anteriormente. Ajustes ao plano e à estratégia podem ser necessários. Não se esqueça que nem sempre a estratégia adoptada é a mais adequada. Basta que existam alterações ao seu dia a dia para que possa ser necessário reajustar a estratégia e nessas fases estarei lá para o ajudar. À medida que vai alcançando os seus objetivos, as suas necessidades nutricionais vão-se alterando. Se estivermos a falar de um plano de emagrecimento, por exemplo, após perder algum peso este poderá ter de ser reajustado para conseguirmos continuar a alcançar os objetivos passo a passo.

Esta é a fórmula mais adequada para sermos bem-sucedidos numa jornada alimentar – não ter fórmula nenhuma. Utilizar a ciência, os alimentos, um sentimento de parceria e a motivação da forma que mais fizer sentido para cada um.

Texto de Ana Luísa Mousinho

A_L27

 

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