Memórias e Fotografia

[Se…]

Se te dissesse, baixinho…
Entre a brincadeira e o tom sério
de quem brinca com o destino
E é assolado de inquietude,
que a loucura é um pé-de-vento que se aproxima ao anoitecer
Paravas, por uns segundos?
Se eu te falasse, baixinho…
De sonhos sem significado
Do que se alimenta o medo
Da caminhada sobre a linha fina
que divide o Amor do resto
Paravas, por uns minutos?
Se te contasse, baixinho…
Que em cada esquina,
Em cada canto,
Em cada gota que se esgota no peito,
Surge uma palavra, surge um poema
Ainda que torto, ainda que incerto
Paravas, por umas horas?
Se baixinho te dissesse,
Que ninguém quer o que não entende
E um bolso vazio não serve para guardar a noite.
Se te dissesse…
Paravas, o tempo?

 

Texto de Joana Almeida

IMG_7718