Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? Relações Sociais: O Inferno sem os Outros.

Uma das características que definiu a história evolutiva dos seres humanos, foi a sua propensão e aptidão para funcionar em pequenos grupos. Há centenas de milhares de anos atrás, a pertença a um grupo ditaria de forma quase certa, o futuro de um elemento da nossa espécie e o isolamento seria uma sentença de morte imediata. É esta a razão pela qual ouvimos frequentemente chamar ao Ser Humano, um “animal social”. Contudo, com o avanço das eras e das formas de vida em sociedade, é hoje consideravelmente diferente viver em grupo. O isolamento continua a estar presente na nossa sociedade, contudo, numa parte considerável das zonas em que habitamos não teremos predadores que possam ameaçar a nossa sobrevivência. Antes que respiremos todos de alívio perante esta constatação aparentemente optimista, a investigação científica tem mostrado que os efeitos da solidão estão bem para lá do que nos parece mais aparente.

A solidão no século XXI

O isolamento social é cada vez mais considerado um problema dos nossos dias, de tal maneira que até alguns países, como é o caso do Reino Unido, já criaram especificamente novos ministérios dedicados à sua erradicação. Mas porque é o isolamento social um problema tão importante e qual é a sua relevância para o leitor? Comecemos por analisar algumas evidências:

  1. O ambiente social tem influência na saúde psicológica dos seres humanos: Segundo o Inquérito Social Europeu (citado por Nós e os Outros), quem mantém boas relações com os outros apresenta maiores níveis de felicidade do que aqueles que não mantêm.
  2. O ambiente social tem influência na saúde física dos seres humanos: Aqueles que têm melhores relações com os outros tendem a ter menos doenças e uma maior esperança de vida comparativamente a quem não tem boas relações com os outros. Mais ainda, o isolamento social pode aumentar o risco de morte prematura em cerca de 45%. O que nos permite afirmar que, estar isolado e sentir-se sozinho é tão nocivo quanto fumar 15 cigarros por dia (Holt-Lundstad, Smith & Layton citado por Lima, 2018).
  3. Portugal é um dos países que apresenta maiores taxas de isolamento social. Estima-se que cerca de 22% dos portugueses com 65 ou mais anos viva sozinho. O inquérito social europeu de 2014 mostrou ainda que cerca de 12,5% dos Portugueses se sentiram na última semana, muitas vezes ou quase sempre sós. Embora nos jovens adultos este valor seja baixo, no caso dos mais velhos sobe para cerca de 18%, isto é, quase 1 em cada 5 portugueses com idade igual ou superior a 65 anos referiu sentir-se sozinho na grande maioria do tempo. Estes dados tornam-se consternadores se nos recordarmos que Portugal é dos países da Europa com maiores taxas de envelhecimento populacional.

Asseguro ao leitor que existem muitas mais evidências para outros problemas associados ao isolamento e solidão, mas que infelizmente, por questões de espaço não poderei abordar aqui. Contudo, a principal conclusão que devemos retirar é que um mau ambiente social tem sérias implicações na saúde dos seres humanos. Por este motivo, ao falar em autocuidado é de extrema importância lembrar que as nossas relações sociais devem também ser elas alvo de investimento.

Relações Sociais – A sua importância

Como referi no inicio desta rúbrica, as relações sociais são um dos ingredientes que ditaram e influenciaram a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. Por esta razão, o contexto social tem influência contínua não apenas na nossa satisfação com as nossas relações, mas também com o nosso funcionamento em geral ao longo do ciclo vital – influindo sobre os nossos estados de humor, níveis de stress, bem-estar, persecução de objectivos, sensação de segurança, sentido de propósito e de significado da nossa vida. Isto significa que as relações sociais modelam-nos, influenciando o nosso comportamento e o nosso bem-estar (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017). A qualidade das nossas relações sociais pode ser uma fonte de resiliência ou uma agravante do risco de desenvolvimento de problemas de saúde físicos e psicológicos – algo que se verifica especialmente na maioria dos principais casos de doença mental (Beck citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017, ; Leach & Kauzler citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017; Pettit & Joiner citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017)

Implicações práticas

O leitor poderá estar a questionar-se que soluções existem para combater o problema da solidão e do isolamento social. Quero começar por concordar com Lima (2018) dizendo que “a solidão não se cura com um psicólogo ou com uma linha de apoio 24 horas por dia” – embora a psicologia seja uma das ciências que tanto tem ajudado a compreender as implicações deste problema nas nossas vidas, a sua resolução transcende-se para todos nós. Por esta razão, defendo que é imperativo cuidar das nossas relações sociais. Contudo, tal não significa tornar-se a nova estrela em ascensão com milhares de seguidores nas redes sociais, ou coleccionar uma legião de amizades apenas porque sim. O cuidado implica reciprocidade – não apenas para que possamos falar sobre o que sentimos, mas sim criar um espaço onde o cuidado se dá e recebe (Lima, 2018). Este maior contacto psicológico que pauta as relações de proximidade (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017) permite-nos desenvolver a sensação de que iremos ter o apoio e suporte quando mais necessitarmos (Lima, 2018) – eliminando assim o sentimento de isolamento e solidão e todos os seus agravantes para a nossa saúde e bem-estar.

Em suma caro leitor, a solidão é de tal forma corrosiva para a nossa saúde e bem-estar, que vivê-la é, parafraseando Sartre, sentir não que “O inferno são os Outros” mas sim “O inferno sem os Outros”. Não deixe de assegurar um espaço no seu dia-a-dia para cuidar e usufruir das relações com quem sente que lhe faz bem – sejam os seus amigos, família, colegas de trabalho ou qualquer outra actividade de grupo da qual faça parte – pois cuidando deles, cuidará também de si.

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Nutrição

Devo ou não comer fruta e quando?

Surpreendentemente esta é talvez uma das perguntas que mais vezes me fizeram e parece haver ainda algumas dúvidas e mitos sobre este assunto.

 “Dizem que não se pode comer fruta depois da refeição porque engorda“, “fruta não mata a fome“, “não se deve comer fruta porque a fruta também tem muito açúcar“, “comer fruta antes da refeição fermenta“.

Todos os guias alimentares internacionais, incluindo os portugueses, recomendam a ingestão de fruta todos os dias. Uma das conclusões mais sólidas nas ciências da nutrição é que o consumo de frutas e legumes tem benefícios significativos para a saúde. Estes benefícios devem-se ao seu teor em vitaminas, minerais e fibra. O seu consumo está relacionado com diminuição do risco de várias doenças crónicas como de doenças cardiovascularesdiabetes tipo II e alguns tipos de cancro como o do cólon e também parece ter um papel protetor interessante em doenças de origem inflamatória como a Alzeimer .

As fibras solúveis, presentes principalmente nas frutas e vegetais, contribuem para a normalização dos valores de colesterol e glicémia, aparentemente por diminuírem o ritmo da sua absorção. Se juntarmos alimentos com fibra às nossas refeições iremos sentir-nos saciados e satisfeitos mais rápido e por mais tempo. Para consumirmos a fibra recomendada por dia a melhor forma de o fazer é consumir 2 a 3 peças de fruta e vegetais todos os dias.

Antes de nos preocuparmos com o açúcar e calorias que duas peças de fruta nos dão (cerca de 150 calorias por dia) devíamos pensar nas 4 bolachinhas digestivas cheias de sal, gordura, açúcar e outros “não nutrientes” que nos oferecem cerca de 300 caloriasA fruta, como todos os outros alimentos, não engorda de forma isolada, apenas se consumirmos mais calorias do que aquelas que necessitamos vamos engordar. Antes de retirar a fruta da alimentação faz sentido pensar em retirar outros alimentos sem potencial protetor.

A fruta dá fome? Se o seu lanche habitual é constituido por um leite achocolatado e um croissant misto, ou uma taça de açai e granola e passa a consumir apenas uma peça de fruta, é natural que fique com fome. Não porque a fruta dê fome mas porque em vez de consumir quase 600 calorias consumiu só 80 calorias. As nossas refeições devem estar adaptadas às nossas necessidades e rotinas e uma fruta pode não ser o suficiente. Comer fruta não faz fome.

Quanto ao timing, pode ser interessante juntar a fruta às refeições por várias razões. O teor em vitamina C de algumas frutas como o kiwi, laranja, tangera e morangos auxilia a absorção de ferro dos produtos vegetais (grão, feijão, cereis integrais, etc.). Este facto pode ser especialmente interessante em vegetarianos, pessoas com anemia ferropriva (falta de ferro) ou senhoras durante a menstruação. Comer antes ou depois seráindiferente. Comer a fruta após uma refeição como sobremesa pode ser ótimo, especialmente se tem fome ou o está a fazer em detrimento de um doce.

fermentação não é um problema. O PH do estômago varia entre 1.5 e 3.5, muito ácido, neste ambiente as bactérias e leveduras têm dificuldade em sobreviver e dificilmente existirá fermentação que se torne desconfortável. A produção de gases intestinais é natural quando temos uma alimentação rica em fruta e legumes (fibras) e é essencial para a produção de vitamina K. O seu défice pode levar a problemas de coagulação, inflamação intestinal e deficiências no sistema imunitário.

Em suma, esforce-se por comer fruta e vegetais diariamente quando lhe apetecer.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto

Atividade física e gravidez.

Sendo esta a primeira publicação no nosso blog após o dia da mulher, o tema de hoje faz referência a algo que lhes é muito especial – a gravidez. Mais propriamente, a prática de atividade física durante a gravidez.

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Têm surgido algumas dúvidas no que diz respeito a este assunto, e mesmo com a atual existência de aulas/treinos específicos para o período de gestação, não é incomum ouvir ou ler comentários pejorativos quando vemos uma mulher simultaneamente grávida e musculada ou a praticar atividade física intensa. E sim, nós sabemos que a maioria destes comentários são direcionados a senhoras que aparentam ter o seu bebé a crescer dentro de uma prensa! Ainda assim, será que estão a fazer algo errado?

Não temam, qualquer mulher grávida, saudável, sem contraindicações para a prática de exercício deve ser encorajada a fazê-lo. Aliás, para aquelas que afirmam ter medo ou preguiça para o fazer, compreendam que as consequências, a curto e longo prazo, de sedentarismo nesta fase são bastante preocupantes. A atividade física durante a gravidez já é recomendada por diversos obstetras e ginecologistas e já se encontram disponíveis diretrizes  para orientar as sessões de treino, de forma a minimizar riscos e promover os benefícios para a saúde, tanto da mãe como da criança.

Caso estejam curiosas relativamente aos benefícios da atividade física durante a gravidez, aqui estão os principais:

  • Previne aumento de peso gestacional excessivo;
  • Previne diabetes mellitus gestacional;
  • Diminui o risco de pré-eclampsia (pressão arterial alta e aumento significativo de proteína na urina);
  • Diminui incidência e sintomas de dor no fundo das costas;
  • Diminui risco de incontinência;
  • Previne e/ou melhora sintomas depressivos;
  • Manutenção e/ou melhoria de aptidão cardiorrespiratória;
  • Previne retenção de peso pós-parto.

Com o devido acompanhamento, a gravidez pode ser uma oportunidade para as mulheres sedentárias mudarem os seus hábitos e passarem a ter uma vida mais saudável, na medida em que a vontade de mudar e fazer o melhor para os filhos auxilia bastante na transformação e alteração de comportamentos menos saudáveis.

Ainda assim volto a reforçar a importância de acompanhamento credenciado. Já está claro que podem e devem fazer exercício físico, mas nunca sem supervisão e aconselhamento.

Atenção às meninas que já treinavam antes da gravidez e continuam a treinar com a mesma intensidade durante a mesma. Existem adaptações fisiológicas neste período, como o aumento da frequência cardíaca e volume de oxigénio inalado, que se tornam mais irregulares e necessitam ser controladas.

No Life Quadrants acreditamos que a mulher portuguesa, de maneira geral, manifesta preocupação e cuidado quando se trata da saúde dos seus bebés. Mas como podem ocorrer distrações, aqui vai uma lista com as situações em que devem interromper os treinos:

  • Sangramento vaginal;
  • Falta de ar;
  • Tonturas ou dores de cabeça;
  • Dor no peito;
  • Fraqueza muscular;
  • Cãibras ou inflamação
  • Diminuição no movimento fetal;

Curiosidades:

  • Exercícios que fortaleçam a zona pélvica são recomendados para reduzir o risco de incontinência durante e depois da gravidez;
  • Deve ser evitada a prática de atividade física na posição “deitada de barriga para cima” após as 16 semanas devido ao peso do feto, que pode afetar a circulação sanguínea;
  • Mulheres grávidas devem evitar exercício físico em ambientes quentes e húmidos, estar bem hidratadas e utilizar roupa adequada para evitar golpes de calor;
  • Durante a gravidez a atividade metabólica aumenta e são consumidas cerca de 300 kcal extra por dia. Com a prática de atividade física, o aumento do consumo calórico é particularmente importante;
  • Devem ser evitadas modalidades desportivas de contacto e atividades que possam causar perda de equilíbrio ou trauma à mãe e ao feto. Como por exemplo, futebol, basquetebol, hóquei, equitação e ténis;
  • Após o parto, a atividade física pode, e deve, ser recomeçada. Geralmente 4 a 6 semanas para quem passou por parto normal e 8 a 10 semanas para partos com cesariana (sempre com autorização médica).

Está também provado que a prática de atividade física durante a gravidez reduz a duração do parto e diminui o tempo de recuperação no período pós-parto.

A saúde física e mental das nossas crianças é fortemente influenciada pelo estado emocional e bem-estar físico das mães durante a gravidez, e aliando este facto a toda esta informação que vos foi disponibilizada, incentivos não faltam.

Bons treinos. Até à próxima publicação.

Texto de Cláudio Mousinho

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Nutrição

Mas devo ou não evitar o glúten?

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Os últimos anos têm sido marcados por um aumento da discussão pública de temas relacionados com a alimentação. Jornais, revistas e redes sociais invadem-nos todos os dias com informação vinda das mais variadas fontes. O glúten, até então desconhecido da grande maioria da população, deixou de ser preocupação apenas dos portadores de doença celíaca, para a sua ausência num alimento ser usada como ferramenta de marketing, utilizada pela indústria alimentar, para aumentar a venda dos seus produtos. A discussão sobre o glúten tem tomado proporções desajustadas e muita confusão de informação que não tem resultado em melhor conhecimento. Mas afinal o que é o glúten e devemos ou não evitá-lo?

O glúten é uma proteína que se encontra naturalmente em alguns cereais como o trigo, centeio e a cevada. Esta proteína é composta por diferentes frações, as glutaminas e as prolaminas. Como todas as proteínas, o glúten para ser absorvido corretamente, deveria ser digerido por enzimas, geralmente até à forma de aminoácido, para poder passar na barreira intestinal e seguir o seu curso normal até ao fígado e posteriormente circulação geral. As nossas enzimas têm dificuldade em degradar estas proteínas, resultando fragmentos de dimensões demasiado grandes (dipeptidos). No entanto, estes dipeptidos conseguem passar a barreira intestinal também com a ajuda de uma outra proteína do glúten (gliadina), que facilita que moléculas grandes passem esta barreira. Os doentes celíacos reagem de forma muito agressiva com o sistema imunitário a responder exacerbadamente, criando lesões graves nas paredes intestinais que levam a dificuldade de absorção de outros nutrientes e consequente perda de peso, desnutrição, irritabilidade, depressão e diarreias frequentes. Estima-se que 1% da população mundial é celíaca, em Portugal apenas estão diagnosticados 10 mil casos, sendo que se acredita que existem ainda milhares de casos por diagnosticar. Para além da doença celíaca, o aumento da permeabilidade intestinal, devido à ação da gliadina e a passagem de moléculas de grandes dimensões na barreira intestinal, pode fazer com que, em indivíduos suscetíveis, exista uma resposta inflamatória associada e sintomas como desconforto abdominal, diarreia, gases, dores de cabeça e letargia  – sensibilidade não celíaca ao glúten. Esta última hipótese ainda está em estudo e é necessário clarificar os marcadores clínicos que permitam um correto diagnóstico e compreensão das consequências desta resposta. Sabe-se que pessoas com algumas doenças, como síndrome de intestino irritável, e outras doenças autoimunes que não a doença celíaca, como a artrite reumatoide e diabetes tipo I, parecem beneficiar de uma dieta sem glúten com a diminuição de alguns sintomas destas doenças.

Concluindo, devemos deixar de comer alimentos com glúten? Depende! (os bons nutricionistas adoram esta palavra irritante e desanimadora para alguns). Quando existe sintomatologia clínica e subclínica, que sugira uma sensibilidade ao glúten, quando exista outra doença instalada que clinicamente esteja associada a este problema, pode fazer sentido retirar estes alimentos da dieta. No entanto, é importante que saibam que os sintomas podem ser confundidos com outros problemas e é importante que antes de alterar hábitos alimentares por ter sintomas como diarreias frequentes, distensão abdominal, produção exacerbada de gases, perda de peso, alterações de humor e cansaço persistente, contacte o seu médico e nutricionista a fim de despistar outros problemas.

PS: É importante que contacte um nutricionista para saber que alimentos são ou não adequados. O glúten é comummente utilizado como aditivo para dar estabilidade e textura a alguns produtos processados. Saber ler rótulos é importante mas não pode ser escravo deles. É comum existirem alimentos que não têm glúten, por natureza, como o arroz, serem comprados a preço mais elevados por dizer na embalagem que não contém glúten, sem razão de ser. Procure informação com um nutricionista de confiança.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Nutrição

Nutrição e prevenção da Alzheimer

Se por um lado existem fatores de risco de Alzheimer impossíveis de modificar como a idade ou genética, outros são os que podem ser diminuídos por hábitos de vida adequados ou ações preventivas específicas.

 As causas da doença de Alzheimer são provavelmente multifatoriais. Fatores ambientais, perturbações bioquímicas, processos imunitários são alguns dos exemplos em estudo.  A investigação tem dado frutos promissores nos últimos anos e podemos agora considerar que existem fatores de risco de vir a sofrer de Alzheimer relacionados com hábitos alimentares.

 Compreendendo que esta doença tem uma origem complexa e ainda não esclarecida na sua totalidade, este artigo pretende esclarecer de que forma a nutrição pode ter um papel importante na prevenção ou desacelerar do aparecimento da mesma, de forma simples, prática e muito resumida.

 A alimentação tem um papel importante da prevenção de doença não só pelo papel de nutrientes em especifico e isoladamente mas pela sua relação e partilha de funções vitais.

 Vários estudos científicos têm vindo a relacionar a Alzheimer a uma alimentação pobre em vitaminas do complexo B, C, K e E, défice de selénio, ferro e fibra, bem como um aporte deficitário de ácidos gordos ómega 3 e excessivo de ómega 6. Sabemos também que o consumo alimentar excessivo pode ser um fator de risco por estar relacionado com o aumento de processos oxidativos relacionados com o aparecimento de várias doenças crónicas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, elas próprias promotoras da doença.

 A síntese de alguns compostos do sistema nervoso central, como a dopamina e noradrenalina, são dependentes de nutrientes essenciais, nomeadamente das vitaminas B2 (riboflavina), B6 (piridoxina), B12, nicotinamida, B9 (ácido fólico) e vitamina C. Outros compostos como o triptofano são utilizados para a produção de serotonina. Estes compostos funcionam como meio de comunicação entre as células e permitem a passagem de informação entre elas, regulando diferentes processos como o humor, ansiedade, memória, entre outros.

 Por outro lado, se comer demais pode ser um fator de risco comer muito pouco ou mal também. O défice de micronutrientes e outros compostos bioativos acelera o envelhecimento, cancro e deterioração dos neurónios, causando potencialmente o declínio da função do cérebro mais acelerado.

 A dieta mediterrânica surge como protetora desta doença (e de outras) por contribuir para uma alimentação com níveis adequados destes nutrientes e outros fitoquímicos importantes.

 Deixo a pirâmide de dieta mediterrânica que já devem conhecer mas que é bom para recordar quais são as bases mais importantes para a prevenção de doenças, incluindo a Alzheimer. Mais do que um programa alimentar, a pirâmide promove um estilo de vida ativo que inclui atividade física regular, socialização e escolha de alimentos da época.

É importante saber que o facto do défice de alguns nutrientes poder ser fator de risco para o desenvolvimento da doença, a suplementação não é necessariamente uma mais-valia, pelo que deve ser sempre prescrita por um nutricionista ou médico especialista. A suplementação sem apoio pode ser perigosa, interferir com medicamentos e comprometer a saúde se feita de modo desajustado.

 Após identificar fatores de risco de doença, pela análise da história clínica familiar e pessoal, devemos consultar um nutricionista para que seja feito o estudo e personalização alimentar corretos para a sua prevenção.

É certo que ninguém dura para sempre mas acredito que todos queremos fazer os possíveis para viver com qualidade de vida durante mais tempo. Não há receitas milagrosas, tratarmos de nós e definirmos as nossas prioridades será provavelmente a única forma de estarmos bem hoje e amanhã.

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Nutrição

Como ser feliz no Natal sem estragar a dieta?

Adoro cozinhar, experimentar novas receitas e tornar a cozinha tradicional mais saudável é uns dos meus hobbies. Aberta a época das receitas de natal “saudáveis” não vou dar receitas mas dicas para aliviar o complicometro e comer de forma consciente.

Culpa não deve ser um sentimento associado à comida. É importante encontrar um equilíbrio entre o comer por necessidade e a componente social e edónica das refeições.São os nossos hábitos alimentares que contribuem de forma real para a nossa saúde e gestão de peso. O que comemos e não comemos no nosso dia a dia.Não são, de forma nenhuma, as excepções e as festas que vão estragar a dieta ou fazer-nos viver pior ou menos tempo. Quantas vezes por ano faz filhoses, sonhos e rabanadas? Eu só faço uma por isso no Natal vou-me dar ao “luxo” natalício.

Algumas dicas para um natal saudável e sem culpas (dia 24 e 25 de dezembro):

1º- Faça refeições ligeiras desde o pequeno almoço até há hora da festa e evite estar muito tempo sem comer

2º- Evite petiscar entradas. Coloque tudo o que quer de entrada no prato de uma só vez para que consiga ter noção do que está a comer

3º – Normalmente os doces de natal são muito ricos em gordura por isso prefira entradas mais leves (azeitonas, camarão cozido, salmão fumado aromatizado, por exemplo)

4º- Inicie a refeição com um prato de sopa e/ ou vegetais (meio estômago fica cheio)

5º- Quanto ás bebidas o ideal é sempre água. Caso não dispense um copo de vinho ou um sumo natural, opte por eles mas intercale com água

6º- Pense previamente nas sobremesas que quer comer e coma apenas aquelas que lhe apetece mesmo (sejam quais forem!). O melhor é colocar tudo num prato de sobremesa de uma só vez.

Eu provavelmente vou comer 2 filhós de cenoura (sonhos para os lisboetas) e queimar as suas calorias nos passeios tradicionais à beira mar!

Bom Natal!

 Curiosidades energéticas:

– 1 tacinha de arroz doce (1 colher de servir) – 250Kcal

– 1 filhós – 150Kcal

– 1 sonho – 150Kcal

– 1 rabanada – 300Kcal

– 1 fatia de bolo rei – 350Kcal

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Nutrição

Sabores

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Aqui em casa, gostamos muito de aproveitar tudo o que podemos 🙂! Desta vez tinha uma posta de bacalhau assado!
Assim aproveitei para fazer esta tarde super fácil de fazer e deliciosa!

Ingredientes
1 posta de bacalhau cozida ou assada desfiada
5 ovos
250 ml de queijo quark
1 alho francês cortado ás rodelas fininhas
Coentros
Pimenta q.b.
Noz moscada q.b.

Preparação

Bater bem os ovos, envolver com o queijo quark, misturar o bacalhau, o alho francês e temperar a gosto (coentros, pimenta, noz moscada). Colocar numa forma de silicone durante 40 minutos a 220 graus em forno pré aquecido.

Bom apetite ❤️ cá em casa adoramos !!!

Receita da nossa parceira:

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Desporto

Os primeiros passos de quem quer começar a correr.

Na publicação anterior, abordámos a importância fundamental do equipamento que escolhemos para treinar, enunciando as características mais importantes que devemos ter presentes aquando da aquisição do mesmo.

 Se a nível de vestuário, a questão prender-se-á (não só, mas sobretudo) com o conforto, no que diz respeito ao calçado o factor protecção/prevenção é, sem duvida nenhuma, primordial para a escolha mais adequada.

Quando a nossa opção recai sobre os chamados desportos de impacto – assim chamados pelo “impacto” provocado e que se repercute através da nossa estrutura de suporte, o esqueleto –, como a corrida, aquilo que calçamos constitui a primeira linha de defesa contra as lesões, sejam elas musculares, ósseas ou articulares.

Tendo presente esta premissa, devemos procurar aderência, suporte e absorção:

  • Aderência para evitar movimentos articulares repentinos e imprevistos;
  • Suporte para manter as ligações articulares na posição correcta, incluindo as dos dedos;
  • Absorção para minimizar o impacto, que o peso do nosso corpo contra o solo provoca, em toda a nossa estrutura óssea;

Para os que estão a iniciar-se na corrida, e que portanto não sentem ainda a necessidade de despender um valor considerável num par de ténis, os Speed Swift 2 da Under Armour são uma óptima opção. Além de preencherem os requisitos que enunciámos acima, o PVP de 80€ é um excelente compromisso entre custo e qualidade.

As principais características dos Under Armour Speed Swift 2 Running Shoes são:

  • Construção em material respirável para melhor ventilação, com reforço intermédio do “meio-pé” para maior durabilidade
  • Interior em espuma EVA, para maior conforto
  • Sola intermédia em EVA monopeça, para uma passada responsiva
  • Sola exterior em borracha, reforçada nas zonas de impacto para elevada absorção, aliando durabilidade e peso reduzido
  • Peso: 248g (ténis masculino) / 210g (ténis feminino)

 

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Visite-nos e venha conhecer esta e outras soluções para a sua prática desportiva!!

Bons treinos!

 

Texto de Six Pack Fitness Store

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Nutrição

O que é a nutrição funcional?

Tratar o problema e não apenas os sintomas é a base da medicina funcional. A medicina tradicional tem um papel importantíssimo na melhoria da saúde da população. Graças à sua evolução conseguimos diminuir a mortalidade infantil de forma louvável, aumentar a esperança média de vida, erradicar doenças fatais e diminuir o sofrimento de pessoas com diagnósticos muito variados. Não vejo como descurar ou minimizar a sua importância.

No entanto, assistimos todos os dias à prática da medicina apenas focada no controlo dos sintomas. Às vezes a única solução é essa mas será sempre? Certamente que não. Quando temos uma dor de cabeça o que fazemos? Tomamos um analgésico. Quando estamos obstipados? Tomamos um lachante. Quando temos anemia? Às vezes prescrevem-nos ferro. Quando nos sentimos cansados todos os dias o que fazemos? A maior parte das vezes nada, limitamo- nos às queixas do dia a dia. Mas qual é a origem destes problemas todos? Dá para os tratar e controlar efetivamente?

O conhecimento científico é vasto e todos os dias o desperdiçamos.
Muitas vezes limitamo-nos a pintar os buracos da parede com esperança de resolver o problema enquanto podíamos tapar os buracos (filosófico). Acredito que é importante utilizarmos as ferramentas clínicas e científicas para melhorar a saúde da população ao máximo. Infelizmente nem todos estamos focados neste objetivo. Os recursos disponíveis muitas vezes são escassos e limitam os profissionais de saúde a realizar todos os exames que poderiam fazer e a gastar o tempo necessário com cada doente.

A nutrição funcional não se limita a prescrever dietas, a emagrecer pessoas e a suplementar ou recomendar alimentos funcionais “XPTO”. É uma área da nutrição clínica, não é uma novidade. O nome utiliza-se para distinguir e diferenciar de outras práticas mais generalistas da nutrição. Como fundamentos base a nutrição funcional avalia a individualidade bioquímica, foca o tratamento nas reais condições e necessidades do utente, trabalha com o objetivo de oferecer uma alimentação equilibrada . Tem em atenção a biodisponibilidade dos nutrientes e as suas interações bioquímicas. Os desequilíbrios nutricionais, hormonais, stress oxidativo, alterações imunitarias, saúde intestinal e relação com a saúde mental são estudados e valorizados.

Acho importante reforçar que existe uma pirâmide que prioniza questões alimentares. É muito comum assistir a tentativas de ingressar num estilo de vida e alimentação saudáveis pelos promenores e questões complexas e não pela base. Diria que 80 a 90% do impacto da alimentação está nas alterações do primeiro patamar, as mais simples. Comer saudável não é só para elites é o base está em alterações acessíveis.

A nutrição funcional não é baseada no consumo de alimentos “estranhos” e em “unicórnios”. Deve ser uma prática baseada na evidência que busque melhorar a saúde das pessoas de forma personalizada, utilizando as ferramentas técnicas e científicas adequadas.

 

Texto de Ana Luísa Mousinho

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Desporto

Devo escolher um Personal Trainer ou um Fisiologista do Exercício?

Apesar da ainda insuficiente prática de atividade física no nosso país, as evidências relativas ao papel do exercício físico na saúde pública começam a estar mais presentes na nossa consciência, o que nos últimos anos tem resultado num aumento da oferta desportiva e na popularidade de ginásios e health clubs. A procura pela perda de peso, manutenção e/ou melhoria da condição física e percentagem de massa muscular está, felizmente, a crescer. A acompanhar este crescimento da área do fitness está o já tão conhecido Personal Trainer, que oferece um serviço personalizado, focado nas necessidade e objetivos específicos de cada cliente. Os seus serviços são requisitados não só pelo aumento da eficácia dos treinos personalizados, mas também pelo fator motivacional, muito importante para as pessoas que desistem de praticar atividade física caso não tenham alguém a “puxar por elas”. Mas será que estes profissionais estão realmente preparados para atuar mediante todas as nossas características? E se for portador de uma deficiência ou algum tipo de doença? Se tem problemas respiratórios ou cardíacos?

Não quero com isto insinuar que a atividade profissional dos Personal Trainers não é ética e competente, a grande maioria destes profissionais atualmente possui formação superior (licenciaturas, mestrados, pós-graduações), adequada às suas funções, o problema está na falta de regulamentação. De acordo com a legislação atual, para exercer atividade como Personal Trainer, um indivíduo pode ter formação superior específica e aprofundada ou ter apenas realizado um curso de formação profissional que dá igual acesso à cédula profissional de Técnico de Exercício Físico. Assim, é notória a desigualdade existente ao nível da formação académica e curricular de cada técnico, o que poderá levar a desigualdades no conhecimento técnico e teórico e consequentemente na prática da sua atividade.

Explanada esta questão, coloca-se uma outra igualmente pertinente. Estarão os Personal Trainers, com formação superior totalmente preparados para lidar com todos os indivíduos que a eles recorrem? É um curso superior suficiente para dar resposta adequada a todas as questões eminentes?

A resposta é Não! Relativamente a situações como as referidas anteriormente (portadores de deficiências, problemas respiratórios e/ou cardíacos, bem como, outras patologias específicas) é estritamente necessária a continuidade e o aprofundamento da formação.

E agora, como proceder? Afinal não devo ter um Personal Trainer ou devo controlar e comprovar os seus currículos? Nada disso, estes profissionais têm um valor enorme na promoção de saúde a nível mundial e não devemos abdicar da sua ajuda, devemos sim alterar um pequeno pormenor do nosso comportamento e recorrer a uma alternativa que apresentarei de seguida.

Os leitores que recentemente se inscreveram num ginásio poderão confirmar que, para iniciar uma prática desportiva na maioria destes estabelecimentos, ou para adquirir um serviço de treino personalizado já não lhes é exigido um atestado médico, apenas lhes é pedido que assinem um termo de responsabilidade onde afirmam não ter qualquer problema de saúde que impossibilite a prática de atividade física. Desta forma poderemos estar a “poupar tempo” por não ser necessário sermos observados por um médico nem sermos sujeitos a exames, mas este simples pormenor pode ser o início de diversos problemas. O que por vezes acontece nestes casos é que o cliente tem um problema de saúde recente, não detetado em exames médicos anteriores, e o seu PT, sem saber, prescreve determinado treino com características prejudiciais, o que poderá resultar em acidente ou lesão grave durante o treino. Posto isto a minha recomendação é óbvia, mesmo que não vos seja exigido, peçam uma avaliação médica.

Este é o primeiro passo para uma iniciação segura à prática de atividade física, o segundo vai depender da avaliação médica. Caso não seja detetado qualquer problema de saúde, avancem sem medos e adiram ao Personal Training, aproveitem ao máximo os conhecimentos e disponibilidade destes profissionais.

Se por outro lado for detetada alguma limitação não deverão contactar um PT. Mas isto não significa que não possam praticar atividade física, pelo contrário.

Aproveito agora para vos apresentar uma classe profissional pouco conhecida pelo povo português mas já existente e regularizada em vários países, o Fisiologista do Exercício. Este profissional deverá ser a alternativa para todos os que pretendem melhorar a sua saúde através da atividade física. Aqui estão as principais características do Fisiologista do Exercício:

Fisiologista_Exercício_jpegFonte: Revista Factores de Risco nº44 Abr-Jun 2017

O Fisiologista do Exercício pode exercer atividade profissional em ginásios, farmácias, clínicas, câmaras municipais e juntas de freguesia, hospitais ou em vários tipos de empresas. Assim como os PT’s, pode trabalhar por conta própria ou inserido em equipas multidisciplinares.

A regulação profissional na área do exercício físico está ainda a dar os primeiros passos no nosso país, mas felizmente temos exemplos como o Canadá, que se encontra alguns anos à nossa frente no que diz respeito a esta matéria, que nos apresenta um exemplo onde o Personal Trainer e o Fisiologista do Exercício representam diferentes categorias profissionais. Neste caso,  diferentes profissões na área da saúde estão interligadas (PTs, Fisiologistas do Exercício, Médicos, Fisioterapeutas, Nutricionistas, Psicólogos, entre outros). Assim, os PTs encarregam-se da prática de atividade física da população com  baixo risco, enquanto que os Fisiologistas do Exercício trabalham esta atividade com quem possui problemas de saúde.

É nesta direção que caminhamos neste momento, mas a falta de regulamentação atual não nos permite encontrar estes profissionais com a regularidade desejada. Por essa razão vos falo aqui hoje sobre a sua existência e recomendo que os procurem e requisitem.

Todos merecem um serviço de qualidade, principalmente no que diz respeito à saúde, como tal, é essencial que procurem quem apresenta melhor capacidade de ajudar. Neste caso, se existir um problema de saúde e pretenderem contrariá-lo através de atividade física, enquanto o nosso governo não regulamentar esta área, procurem um licenciado em Desporto com formação complementar em Fisiologia do Exercício para ser o vosso Personal Trainer.

 

Texto de Cláudio Mousinho

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