Coaching e Desenvolvimento Pessoal

Sobre Realizar Sonhos!

Queridos corações que me sentem,
Ainda ontem era uma menina, ainda ontem tinha tantas dúvidas e procurava tantas respostas.
Ainda ontem as minhas acções eram baseadas em porquês e cobranças.
Ontem o meu abraço não me chegava, a minha companhia não era bastante e a minha opinião não era suficiente.
Quase que consigo ver-te e sentir-te outra vez pequenina.
Hoje com os olhos cheios de orgulho e um coração maior.
Hoje com a alma cheia de sonhos possíveis de realizar.
EU decidi que queria mais, EU caminhei passo a passo, EU lutei para chegar mais longe, ainda que as estatísticas não estivessem do meu lado.
E este EU, não é um super-herói. Este EU não se desenvolveu sozinho.
Este EU foi corajoso o suficiente para pedir ajuda quando precisou, para cair quando o corpo não aguentava mais, para travar lutas internas a fim de ter paz.
Foi neste fim-de-semana que tive a certeza qual seria a minha resposta à pergunta “o que queres ser quando fores grande?”. Quero semear sonhos, em mim, nas pessoas e no mundo em geral. Sonhos criam movimento, sonhos fazem os olhos brilhar e fazem sentir borboletas na barriga. Eu realizei um sonho e percebi que já estava a trabalhar nele há bastante tempo.
No caminho,
Percebi que está tudo bem em vivermos a nossa vida somente com o que nos faz felizes, mesmo que por vezes isso signifique eliminarmos da nossa vida pessoas e situações que naturalmente deveriam fazer parte dela. Aprendi que perdoar ás vezes é fazemo-lo para nós mesmos e que não precisamos permitir que certas coisas façam ou voltem a fazer parte da nossa vida. Aprendi que está tudo bem em seguirmos os nossos instintos desde que o façamos com verdade.
Entendi que ás vezes a vida nos coloca novamente em momentos que nos testam para que possamos perceber se aprendemos aquilo que era necessário.
A vida é uma prova e uma transformação constante. Vamos precisar olhar sempre para dentro para entendermos onde estamos e quem somos no agora.
No nosso caminho devemos apenas permitir que entre e que esteja aquilo que acrescenta e que nos faz estar e viver em paz, mesmo que por alguns momentos o nosso mundo seja abanado. Nesses momentos precisamos parar e pedir ajuda se for preciso. Precisamos clarear a mente.
Parte da (nossa) evolução é aceitar que às vezes o nosso mundo vai ser testado e que vai doer porque todos temos uma história. Mas em consciência aprendi que é nossa a responsabilidade de sermos levados por isso ou fazermos diferente.
Percebi que sempre que falamos com amor, tudo fica melhor. E falar com amor é muitas vezes connosco mesmos.
Que as nossas vidas sejam preenchidas com pessoas bonitas, com pessoas que falam a mesma linguagem (a do amor).
Serei eternamente grata àqueles que me acompanham e que acreditam em mim. A todos aqueles que me fazem ser uma pessoa melhor todos os dias.
Um dia eu decidi que merecia viver a vida dos meus sonhos, e a verdade é que a vivo. Rodeada de sorrisos, de palavras verdadeiras, de emoções e de mais sonhos.
Sou profundamente grata a todos aqueles que me permitem entrar nas suas vidas sabendo que a forma como os poderei ajudar é dizendo-lhes a verdade. Colocando-os fora da zona de conforto. O meu profundo obrigada por me ensinarem com as vossas histórias, com o vosso amor pela vida e por quererem ser mais, fazer mais e ter mais.
Texto de Marta Ramos do COA

 

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Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? O papel de ajuda.

Olá de novo caro leitor, na última rúbrica dei-lhe alguns conselhos sobre como ajudar alguém que sofre com ideias de suicídio. Achei que por essa razão, faria sentido continuar a gravitar à volta de um tema semelhante a esse: como devemos agir se pretendemos ajudar alguém que está a sofrer com problemas de saúde psicológica? Considero que este tema é importante pois como referi na minha última rúbrica, embora possamos ter toda a boa vontade do mundo, nem sempre estamos bem preparados para auxiliar e por essa razão, corremos o risco de contribuir para o sofrimento da pessoa, inadvertidamente. Mas podemos começar por perguntar “será que isso é realmente importante?”. Passemos então a colocar as coisas em perspectiva:

Parte 1 – A prevalência dos problemas de saúde mental em Portugal.

O primeiro relatório do estudo epidemiológico sobre saúde mental realizado em Portugal [1], que devido ao seu rigor científico nos dá alguns dados importantes que podemos analisar para tirar conclusões sobre a realidade no nosso país: 1 em cada 5 indivíduos apresenta uma perturbação psiquiátrica, o que faz com que tenhamos a segunda maior prevalência de doenças mentais em toda a Europa, apenas (e ligeiramente) ultrapassados pela Irlanda do Norte. Os problemas de ansiedade são o grupo que apresenta maior prevalência, seguidos das perturbações depressivas, perturbações de controlo de impulsos e consumo de substâncias.

Parte 2 – Quem sofre procura automaticamente ajuda, certo?

Embora possamos pensar que os serviços de saúde mental captam com relativa eficácia as pessoas que necessitam de cuidados de saúde, esta não é uma realidade assim tão garantida por diversas razões. Recorrendo à evidência do estudo epidemiológico sobre saúde mental[1], mais de 65% das pessoas com doença mental estudadas não receberam qualquer tratamento nos 12 meses anteriores. Tal sucede maioritariamente nos casos de menor gravidade, no entanto, tal também se verificou em situações mais graves. Poderá estar a questionar-se o leitor: “mas qual a explicação para isso?”. Não posso dar uma resposta decisiva, mas postulo que uma das razões poderá ser a recusa em procurar ajuda – comportamento que várias investigações têm associado à discriminação das pessoas com doença mental[2]. Por esta razão, saber como actuar de uma forma não estigmatizante poderá ser um ponto de partida para aumentar a probabilidade de que alguém que necessite, receba os devidos cuidados de saúde psicológica.

Parte 3 – Que postura adoptar se queremos ajudar alguém que está em sofrimento?

Para que possamos estar capacitados para ajudar alguém que sofra com problemas de saúde mental devemos assegurar duas coisas: 1) conhecimento adequado dos meios de suporte e fontes de apoio disponíveis na nossa comunidade; e 2) uma postura de suporte emocional, e facilitadora da comunicação e da colaboração.

            Começando pelo primeiro ponto, devemos procurar saber quais as fontes de assistência psicossocial para pessoas com problemas de saúde mental. Tal pode passar por consultar médicos, enfermeiros, psicólogos, ou outros profissionais de saúde, mas também procurar associações, instituições de solidariedade social, grupos de suporte, linhas de apoio ou sites informativos (ex. http://encontreumasaida.pt – Ordem dos psicólogos portugueses).

            Já na hora de adoptar uma postura de suporte emocional, devemos procurar [3]:

  1. Mostrar-nos dispostos a conversar e Escutar atentamente. Assinalar claramente que estamos ali dispostos a conversar sobre algo se a pessoa assim o desejar. Ao fazê-lo, dar espaço para falar, e apenas o acto de escutar pode ser realmente útil para quem está a sofrer. Se a pessoa tiver alguma dificuldade em expressar-se, comunicar que estaremos lá para a escutar quando se sentir preparada para conversar.
  2. Manter a calma e tranquilizar a pessoa. Embora possamos estar nervosos, é importante manter uma postura de abertura e tranquilidade, evitando reacções bruscas ou julgadoras. Isto ajudará também a pessoa a se acalmar, mostrando-lhe que pode comunicar consigo abertamente e sem receios. Podemos também reforçar esta ideia transmitindo à pessoa que nos preocupamos com o seu bem-estar e que estaremos ali para ajudar quando necessitar.
  3. Ser paciente. Podemos querer arranjar uma solução instantânea ou encontrar uma ajuda imediatamente, no entanto é extremamente importante deixar a pessoa definir o prazo para procurar ajuda profissional.
  4. Evitar interpretações ou suposições. A sua perspectiva pode não ser útil a quem está neste tipo de situações ou ser até invalidante (i.e. comunicar à pessoa que aquilo que pensa ou sente não é verdadeiro ou importante, o que levará a um bloqueio na comunicação e a uma maior resistência para procurar ajuda), tente ao máximo evitar assumir que sabe a razão para os seus problemas e opte antes por uma postura colaborativa, mostrando-se presente, disponível para ajudar, respeitadora e valorizadora da outra pessoa.
  5. Manter o contacto social. O suporte emocional deve procurar manter a vida da pessoa dentro do mais normal possível, para além do contacto de suporte descrito nos pontos anteriores, pode também envolver a pessoa em outros eventos sociais, ou até focar-se em outras áreas da sua vida. Outra coisa que poderá ser útil será oferecer-se para ajudar em tarefa domésticas, burocráticas ou até de acompanhamento até aos meios de suporte formais (ex. médico de família).

 

Referências:

1 – Almeida, J., Xavier, M., Cardoso, G., Pereira, M., Gusmão, R., Corrêa, B., … & Silva, J. (2013). Estudo epidemiológico nacional de saúde mental–1º relatório. Lisboa: Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa.

2 – Corrigan, P. W., Druss, B. G., & Perlick, D. A. (2014). The impact of mental illness stigma on seeking and participating in mental health care. Psychological Science in the Public Interest15(2), 37-70.

3 – Seeking help for a mental health problem: A guide to taking the first steps, making empowered decisions and getting the right support for you. (2018, Outubro 9). Retirado de: https://www.mind.org.uk/information-support/guides-to-support-and-services/seeking-help-for-a-mental-health-problem/helping-someone-else-seek-help/

 

Texto de Rodrigo Pires

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rodrigopiresuevora@hotmail.com

Coaching e Desenvolvimento Pessoal

A vida é o que dá vida!

Ainda estou a tentar decifrar quando é que aceitámos tornar-nos marionetas de uma sociedade que somos nós que construímos.

Quantas vezes temos vontade de fazer alguma coisa e deixamos de a fazer porque a sociedade diz que não é correto ou que não se coaduna com o nosso estilo de vida ou extracto social? Quando é que deixámos de ser seres humanos para nos tornarmos robôs? Às vezes paro para pensar nas coisas que, por vezes, deixo ou vejo a deixarem de ser feitas porque alguém vai achar que não é correto. Será que paramos para pensar o que é que nós achamos?

Tantas e tantas vezes, nadei contra a maré e posso dizer-vos que o resultado foi sempre positivo. Não quero com isto dizer que o desfecho de todas as coisas que fiz contra o que a sociedade pensa tenham tido um “final feliz” ou o melhor dos resultados mas o que é certo, é que todas elas me ensinaram alguma coisa. Será que não é isso a que chamamos de viver?

Eu sou feliz quando sigo o meu coração. Eu sou feliz quando tenho conversas que preenchem, momentos que acrescentam, muitas delas com pessoas de que não estava à espera e foi precisamente quando saí da bolha e da zona de conforto que isso aconteceu.

Sempre fui do tipo de desafiar tudo e todos. Sempre fui mais do género de não ligar, ou pelo menos tentar, não ligar ao que os outros pensam. Hoje, paro muitas vezes para pensar sobre como me sinto com as situações e tento obter as respostas em mim. Elas existem dentro de nós. Só precisamos confiar mais, entregar mais. No final o que fica é aquilo que viveste, que sentiste na pele.

E se pararmos mais vezes para pensar sobre o que nos faz tremer, sobre aquilo que nos coloca o coração a mil à hora, sobre todas as coisas que nos fazem rir até doer a barriga? Sobre aquelas coisas que até te podem fazer sofrer e chorar mas que te vão tornar mais fortes. Que tal se nos colocarmos tão vulneráveis que acabamos por ser naturais? Naturais! Aquilo que devíamos ser a todo o instante. Que importa se no final magoa se o durante foi mágico?

Quero e vivo para momentos. Para o MOMENTO. Aquele que me permite crescer, sentir, cheirar, chorar, cair, levantar e continuar. Preciso disso a correr-me nas veias. Preciso de tudo isso e também de parar e pensar. Como me sinto? O que aprendi? O que levo daqui? Preciso de vida para me dar vida. Preciso de histórias e de pessoas, de momentos e de sorrisos.

Preciso de precisar. Preciso de acreditar que a vida é aquilo que eu fizer dela. O que farias agora se a decisão fosse só tua? Agarra isso e vai. Com ou sem medo, mas vai.

Texto de Marta Ramos do COA

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Coaching e Desenvolvimento Pessoal

Vulnerabilidade

A palavra por si só já é algo difícil de dizer.

Se há algo que tenho tentado entender é que a vulnerabilidade não é uma fraqueza. Muito pelo contrário, até acredito que seja um estado de coragem. Quantas vezes deste por ti a esconder aquilo que és, aquilo em que acreditas para que não te coloques num estado em que alguém possa magoar-te por ver aquilo que tu és? Quantas vezes fingiste ser algo que não és só para que continues a acreditar que há coisas das quais não és merecedor(a)?

Todos aqueles que tentam ser melhores têm obrigatoriamente de se confrontar com alguns medos. Medos que foram edificados pela nossa história de vida, por experiências que nos marcaram tanto que quando falamos sobre elas parece que voltamos ao momento e que de repente nos inundam de sentimentos que só queremos esquecer. Até mesmo medos que nos moldaram com exemplos que nos rodearam, porque os sentimos quase como se fossem nossos.

Sair deste estado e perceber que, independentemente daquilo porque passámos ou sentimos, continuamos a merecer o melhor da vida é uma tarefa complicada. Nenhum de nós é um exemplar perfeito de humano, até porque se o fossemos não estaríamos aqui a fazer grande coisa. Aceitar as nossas fraquezas é o primeiro passo para a mudança mas o mais trabalhoso é o que vem a seguir; Colocar isso a correr nas nossas veias. Dizeres baixinho e em segredo que MERECES. O que quer que seja.

Seja amaras-te ou aceitares que há quem possa gostar de ti exatamente por seres quem és, com todas as imperfeições inerentes. Que seja compreenderes que mereces ter tudo aquilo que acreditas que te vai fazer sentir ou ser melhor e que talvez nunca tenhas tido.

Deparo-me com muitas pessoas (eu inclusive) que conseguem dizer coisas tão acertadas e que por vezes a relação com elas mesmas é baseada em pensamentos e conversas interiores que ficaríamos chocados se víssemos alguém tratar assim alguém.

Gostava de te pedir para pensares sobre isto. Como te tens tratado? Quais são os pensamentos que tens sobre ti? O que dizes a ti mesmo que mereces?

Tudo leva o seu tempo a mudar, mas não fará sentido começarmos a ser mais pacientes e gentis connosco?

Como queremos que as coisas que mais desejamos venham até nós se nem mesmo nós acreditamos nelas?

Será que faz sentido ultra protegermo-nos para não cairmos em vez de cairmos para nos transformarmos? Eu acredito que sim.

Quando emanas a energia daquilo em que realmente acreditas, tudo vem até ti.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.”

 

Texto de Marta Pico do COA

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Palavras e Fotografia

Em ti.

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Despenteia-me as noites e amanhece em mim,

Antes que o sol se erga sobre as ideias,

Antes que dos dias sobre apenas estilhaços do que somos ou quisemos ser… um dia.

E abraça-me, abraça-me muito e não me largues.

Já que dos teus braços nasce o prazer que envolve os meus dias de ternura.

Já que é nesse aperto que me afagas os dias… a vida.

Não me largues, e eu serei eu…

Em cada anoitecer,

Inventando-me com raios de sol. Contigo. Em ti.

 

Texto de Joana Almeida

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Psicologia

Sobre o stress e as suas consequências.

Olá caro leitor, espero que este verão esteja a ser do seu agrado. Dado que já entrámos no período em que muitos milhares de portugueses tiram o seu tempo de descanso para recuperar das pressões do seu dia-a-dia, decidi escrever um pouco sobre este assunto que tantas vezes ouvimos (corriqueiramente) falar. O termo “stress” é hoje em dia um vocábulo típico da nossa língua, é fácil ouvi-lo ou invocá-lo ao mínimo indício de situações de pressão. A psicologia e as restantes ciências da saúde têm vindo a alertar para os seus efeitos adversos, em situações prolongadas, e hoje em dia não escasseiam as opções com vista à sua eliminação. Mas pergunto-lhe então: O que é o stress? Será um estado emocional? Ou uma reacção física que temos a determinadas situações que exigem mais de nós? Serão todas as reacções de stress iguais? Serão também todas nocivas? Vejamos então:

Que coisa é essa a que chamamos “Stress”?

Embora inicialmente o Stress tenha sido visto como puramente biológico, a psicologia avançou o seu estudo mostrando que – dado que não é um fenómeno comum e igual em todas as pessoas – existem diferenças psicológicas que são importantes a ter em conta. Hoje em dia sabemos que, grosso modo, o stress surge quando uma situação é vista como demasiado exigente face aos recursos (internos ou externos) que temos para lidar com ela. Se o leitor se está a questionar “E como se expressa ele?” podemos dizer que através dos nossos pensamentos (Ex. “Estou sempre a fazer tudo mal”, “Vou ser prejudicado com isto”, entre outros), Comportamentos (poderemos ficar mais agitados, tender a discutir mais e a descarregar em terceiros), Emoções (Raiva, medo, ansiedade, angústia, irritação) ou nas nossas reacções corporais (Aumento da transpiração, sensação de falta de ar, dores e tensão muscular constante, por exemplo). Por motivos de espaço, dado que não me poderei alargar, concluo com uma ideia que quero partilhar com o leitor: Em situações prolongadas e com intensidade constante, a exposição ao stress predispõe-nos a desenvolver um vastíssimo conjunto de doenças físicas e mentais, compromete a qualidade de vida e faz-nos envelhecer mais cedo. Por essa razão, se queremos zelar pela nossa saúde, olhar para esta questão pode ser importante. Abaixo seguem algumas indicações:

Algumas recomendações

  1. Pare por um instante e reflicta: O que é mais comum em si em situações exigentes?

Como pudemos ver, as reacções de stress que cada um apresenta são relativamente diferentes de pessoa para pessoa. Por essa razão não  há um perfil típico que seja aplicável a todos nós, mas sim um conjunto de reacções que podem estar mais ou menos presentes conforme a pessoa.

  1. Esteja atento aos sinais que o corpo e a mente lhe dão.

Pessoalmente, o meu primeiro indicador de uma situação potencialmente stressante é o súbito arrefecimento das minhas mãos – mas este sinal esteve durante bastante tempo fora da minha capacidade de reconhecer os sinais. Pense no seu organismo como um termómetro: Podem existir reacções mais insignificantes que lhe sinalizam que está a ficar sob pressão e perante exposição prolongada poderá começar a notar outras manifestações mais acentuadas. O primeiro passo para que possamos olhar por nós passa por saber quais são os nossos sinais de stress e conseguir nota-los à medida que surgem.

  1. Que soluções o revigoram?

O que resulta para si? Descansar? Falar com alguém sobre as situações mais difíceis? Fazer algo de forma diferente? Parar por um instante e dedicar-se àquela coisa que adora fazer? É importante perceber quais são as actividades que nos fazem sentir recompensados e reestabelecidos, pois elas podem servir como uma maneira de recuperar do desgaste que as situações mais difíceis nos podem trazer. Poderá ser útil ao leitor criar uma lista de opções para “recarregar baterias” –  é no entanto importante que lhes dedique algum tempo e atenção regulares, pois recorrer a elas apenas esporadicamente poderá não ser suficiente para o ajudar.

  1. A situação é recorrente? Se sim, considere em procurar um profissional especializado.

Como referi há pouco, se existem circunstâncias na sua vida que estão a interferir significativamente com o seu bem-estar e a que leitor sente que está sistematicamente a retornar, poderá ser um sinal de que é necessário analisar a situação com a ajuda de um especialista. Um psicólogo poderá ser uma ajuda preciosa para o ajudar a voltar a sentir-se de novo restabelecido e com uma sensação de bem-estar continuamente renovada. Saiba também que nos dias de hoje sabemos que esse tipo de assistência profissional não necessita de ser muito prolongado para lhe trazer benefícios, pelo que poderá negociar com o profissional a que recorrer um tempo que lhe pareça sensato para dar resposta à situação que o levou a recorrer a uma ajuda especializada.

Vá de férias sem stresses

Se se identifica com algumas das coisas que aqui partilhei, caro leitor, poderá esta ser uma oportunidade para reflectir sobre a atenção que está a dedicar ao seu estado de saúde e bem-estar. Caso conheça alguém nesta situação, sinta-se à vontade para partilhar o texto ou fazer algumas das recomendações que aqui deixei. Esta é uma questão de saúde pública e como tal será tanto mais útil quanto maior número de pessoas alcance. Quero no entanto fazer uma última ressalva: nem todo o stress é necessariamente mau para o nosso organismo. Em algumas situações ajuda-nos a funcionar mais eficazmente, contudo, devemos estar atentos ao momento em que este deixa de nos ajudar e nos passa a encostar à parede – fazendo-nos ter maiores dificuldades em funcionar no dia-a-dia ou levando a que a nossa saúde física e mental possa ficar comprometida. Se já foi de férias, espero que se sinta como novo neste momento, caso ainda não tenha ido, desejo-lhe que seja um momento verdadeiramente reparador para si.

 

Bibliografia:

Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. Nova Iorque: Springer

Pires, R, M, B. (2018) Avaliação Da Eficácia De Um Programa De Intervenção Para A Gestão Do Stresse Em Enfermeiros De Cuidados Continuados (Dissertação de Mestrado). Retirado de: http://dspace.uevora.pt/rdpc/handle/10174/23170

 

Texto de Rodrigo Pires

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Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – VII (Parte I)

Eu tinha 6 anos.

Estava um dia de sol e de calor e íamos dar uma das nossas voltas pelo bairro. Saíamos de casa de mãos dadas, tu com o teu boné na cabeça e eu com o meu, que levava sempre muito contrariada. Subíamos a rua e eu observada os cães dos vizinhos que latiam à nossa passagem. Lembro-me de pensar que nos estavam a dizer olá, e sorria enquanto lhe acenava com a minha mãozinha pequenina. Enquanto subia a rua, sentia os raios de sol tocarem-me a pele das costas que espreitava por entre as alças do meu top branco, ouvia as cães a latir e os pássaros. Ao cimo da rua virávamos à esquerda e seguíamos caminho. Olhei para o chão e estava uma cobra a passar à nossa frente.

– Avô! Uma cobra! – dizia assustada ao mesmo tempo que te agarrava a mão com mais força.

– Não faz mal. Ela tem mais medo de ti do que tu dela! – disseste tu com um sorriso.

Com uma enorme rapidez tiravas o boné, pegavas na cobra e atirava-la para o mato. Eu admirava a tua coragem. Uma vez vimos uma tão grande que me agarrei ao teu braço. Tu repetiste o gesto de sempre e disseste:

-Anda cá ver! Não tenhas medo.

Eu aproximei-me devagar. Tinhas a cobra nas mãos como que morta. Quis tocar para saber o que se sentia. Lembro-me que parecia escorregadia e era fria! Tirei a mão muito depressa pela estranheza daquela sensação. Tu rias. Aquele sorriso ternurento que sempre te conheci.

– Vês, não te faz mal nenhum. As cobras aqui não são venenosas e têm mais medo das pessoas do que as pessoas deviam ter delas. E para além disso são óptimas para apanhar os ratos. – disseste enquanto me olhavas nos olhos, transmitindo uma segurança que nunca senti nos olhos de mais ninguém.

Atiraste-a para o mato, deste-me a mão e continuámos o nosso passeio. Talvez por isso ainda hoje adore cobras.

Lembro-me de pararmos sempre para cumprimentar os vizinhos. Não havia quem não te conhecesse.”Olhó ti Jaime” diziam eles com um sorriso enquanto estendiam a mão. “Estás uma mulherzinha”, diziam quando me viam ao teu lado. Eu encolhia-me ao lado da tua perna na esperança de passar despercebida.

Gostava daqueles passeios contigo. Gostava de ser criança naquele momento. Perguntava-te pelas pessoas, quem eram, o que faziam e em qual das casas é que viviam. Dizias-me os nomes e os graus de parentesco de quem vivia em cada casa por onde passávamos e eu criava histórias de encantar na minha imaginação. Conhecias toda a gente e toda a gente gostava de ti.

Ali, de mão dada contigo, ou simplesmente a caminhar ao teu lado, sentia que ninguém me podia fazer mal porque tu nunca ias deixar. Ali criava histórias de encantar e contos de fadas. Ali aprendia coisas sobre a vida, sobre o amor e sobre a amizade. Aprendia sobre paciência, resiliência e simpatia. Ali era feliz.

Os anos passaram e os passeios foram deixando de acontecer. Hoje faço longos passeios contigo nas minhas memórias,choro e sorrio ao mesmo tempo,pela saudade e por ter tido a oportunidade de viver todos estes momentos contigo!

Quando preciso de encontrar o meu centro saio de casa e vou dar esse mesmo passeio. As pessoas já não são as mesmas, já não param para cumprimentar e já não lhes sei os nomes nem os graus de parentesco, os cheiros mudaram muito, mas continuo a ouvir o latir dos cães à minha passagem e o chilrear dos passarinhos e de vez em quando até aparecem cobras.

Nesses momentos caminho sozinha, mas é como se ali estivesses ao meu lado. De novo a ensinar-me sobre a paciência, sobre a calma e sobre o que é realmente importante na vida. De novo a fazer-me sentir que vai tudo correr bem e que tanto as cobras, como algumas pessoas “elas têm mais medo de mim do que eu delas”.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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Coaching e Desenvolvimento Pessoal

“A única forma de te encontrares é perderes-te primeiro.”

Quando comecei o meu processo de desenvolvimento estava longe de pensar que ia fazer-me tão bem ou que ia transformar-me tanto. Quando decidi que queria fazer mais por mim nem estava bem consciente das mudanças maravilhosas que viriam com isso. A frase que dá título a este meu primeiro texto sempre me marcou muito e hoje em dia entendo-a ainda melhor.

No início é duro. Não posso iludir-vos. Mas temos de perceber que a mudança implica remexer em algumas feridas. Implica reaprender, reanalisar, resignificar, “re-re-re” muita coisa. Muitas delas já nem nos lembramos que estão dentro de nós.

O que mais aprendi foi que ter um muro à nossa frente, não traz nada de positivo. Mas acreditamos tanto que com ele nos protegemos de tudo o que existe de mau que ele acaba por ficar cada vez maior.

Agora gostava de te perguntar…desde quando é que é agradável esconder o quanto de bom existe em nós só porque nos podemos eventualmente magoar? As emoções são o que dá alento e cor à vida. Não interessa se são “boas” ou “menos boas”, interessa que mudes o teu olhar sobre elas. Uma vez que o faças, entendes que aquelas menos boas te ensinam muito. Entendes que sem elas nem desfrutas das boas, porque já não tens termo de comparação.

Deixa que o mundo te surpreenda, deixa que a vida te vá levando. E deixares-te levar, não é ficares parado no tempo. É viveres uma vida da qual tiras o melhor proveito. É descobrires-te a cada momento. É acreditares e confiares que aconteça o que acontecer, vais conseguir sempre ver os ensinamentos que podes tirar de tudo o que te acontece.

Não sou demasiado optimista! Sou é demasiado apaixonada pela vida. Vida que me foi concedida para que tire dela e do que me rodeia, o melhor que existe. Estou longe de saber tudo e, no entanto, cada vez mais perto de me encontrar. Quando te valorizas, quando te conheces, descobres qual é o teu propósito. Compreendes que todos temos algo a acrescentar e que (auto)-conhecimento não tem fim. E que bom!

Disse-me uma vez uma pessoa muito sábia que tinha de fazer dos meus buracos um trampolim. Que posso cair, na certeza que voltarei mais forte. Que ter emoções e vivê-las faz parte, vejam bem! Acreditei e confiei de tal forma que hoje sei que o meu propósito é ajudar pessoas a entenderem o mesmo. Aceitar que podes ser o que quiseres é no mínimo assustador, eu sei! Porque aí a responsabilidade aumenta. Aí vais ter mesmo que andar para a frente e sair da zona confortável, de te vitimizares e culpares o mundo por algo que é TUA responsabilidade – seres a tua melhor versão.

Sempre foi mais fácil fazer conversa fiada, reclamar da vida e colocar as culpas em alguém. Sei tão bem! Já lá estive e nesse campo, acreditem, era uma expert. Hoje em dia comprometo-me a responsabilizar-me 100% pela minha vida. Sem desculpas nem muros.

Viver é uma bênção e quero ser um orgulho para mim. Quero partilhar aquilo que sou e quero aprender mais e mais. Cada pessoa que se cruza no meu caminho não aparece por acaso. Por isso mantenho-me alerta para o que posso aprender em cada situação.

Espero que a cada dia te descubras um pouco mais, te apaixones um pouco mais, abraces e sorrias um pouco mais. Apaixona-te pela vida todos os dias e diz-lhe tantas e quantas vezes forem necessárias o quanto és apaixonado por ela. Porque querendo ou não, a vida é como os votos de casamento, para o bem e para o mal. E com o bem (quase) todos sabemos lidar.

Texto de Marta Pico do COA

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Palavras e Fotografia

Aquela Casa

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Adormece-me a alma devagar, que o dia de hoje se prolonga pelas noites que já não durmo.

Adormece-me sempre que houver demora na recolha que fazemos pelas horas.

Sempre que o amor se espalhe pelos dias, como aquela luz que entrava pelas brechas dos estores da casa velha.

Tenho saudades daquela casa, sabes? Quando o mundo se resumia a nós e tudo o que existia para além disso era apenas pó… montes e montes de pó.

 

Texto de Joana Almeida

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Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – V (Parte II)

Estava calor.

Eu tinha talvez uns quatro ou cinco anos e tu estavas a tirar do saco a minha piscina de plástico. Eu dava pulos e gargalhadas de excitação na expectativa do que aí vinha.

Enquanto o avô abria a piscina, eu e tu colocávamos no chão o cobertor que servia para que a piscina não fosse furada pelas pedras do chão.

Colocavam a piscina em cima do cobertor e eu saltava lá para dentro munida do meu fato de banho roxo e da minha bóia de cintura que servia apenas para acrescentar à diversão.

Pegavas na mangueira e abrias a água. O som da água a correr misturava-se com as minhas gargalhadas e com o chapinhar das minhas pequenas e rechonchudas mãos. Ao mesmo tempo, dançava de felicidade. Imagina, pequenina, de barriguinha rechonchuda rodeada pela bóia de cintura a dar saltinhos de alegria e abanar os braços.

Tu rias, como tão poucas vezes te vi fazer.

– Senta-te filha. Já tens água que chegue para brincar. – dizias tu com o olhar brilhante, ainda que sempre envolvido pela tristeza de todas as tuas perdas.

As saudades que tenho desse olhar que era tão raro. O quanto eu desejei que ele se tornasse mais frequente…Mas a verdade é que por mais que fizesse, por mais que tentasse não conseguia fazê-lo aparecer mais vezes.

Eu sentava-me com a minha bóia azul e branca pontuada com desenhos de bolas de praia coloridas, e ria!

À minha volta andava sempre a nossa cadela Pastor Alemão, a Farrusca. Lembro-me de ter cães desde que me lembro de ser gente, de também eles serem a minha companhia.  Ainda hoje os tenho. São uma espécie de botão de memória para um passo mais ou menos feliz. Recordo-me que por vezes ela se aproximava da piscina para beber água e tu a afastavas, como que para me proteger.

Tu pegavas na água com as mãos enrugadas em concha e molhavas-me a cabeça.

– Tens que molhar a cabeça. O sol está muito quente e depois ficas doente e temos que ir à Senhora Doutora.

Eu aceitava de bom agrado a água fresca que me escorria pelo cabelo curto e pelos ombros. O sol estava, de facto, muito quente e queimava-me a pele frágil mas ávida daquele calor.

Deixavas a água encher a piscina e desligavas a mangueira que o avô voltava agilmente a enrolar. Lembro-me de ficares ali comigo a observar cada gesto. Penso que aqueles eram os poucos momentos em que estavas feliz…ou pelo menos em que a tua tristeza era abafada pelo som das minhas gargalhadas.

Na altura não sabia, mas hoje penso “só por isso já valia a pena rir”.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

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