Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? Auto cuidado.

Olá de novo caro leitor, espero que se encontre bem. Até agora tenho escrito sobre a utilidade da psicologia ao serviço do ser humano, na tentativa de desmistificar ou clarificar algumas concepções que possam ser ter vindo a ser criadas por outras fontes fora da psicologia. Começarei a rúbrica de hoje com uma pequena analogia: Todos os anos, por volta do inicio da época do inverno começam a surgir as recomendações de vacinação contra a gripe – com especial foco nos grupos vulneráveis. A prevenção é uma estratégia muito eficaz de redução dos problemas de saúde, poupança de recursos e com a qual todos saímos a ganhar. Contudo, a vacinação não é uma realidade aplicável ao campo da saúde mental…ou será que sim? Existirão formas de nos protegermos a nós e à nossa saúde mental? E se, caro leitor, lhe dissesse que elas existem e estão à disposição de qualquer pessoa? Se continua interessado, avancemos então, vou mostrar-lhe um pouco do que estou a falar.

A ciência psicológica tem vindo a dar algumas respostas neste sentido, vejamos: No campo de estudo da saúde mental, os psicólogos têm ao longo das décadas identificado aspectos que, quando presentes, podem aumentar ou reduzir a probabilidade que os seres humanos possuem de desenvolver problemas relacionados com a sua saúde psicológica. Por motivos de espaço, não falarei muito sobre este assunto, mas o importante a reter é que denominamos os factores que reduzem esse risco de “Factores Protectores”. Alguns factores protectores são inerentes aos seres humanos e por essa razão muito complicados de influenciar (pensemos por exemplo nos determinantes biológicos). Contudo, existem outros que podem ser adquiridos ou desenvolvidos (darei aqui como exemplo a prática de exercício físico, que hoje em dia se sabe ser um factor protector da saúde mental (Korge & Nunan, 2018) ).

Portanto, existem certos aspectos que podemos desenvolver para melhor cuidar da nossa saúde psicológica. Estes aspectos, na forma de hábitos, comportamentos ou atitudes podem ser designados de “auto cuidado”. Irei agora falar um pouco melhor sobre alguns aspectos associados a este termo:

Mas como assim “Auto cuidado”?

Eventualmente, alguns dos nossos leitores podem já ter dado por si a ponderar hipóteses de auto cuidado como “Vou começar a praticar desporto” ou “Vou começar a descansar mais”  para no entanto as realizar apenas pontualmente. No entanto, ao invés de pontual, o auto cuidado deve tornar-se parte integrante do nosso dia a dia para que nos seja realmente proveitoso (Pulianda, 2017). É também importante relembrar que quando falamos neste assunto, quantidade e qualidade são conceitos bem diferentes. Muito facilmente poderemos cair na ideia de que para cuidar bem de nós temos de nos envolver em acções, actividades, desenvolver projectos e, em suma, continuar a trabalhar. Contudo, para alguns de nós, o melhor auto cuidado poderá consistir em aprender a desligar: Tirar férias, descansar, conciliar melhor o trabalho com o lazer e no fundo, permitir-se disfrutar a vida. O importante, por isso, é não empreender um plano ambiciosíssimo de desenvolvimento e melhoria pessoal, mas sim perceber o que nos ajuda a viver melhor e a atenteder às nossas necessidades. (Pulianda, 2017).

Epílogo.

Esta rúbrica dá inicio a uma nova série no blog sobre auto cuidado. Nos próximos meses irei escrevendo sobre algumas das suas várias formas. Ao leitor lanço o repto de acompanhar os próximos lançamentos e se lhe aprouver, experimentar algumas das formas que aqui apresentarei. É certo que nenhuma forma de auto cuidado será uma cura para todos os males, nem tão pouco irá substituir a ajuda profissional quando necessário. Contudo, cuidar de nós é um investimento que trará inúmeros ganhos a quem estiver disposto a fazê-lo, ajudando-nos a manter a nossa saúde física e mental mesmo na presença de sobrecargas/dificuldades  – ou como os psicólogos adoram chamar-lhe: ser mais resilientes (Sapienza & Masten citado por Chmitorz et al., 2018)

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não me esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo,

e posso evitar que ela vá à falência.”

Fernando Pessoa.

 

Referências Bibliográficas:

Chmitorz, A., Kunzler, A., Helmreich, I., Tüscher, O., Kalishc, R., Kubiak, T., … Lieb, K. (2018). Intervention studies to foster resilience –A systematic review and proposal for a resilience framework in future intervention studies. Clinical Psychology Review, 59, 78–100. Doi: https://doi.org/10.1016/j.cpr.2017.11.002

Korge, J. & Nunan, D. (2018). Higher participation in physical activity is associated with less use of inpatient mental health services: A cross-sectional study. Psychiatry Research, 259, 550–553. doi: https://doi.org/10.1016/j.psychres.2017.11.030

Pulianda, M. (2017, Maio 25). The Self-Care Reality Check – I don’t really like yoga, and other confessions. Retirado de: https://www.psychologytoday.com/blog/the-in-between/201705/the-self-care-reality-check

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Nutrição

Nutrição e prevenção da Alzheimer

Se por um lado existem fatores de risco de Alzheimer impossíveis de modificar como a idade ou genética, outros são os que podem ser diminuídos por hábitos de vida adequados ou ações preventivas específicas.

 As causas da doença de Alzheimer são provavelmente multifatoriais. Fatores ambientais, perturbações bioquímicas, processos imunitários são alguns dos exemplos em estudo.  A investigação tem dado frutos promissores nos últimos anos e podemos agora considerar que existem fatores de risco de vir a sofrer de Alzheimer relacionados com hábitos alimentares.

 Compreendendo que esta doença tem uma origem complexa e ainda não esclarecida na sua totalidade, este artigo pretende esclarecer de que forma a nutrição pode ter um papel importante na prevenção ou desacelerar do aparecimento da mesma, de forma simples, prática e muito resumida.

 A alimentação tem um papel importante da prevenção de doença não só pelo papel de nutrientes em especifico e isoladamente mas pela sua relação e partilha de funções vitais.

 Vários estudos científicos têm vindo a relacionar a Alzheimer a uma alimentação pobre em vitaminas do complexo B, C, K e E, défice de selénio, ferro e fibra, bem como um aporte deficitário de ácidos gordos ómega 3 e excessivo de ómega 6. Sabemos também que o consumo alimentar excessivo pode ser um fator de risco por estar relacionado com o aumento de processos oxidativos relacionados com o aparecimento de várias doenças crónicas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, elas próprias promotoras da doença.

 A síntese de alguns compostos do sistema nervoso central, como a dopamina e noradrenalina, são dependentes de nutrientes essenciais, nomeadamente das vitaminas B2 (riboflavina), B6 (piridoxina), B12, nicotinamida, B9 (ácido fólico) e vitamina C. Outros compostos como o triptofano são utilizados para a produção de serotonina. Estes compostos funcionam como meio de comunicação entre as células e permitem a passagem de informação entre elas, regulando diferentes processos como o humor, ansiedade, memória, entre outros.

 Por outro lado, se comer demais pode ser um fator de risco comer muito pouco ou mal também. O défice de micronutrientes e outros compostos bioativos acelera o envelhecimento, cancro e deterioração dos neurónios, causando potencialmente o declínio da função do cérebro mais acelerado.

 A dieta mediterrânica surge como protetora desta doença (e de outras) por contribuir para uma alimentação com níveis adequados destes nutrientes e outros fitoquímicos importantes.

 Deixo a pirâmide de dieta mediterrânica que já devem conhecer mas que é bom para recordar quais são as bases mais importantes para a prevenção de doenças, incluindo a Alzheimer. Mais do que um programa alimentar, a pirâmide promove um estilo de vida ativo que inclui atividade física regular, socialização e escolha de alimentos da época.

É importante saber que o facto do défice de alguns nutrientes poder ser fator de risco para o desenvolvimento da doença, a suplementação não é necessariamente uma mais-valia, pelo que deve ser sempre prescrita por um nutricionista ou médico especialista. A suplementação sem apoio pode ser perigosa, interferir com medicamentos e comprometer a saúde se feita de modo desajustado.

 Após identificar fatores de risco de doença, pela análise da história clínica familiar e pessoal, devemos consultar um nutricionista para que seja feito o estudo e personalização alimentar corretos para a sua prevenção.

É certo que ninguém dura para sempre mas acredito que todos queremos fazer os possíveis para viver com qualidade de vida durante mais tempo. Não há receitas milagrosas, tratarmos de nós e definirmos as nossas prioridades será provavelmente a única forma de estarmos bem hoje e amanhã.

Texto de Ana Luísa Mousinho

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nutricionista.anamousinho@gmail.com

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