Coaching e Desenvolvimento Pessoal

“A única forma de te encontrares é perderes-te primeiro.”

Quando comecei o meu processo de desenvolvimento estava longe de pensar que ia fazer-me tão bem ou que ia transformar-me tanto. Quando decidi que queria fazer mais por mim nem estava bem consciente das mudanças maravilhosas que viriam com isso. A frase que dá título a este meu primeiro texto sempre me marcou muito e hoje em dia entendo-a ainda melhor.

No início é duro. Não posso iludir-vos. Mas temos de perceber que a mudança implica remexer em algumas feridas. Implica reaprender, reanalisar, resignificar, “re-re-re” muita coisa. Muitas delas já nem nos lembramos que estão dentro de nós.

O que mais aprendi foi que ter um muro à nossa frente, não traz nada de positivo. Mas acreditamos tanto que com ele nos protegemos de tudo o que existe de mau que ele acaba por ficar cada vez maior.

Agora gostava de te perguntar…desde quando é que é agradável esconder o quanto de bom existe em nós só porque nos podemos eventualmente magoar? As emoções são o que dá alento e cor à vida. Não interessa se são “boas” ou “menos boas”, interessa que mudes o teu olhar sobre elas. Uma vez que o faças, entendes que aquelas menos boas te ensinam muito. Entendes que sem elas nem desfrutas das boas, porque já não tens termo de comparação.

Deixa que o mundo te surpreenda, deixa que a vida te vá levando. E deixares-te levar, não é ficares parado no tempo. É viveres uma vida da qual tiras o melhor proveito. É descobrires-te a cada momento. É acreditares e confiares que aconteça o que acontecer, vais conseguir sempre ver os ensinamentos que podes tirar de tudo o que te acontece.

Não sou demasiado optimista! Sou é demasiado apaixonada pela vida. Vida que me foi concedida para que tire dela e do que me rodeia, o melhor que existe. Estou longe de saber tudo e, no entanto, cada vez mais perto de me encontrar. Quando te valorizas, quando te conheces, descobres qual é o teu propósito. Compreendes que todos temos algo a acrescentar e que (auto)-conhecimento não tem fim. E que bom!

Disse-me uma vez uma pessoa muito sábia que tinha de fazer dos meus buracos um trampolim. Que posso cair, na certeza que voltarei mais forte. Que ter emoções e vivê-las faz parte, vejam bem! Acreditei e confiei de tal forma que hoje sei que o meu propósito é ajudar pessoas a entenderem o mesmo. Aceitar que podes ser o que quiseres é no mínimo assustador, eu sei! Porque aí a responsabilidade aumenta. Aí vais ter mesmo que andar para a frente e sair da zona confortável, de te vitimizares e culpares o mundo por algo que é TUA responsabilidade – seres a tua melhor versão.

Sempre foi mais fácil fazer conversa fiada, reclamar da vida e colocar as culpas em alguém. Sei tão bem! Já lá estive e nesse campo, acreditem, era uma expert. Hoje em dia comprometo-me a responsabilizar-me 100% pela minha vida. Sem desculpas nem muros.

Viver é uma bênção e quero ser um orgulho para mim. Quero partilhar aquilo que sou e quero aprender mais e mais. Cada pessoa que se cruza no meu caminho não aparece por acaso. Por isso mantenho-me alerta para o que posso aprender em cada situação.

Espero que a cada dia te descubras um pouco mais, te apaixones um pouco mais, abraces e sorrias um pouco mais. Apaixona-te pela vida todos os dias e diz-lhe tantas e quantas vezes forem necessárias o quanto és apaixonado por ela. Porque querendo ou não, a vida é como os votos de casamento, para o bem e para o mal. E com o bem (quase) todos sabemos lidar.

Texto de Marta Pico do COA

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Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? Algumas reflexões sobre a mudança.

Olá de novo caro leitor, bom ano novo! É frequentemente nesta altura que nos encontramos a planear os próximos 365 dias, alguns traçam até objectivos para a atingir no ano vindouro (as chamadas “Resolutions” pelos anglo saxónicos) e por essa razão iremos hoje debruçar-nos sobre o conceito da mudança.

A mudança é um conceito central em psicologia e em psicoterapia. Porém, no mundo académico ainda hoje nos debruçamos sobre a pergunta “Como mudam as pessoas?”. Existem hoje diversas teorias que tentam explicar esse fenómeno e hoje apresento uma que nos poderá ajudar a pensar um pouco sobre “O que é mudar?”.

O modelo em questão denomina-se “O Modelo Transteórico dos Estágios de Mudança” e foi criado por James Prochaska e Carlo DiClemente, dois psicólogos norte americanos. Actualmente, este é um dos modelos mais conhecidos da mudança e defende que a mudança é um processo que ocorre por intermédio de um conjunto de etapas pelas quais um individuo passa. São elas [1]:

  1. Pré contemplação – não existe uma intenção de mudar num futuro próximo.
  2. Contemplação – Inicio do reconhecimento da necessidade de mudança e ponderação dos prós e dos contras da mesma.
  3. Preparação para Acção – Preparação para iniciar a mudança; começo dos primeiros passos na sua concretização.
  4. Acção – A pessoa toma passos concretos para alterar o seu comportamento ou desenvolver novos hábitos mais saudáveis.
  5. Manutenção – A acção mantém-se há pelo menos seis meses e existe um investimento na prevenção da recaída.
  6. Recaída – Existe uma regressão para fases anteriores do processo de mudança.

Devemos pensar nas seguintes etapas como parte de um ciclo. Idealmente, a mudança conclui-se na fase da manutenção, onde se consolida até se tornar um novo hábito. O facto da recaída ser mencionada por este modelo não significa que ela ocorra sempre, mas sim que pode ser uma consequência possível do processo da mudança (ex. – alguém que volta a fumar após décadas de abstinência).

Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a mudança

Coloquemos agora a teoria de parte e façamos agora a questão que realmente importa: “Em que é que isto me pode ser útil?”. Na minha opinião, o leitor está perante um bom exercício mental que poderá realizar consigo mesmo em qualquer altura em que deseje mudar algo em si. Como? Em seguida explicarei:

Se bem se lembra, comecei por falar nas resoluções de ano novo no início deste texto porque muitos de nós começam o ano com aspectos da sua vida que desejam melhorar. No entanto, no plano das nossas ideias as coisas correm sempre de forma mais fácil do que na prática e muitas vezes acabamos por desistir de mudar coisas que gostaríamos, ou reorientar os nossos desejos de modo a atingir um nível intermédio entre o nosso estado inicial e o nosso estado ideal.

O importante é perceber que a mudança é um processo e não um estado. Ou seja, não passamos de estar “não mudados” para “plenamente mudados”. A mudança é gradual, implica esforço, tentativas, falhas, mas também sucessos. Implica começar a desenvolver esforços para chegar onde queremos e acima de tudo, perceber aquilo que resulta para nós. Por essa razão, a mudança não é um processo igual para todos, algumas pessoas terão mais facilidade em trabalhar sobre determinados aspectos, outros nem tanto, mas isso não significa que seja impossível mudar. Acima de tudo, se queremos mudar algo em nós mas por alguma razão nos sentimos constantemente a regressar à estaca zero, talvez seja um sinal de que precisamos de ajuda a chegar onde queremos.

É aqui que a Psicologia pode entrar ao serviço do leitor. As intervenções psicológicas (nas quais se inserem a psicoterapia, por exemplo e na qual temos vindo a falar nos últimos tempos) são uma ferramenta que se encontra ao serviço do cliente para o guiar na direcção que mais lhe aprouver: Seja uma mudança com vista ao próprio bem-estar, à alteração de formas de pensar, sentir ou agir, padrões de relacionamento, adopção de novos hábitos de vida, mudança de carreira, melhor gestão do tempo, conciliação entre o trabalho e a família e muitas outras finalidades. Como já referi outras vezes por aqui: se o leitor está em dúvida ou com dificuldades, consulte um psicólogo!

Em suma, as mensagens que pretendo passar ao leitor com esta pequena rúbrica são:

  1. Mudar implica um processo contínuo de investimento nos nossos objectivos.
  2. No entanto, a mudança é algo em constante transformação: Poderemos estar plenamente motivados em alguns momentos, noutros poderemos ver-nos tentados a deixar o progresso que já alcançámos. Para além disso, existirão alturas em que mudar será mais fácil do que noutras. Tudo isso é normal e faz parte do processo.
  3. O processo de mudar algo em nós não é universal: algumas pessoas terão mais dificuldades do que outras em determinadas áreas, ou até, em fases diferentes do processo. É importante que não nos deixemos levar por comparações com terceiros ou até com as nossas próprias expectativas sobre o que seria “o ideal” para nós.
  4. A mudança é uma aprendizagem: Através dos nossos esforços e/ou do apoio de outros vamos aprendendo o que nos ajuda a chegar onde queremos e o que não resulta para nós.
  5. Por vezes podemos querer mudar coisas que fazem parte de nós e da nossa vida mas reparar que voltamos constantemente à estaca zero. Nestes casos poderá ser uma boa altura para procurar o auxílio de um profissional especializado que nos ajude a chegar onde queremos.

Referências:

  1. Prochaska, J., O. & Prochaska, J., M. (2016). Changing to thrive: Using the Stages of Change to Overcome the Top Threats to your Health and Happiness. Minnesota: Hazelden Publishing.

 

Texto de Rodrigo Pires

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