Coaching e Desenvolvimento Pessoal

“A única forma de te encontrares é perderes-te primeiro.”

Quando comecei o meu processo de desenvolvimento estava longe de pensar que ia fazer-me tão bem ou que ia transformar-me tanto. Quando decidi que queria fazer mais por mim nem estava bem consciente das mudanças maravilhosas que viriam com isso. A frase que dá título a este meu primeiro texto sempre me marcou muito e hoje em dia entendo-a ainda melhor.

No início é duro. Não posso iludir-vos. Mas temos de perceber que a mudança implica remexer em algumas feridas. Implica reaprender, reanalisar, resignificar, “re-re-re” muita coisa. Muitas delas já nem nos lembramos que estão dentro de nós.

O que mais aprendi foi que ter um muro à nossa frente, não traz nada de positivo. Mas acreditamos tanto que com ele nos protegemos de tudo o que existe de mau que ele acaba por ficar cada vez maior.

Agora gostava de te perguntar…desde quando é que é agradável esconder o quanto de bom existe em nós só porque nos podemos eventualmente magoar? As emoções são o que dá alento e cor à vida. Não interessa se são “boas” ou “menos boas”, interessa que mudes o teu olhar sobre elas. Uma vez que o faças, entendes que aquelas menos boas te ensinam muito. Entendes que sem elas nem desfrutas das boas, porque já não tens termo de comparação.

Deixa que o mundo te surpreenda, deixa que a vida te vá levando. E deixares-te levar, não é ficares parado no tempo. É viveres uma vida da qual tiras o melhor proveito. É descobrires-te a cada momento. É acreditares e confiares que aconteça o que acontecer, vais conseguir sempre ver os ensinamentos que podes tirar de tudo o que te acontece.

Não sou demasiado optimista! Sou é demasiado apaixonada pela vida. Vida que me foi concedida para que tire dela e do que me rodeia, o melhor que existe. Estou longe de saber tudo e, no entanto, cada vez mais perto de me encontrar. Quando te valorizas, quando te conheces, descobres qual é o teu propósito. Compreendes que todos temos algo a acrescentar e que (auto)-conhecimento não tem fim. E que bom!

Disse-me uma vez uma pessoa muito sábia que tinha de fazer dos meus buracos um trampolim. Que posso cair, na certeza que voltarei mais forte. Que ter emoções e vivê-las faz parte, vejam bem! Acreditei e confiei de tal forma que hoje sei que o meu propósito é ajudar pessoas a entenderem o mesmo. Aceitar que podes ser o que quiseres é no mínimo assustador, eu sei! Porque aí a responsabilidade aumenta. Aí vais ter mesmo que andar para a frente e sair da zona confortável, de te vitimizares e culpares o mundo por algo que é TUA responsabilidade – seres a tua melhor versão.

Sempre foi mais fácil fazer conversa fiada, reclamar da vida e colocar as culpas em alguém. Sei tão bem! Já lá estive e nesse campo, acreditem, era uma expert. Hoje em dia comprometo-me a responsabilizar-me 100% pela minha vida. Sem desculpas nem muros.

Viver é uma bênção e quero ser um orgulho para mim. Quero partilhar aquilo que sou e quero aprender mais e mais. Cada pessoa que se cruza no meu caminho não aparece por acaso. Por isso mantenho-me alerta para o que posso aprender em cada situação.

Espero que a cada dia te descubras um pouco mais, te apaixones um pouco mais, abraces e sorrias um pouco mais. Apaixona-te pela vida todos os dias e diz-lhe tantas e quantas vezes forem necessárias o quanto és apaixonado por ela. Porque querendo ou não, a vida é como os votos de casamento, para o bem e para o mal. E com o bem (quase) todos sabemos lidar.

Texto de Marta Pico do COA

25395873_2055312601418769_3900300024773965336_n

 

 

https://www.facebook.com/COA.MOVEMENT/

https://www.instagram.com/coa.movement/

 

Palavras e Fotografia

Aquela Casa

IMG_20180613_210641

 

Adormece-me a alma devagar, que o dia de hoje se prolonga pelas noites que já não durmo.

Adormece-me sempre que houver demora na recolha que fazemos pelas horas.

Sempre que o amor se espalhe pelos dias, como aquela luz que entrava pelas brechas dos estores da casa velha.

Tenho saudades daquela casa, sabes? Quando o mundo se resumia a nós e tudo o que existia para além disso era apenas pó… montes e montes de pó.

 

Texto de Joana Almeida

IMG_7718

Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? O mais importante.

Olá de novo caro leitor, hoje farei a última rúbrica sobre a primeira série de textos ligados ao conceito de auto-cuidado. É comum encontrar quem nos tente vender a felicidade como um objectivo supremo de vida. São vários os produtos que nos chegam com promessas de melhoria radical das nossas vidas. Contudo, alguns psicólogos defendem que a felicidade não é a única coisa que pode dar cor à nossa existência. Certos acontecimentos ou hábitos podem ser a antítese total da felicidade e ainda assim algumas pessoas persistirão neles pelo sentido por eles atribuído às suas vidas. A investigação tem mostrado que a sensação de viver uma vida plena de sentido é uma preocupação central dos seres humanos (Baumeister citado por Park & Baumeister, 2017) que está associada ao bem-estar (Ho, Cheung & Cheung, 2010) e uma maior resistência a stressores (Park & Baumeister, 2017). Por esta razão, defendo que estar em contacto com as fontes de sentido – que fazem com que sintamos que a vida que levamos vale a pena – pode ser uma forma de nutrirmos a nossa vida.

Onde encontrar as nossas fontes de sentido?

De facto, esta é a verdadeira questão que intriga os investigadores. Embora pareçam existir várias formas de encontrar sentido nas nossas vidas, uma corrente de pensamento dentro da psicologia defende que uma vida tem significado quando vivida de acordo com os próprios valores. Antes de passarmos a aprofundar esta ideia, apresento-lhe a terapia de aceitação e compromisso (doravante, ACT). Friso ainda que dado que não possuo formação formal neste modelo e por essa razão, esta publicação é apenas informada pela ACT. Caso o leitor tenha mais interesse em trabalhar aspectos da sua vida através deste modelo, recomendo-lhe que procure um profissional devidamente especializado.

Valores: O que são?

Numa perspectiva de ACT, falar em valores não significa falar de aspirações, objectos ou sentimentos, mas sim das qualidades pessoais através das quais nos queremos definir (Brown & Gillard, 2016). Para melhor explicar este termo, cito também Ray Owen, terapeuta ACT sediado no Reino Unido (Lucas, 2017), que defende que os valores se referem “à forma como queremos actuar no mundo. São as coisas que ajudam a reforçar a nossa forma de estar”. Nesse sentido, os valores podem cumprir uma função de bússola orientadora: Ao clarificá-los, podemos ter uma ideia de como queremos comportar-nos e actuar perante a vida (Brown & Gillard, 2016), ajudando assim a organizá-la – especialmente quando as nossas circunstâncias se alteram. Por exemplo, se um dos meus valores for “A sustentabilidade ambiental” posso começar a tomar acções congruentes com o mesmo, começando a reciclar, participando em activismo ambiental e tomando escolhas de vida mais sustentáveis (Brown & Gillard, 2016).

 Implicações práticas

Clarificar e actuar em função dos próprios valores pode nem sempre significar ter como finalidade “sentir-se bem” ou “Ser feliz”, mas sim agir em função das qualidades que mais nos importam a cada um de nós. Provavelmente o leitor poderá estar a questionar-se “mas como perceber quais os meus valores?”, nesse caso, se estiver disposto a reflectir sobre o assunto convido-o a seguir as recomendações de Owen (Lucas, 2017): “A menos que estejamos realmente focados no que se passa à nossa volta, todo o conceito de valores não passa de uma ideia abstracta. Por essa razão, o mais importante é desenvolver a nossa capacidade de estar consciente e conseguir reparar nos nossos pensamentos e sentimentos, pois só assim conseguiremos fazer a ligação entre os nossos comportamentos e os nossos valores”.

Se tem acompanhado esta série de textos centrados nas questões do auto-cuidado poderá reparar que Owen está, no fundo, a convidar-nos a desenvolver atenção plena ao nosso redor de modo a que consigamos estar em contacto com aquilo que mais importante é para nós e, consequentemente, possamos sentir o quão significativo isso é. Para terminar, estas três rúbricas são de certo modo, complementares: Em primeiro lugar, convidei o leitor a desenvolver a sua capacidade de atenção plena como forma de aumentar a consciência das suas necessidades e limites. Em segundo lugar, falei ao leitor da importância das relações com os outros e do quanto a nossa vida gira muitas vezes em redor dos grupos de pessoas com quem vamos tendo contacto ao longo da nossa vida. De facto, é também nesta dimensão social que surgem as oportunidades de experienciar aquilo que mais significativo pode ser para cada um de nós. Por essa razão terminei esta série falando sobre valores, desafiando o leitor a reflectir sobre quais são as qualidades que mais gostaria que o definissem – bem como desafiando-o a cultivá-las. Por último, durante a próxima semana, convido o leitor a procurar prestar atenção aos momentos que lhe trazem alegria e felicidade e pergunte-se a si mesmo “Neste momento em que estou, o que é o mais importante para mim?” (Lucas, 2017).

Referências Bibliográficas:

Brown, F., J. & Gillard, J. (2016) Acceptance and Commitment for Dummies. Chichester, West Sussex: John Wiley & Sons Ltd.

Ho, M. Y., Cheung, F. M., & Cheung, S. F. (2010). The role of meaning in life and optimism in promoting well-being. Personality and individual differences48(5), 658-663.

Jim Lucas, JL. (2017). Getting deeper with Values and what you truly care about. Open Forwards. Retirado de: http://www.openforwards.com/podcast/self-help-sat-nav/14-getting-deeper-with-values-ray-owen/

Park, J., & Baumeister, R. F. (2017). Meaning in life and adjustment to daily stressors. The Journal of Positive Psychology12(4), 333-341.

 

Texto de Rodrigo Pires

22014678_872304129590238_88610556_n

 

 

 

rodrigopiresuevora@hotmail.com

Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – V (Parte II)

Estava calor.

Eu tinha talvez uns quatro ou cinco anos e tu estavas a tirar do saco a minha piscina de plástico. Eu dava pulos e gargalhadas de excitação na expectativa do que aí vinha.

Enquanto o avô abria a piscina, eu e tu colocávamos no chão o cobertor que servia para que a piscina não fosse furada pelas pedras do chão.

Colocavam a piscina em cima do cobertor e eu saltava lá para dentro munida do meu fato de banho roxo e da minha bóia de cintura que servia apenas para acrescentar à diversão.

Pegavas na mangueira e abrias a água. O som da água a correr misturava-se com as minhas gargalhadas e com o chapinhar das minhas pequenas e rechonchudas mãos. Ao mesmo tempo, dançava de felicidade. Imagina, pequenina, de barriguinha rechonchuda rodeada pela bóia de cintura a dar saltinhos de alegria e abanar os braços.

Tu rias, como tão poucas vezes te vi fazer.

– Senta-te filha. Já tens água que chegue para brincar. – dizias tu com o olhar brilhante, ainda que sempre envolvido pela tristeza de todas as tuas perdas.

As saudades que tenho desse olhar que era tão raro. O quanto eu desejei que ele se tornasse mais frequente…Mas a verdade é que por mais que fizesse, por mais que tentasse não conseguia fazê-lo aparecer mais vezes.

Eu sentava-me com a minha bóia azul e branca pontuada com desenhos de bolas de praia coloridas, e ria!

À minha volta andava sempre a nossa cadela Pastor Alemão, a Farrusca. Lembro-me de ter cães desde que me lembro de ser gente, de também eles serem a minha companhia.  Ainda hoje os tenho. São uma espécie de botão de memória para um passo mais ou menos feliz. Recordo-me que por vezes ela se aproximava da piscina para beber água e tu a afastavas, como que para me proteger.

Tu pegavas na água com as mãos enrugadas em concha e molhavas-me a cabeça.

– Tens que molhar a cabeça. O sol está muito quente e depois ficas doente e temos que ir à Senhora Doutora.

Eu aceitava de bom agrado a água fresca que me escorria pelo cabelo curto e pelos ombros. O sol estava, de facto, muito quente e queimava-me a pele frágil mas ávida daquele calor.

Deixavas a água encher a piscina e desligavas a mangueira que o avô voltava agilmente a enrolar. Lembro-me de ficares ali comigo a observar cada gesto. Penso que aqueles eram os poucos momentos em que estavas feliz…ou pelo menos em que a tua tristeza era abafada pelo som das minhas gargalhadas.

Na altura não sabia, mas hoje penso “só por isso já valia a pena rir”.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

14125715_1155467937809556_3378696756477860058_o

Palavras e Fotografia

SONHOS

IMG_20180515_231041

 

Todos os sonhos.
Repito.
Todos os meus sonhos, cosidos.
Os que costuro com cuidado, num ponto apertado, cerzido na pele que me dói por dentro, todos eles se cravam no meu peito, como uma tatuagem escolhida.
Não te sei explicar a importância da voz que se faz sentir, nem das imagens que, de quando a quando, me atropelam em sobressalto.
Acendo a luz e escrevo-te.
Mesmo em tons de mãos meio vazias, escrevo-te.
Um dia, esta desordem será somente luz a invadir a sombra que se faz sentir.

 

Texto de Joana Almeida

IMG_7718

Psicologia

Quer falar-me melhor sobre isso? Relações Sociais: O Inferno sem os Outros.

Uma das características que definiu a história evolutiva dos seres humanos, foi a sua propensão e aptidão para funcionar em pequenos grupos. Há centenas de milhares de anos atrás, a pertença a um grupo ditaria de forma quase certa, o futuro de um elemento da nossa espécie e o isolamento seria uma sentença de morte imediata. É esta a razão pela qual ouvimos frequentemente chamar ao Ser Humano, um “animal social”. Contudo, com o avanço das eras e das formas de vida em sociedade, é hoje consideravelmente diferente viver em grupo. O isolamento continua a estar presente na nossa sociedade, contudo, numa parte considerável das zonas em que habitamos não teremos predadores que possam ameaçar a nossa sobrevivência. Antes que respiremos todos de alívio perante esta constatação aparentemente optimista, a investigação científica tem mostrado que os efeitos da solidão estão bem para lá do que nos parece mais aparente.

A solidão no século XXI

O isolamento social é cada vez mais considerado um problema dos nossos dias, de tal maneira que até alguns países, como é o caso do Reino Unido, já criaram especificamente novos ministérios dedicados à sua erradicação. Mas porque é o isolamento social um problema tão importante e qual é a sua relevância para o leitor? Comecemos por analisar algumas evidências:

  1. O ambiente social tem influência na saúde psicológica dos seres humanos: Segundo o Inquérito Social Europeu (citado por Nós e os Outros), quem mantém boas relações com os outros apresenta maiores níveis de felicidade do que aqueles que não mantêm.
  2. O ambiente social tem influência na saúde física dos seres humanos: Aqueles que têm melhores relações com os outros tendem a ter menos doenças e uma maior esperança de vida comparativamente a quem não tem boas relações com os outros. Mais ainda, o isolamento social pode aumentar o risco de morte prematura em cerca de 45%. O que nos permite afirmar que, estar isolado e sentir-se sozinho é tão nocivo quanto fumar 15 cigarros por dia (Holt-Lundstad, Smith & Layton citado por Lima, 2018).
  3. Portugal é um dos países que apresenta maiores taxas de isolamento social. Estima-se que cerca de 22% dos portugueses com 65 ou mais anos viva sozinho. O inquérito social europeu de 2014 mostrou ainda que cerca de 12,5% dos Portugueses se sentiram na última semana, muitas vezes ou quase sempre sós. Embora nos jovens adultos este valor seja baixo, no caso dos mais velhos sobe para cerca de 18%, isto é, quase 1 em cada 5 portugueses com idade igual ou superior a 65 anos referiu sentir-se sozinho na grande maioria do tempo. Estes dados tornam-se consternadores se nos recordarmos que Portugal é dos países da Europa com maiores taxas de envelhecimento populacional.

Asseguro ao leitor que existem muitas mais evidências para outros problemas associados ao isolamento e solidão, mas que infelizmente, por questões de espaço não poderei abordar aqui. Contudo, a principal conclusão que devemos retirar é que um mau ambiente social tem sérias implicações na saúde dos seres humanos. Por este motivo, ao falar em autocuidado é de extrema importância lembrar que as nossas relações sociais devem também ser elas alvo de investimento.

Relações Sociais – A sua importância

Como referi no inicio desta rúbrica, as relações sociais são um dos ingredientes que ditaram e influenciaram a nossa sobrevivência e evolução enquanto espécie. Por esta razão, o contexto social tem influência contínua não apenas na nossa satisfação com as nossas relações, mas também com o nosso funcionamento em geral ao longo do ciclo vital – influindo sobre os nossos estados de humor, níveis de stress, bem-estar, persecução de objectivos, sensação de segurança, sentido de propósito e de significado da nossa vida. Isto significa que as relações sociais modelam-nos, influenciando o nosso comportamento e o nosso bem-estar (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017). A qualidade das nossas relações sociais pode ser uma fonte de resiliência ou uma agravante do risco de desenvolvimento de problemas de saúde físicos e psicológicos – algo que se verifica especialmente na maioria dos principais casos de doença mental (Beck citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017, ; Leach & Kauzler citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017; Pettit & Joiner citado por Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017)

Implicações práticas

O leitor poderá estar a questionar-se que soluções existem para combater o problema da solidão e do isolamento social. Quero começar por concordar com Lima (2018) dizendo que “a solidão não se cura com um psicólogo ou com uma linha de apoio 24 horas por dia” – embora a psicologia seja uma das ciências que tanto tem ajudado a compreender as implicações deste problema nas nossas vidas, a sua resolução transcende-se para todos nós. Por esta razão, defendo que é imperativo cuidar das nossas relações sociais. Contudo, tal não significa tornar-se a nova estrela em ascensão com milhares de seguidores nas redes sociais, ou coleccionar uma legião de amizades apenas porque sim. O cuidado implica reciprocidade – não apenas para que possamos falar sobre o que sentimos, mas sim criar um espaço onde o cuidado se dá e recebe (Lima, 2018). Este maior contacto psicológico que pauta as relações de proximidade (Holman, Kanter, Tsai & Kohlenberg, 2017) permite-nos desenvolver a sensação de que iremos ter o apoio e suporte quando mais necessitarmos (Lima, 2018) – eliminando assim o sentimento de isolamento e solidão e todos os seus agravantes para a nossa saúde e bem-estar.

Em suma caro leitor, a solidão é de tal forma corrosiva para a nossa saúde e bem-estar, que vivê-la é, parafraseando Sartre, sentir não que “O inferno são os Outros” mas sim “O inferno sem os Outros”. Não deixe de assegurar um espaço no seu dia-a-dia para cuidar e usufruir das relações com quem sente que lhe faz bem – sejam os seus amigos, família, colegas de trabalho ou qualquer outra actividade de grupo da qual faça parte – pois cuidando deles, cuidará também de si.

 

Texto de Rodrigo Pires

22014678_872304129590238_88610556_n

 

 

rodrigopiresuevora@hotmail.com

Psicologia

O sabor dos (loucos) vinte de hoje.

Lembraste quando eras adolescente e sentias que não eras carne nem peixe, mas estavas à beira de ser servido/a numa bandeja anyway? Pois é. Bem-vindo aos teus vinte e tais, onde a única coisa que muda é que tens (na maioria dos casos) uma identidade profissional parcialmente delineada. O que não quer dizer que não a questiones todos os dias e não acabes, até, por ingressar noutro trajeto completamente diferente.

Aos vinte e tais começas, também, a renovar o teu guarda-roupa. Os vestidos de festa aumentam e o teu roupeiro torna-se mais apelativo, digno de uma verdadeira socialite. São vestidos que só vestes uma vez, mas com os quais vais andar de “peito inchado” a tirar fotos que te vão garantir uma boa centena de likes no instagram. E porque é que os vestidos de festa aumentam? Porque (aí vem a grande diferença) as tuas amigas começam a casar! Deparas-te com o calendário de Junho a Setembro cheio e dás por ti a esperar que a onda casamenteira tenha uma interrupção de um aninho ou dois porque a tua carteira precisa de engordar novamente até ao próximo presente.

Nos teus vintes quase intas também começas a ter mais contacto com bebés. Seres dos quais há muito que não ouvias falar mas que, num ápice, voltam a estar no centro das dinâmicas das tuas amizades. As tuas amigas dividem-se entre as que se tornam tias e invadem o teu facebook com páginas de artigos de bebé e convites para concertos da patrulha pata, e aquelas que se tornam mães e te começam a desejar os parabéns terminando com um orgulhoso e maduro “são os votos da família Santos-Silva”. E até te sentes mais crescidinha quando deixas de ser cumprimentada com um “que saudades minha atrasada” e passas a ouvir e a viver um “diz olá à tia Pipa”. Confesso que os gugudádás não são conversas menos cognitivamente estimulantes que os “ele mandou-me uma mensagem para o face. O que faço?”. Na verdade, começas a sentir-te bem por alastrares os teus laços familiares e te deixares ser tia da criançada.

Começas a dar por ti a pensar numa lista de nomes infindáveis para menino e menina. (sim, vais dar por ti a divagar neste assunto!). E eis quando acabas por ter um cão chamado Bernardo ou uma gata chamada Clarinha.

Aos vinte e tais, vais sentir que não terminaste nem começaste nada e vais-te dar conta que os teus amigos estão a começar uma família enquanto tu ainda andas a estorvar a tua, ou porque lhes deixas o cão ao fim de semana ou porque continuas a pedinchar tupperwares. Vais sentir uma certa ansiedade relativamente ao futuro (não, não te tornas mais saudável ao nível mental, pelo menos até à entrada nos intas). De um lado tens ainda alguns resquícios da vida universitária e as party people. E olhas para essas pessoas já com uma certa distância … já não tens fígado nem estomago para tanta festa regada a tudo menos água. As séries passam a estar novamente no centro dos teus serões (já não recorres às séries só para procrastinar no estudo para uma frequência daquela cadeira que achas insuportável). Do outro lado, tens os teus amigos a enveredar numa nova aventura, a do casamento e dos filhos. E sentes-te ainda tão distante dessa realidade. Estás num impasse … vais começar a sentir-te um tanto ao quanto desintegrada. Tão welcome my dead adolescent me. Vais querer viver intensamente, mas substituis o capítulo 8 e a praxis por um bilhete de avião para Praga.

Nos teus vintes vais viajar muito. Vais-te viciar em viagens e vais começar a pensar que é isso que queres fazer para sempre. Embora também acabes por compreender que isso requer fundos e que os fundos requerem que vás aceitando estagiar ao abrigo de uns 500€ ao mês (que até te vão parecer muito, até começares a chegar ao segundo dia após o dia de S. Receber com apenas 10€ na conta).

Resumindo, sim! É tão difícil sair da casa dos vintes como foi entrar.

O meu conselho para ti: tudo tem o seu tempo. Este é o tempo de ser sem ser. O que traz uma boa novidade para ti. Podes continuar a descobrir-te por mais um bocadinho. A psicologia do desenvolvimento permite-te isso ao chamar-te Adulto (a) Emergente. Vive, controla essa ansiedade. Dizem, por aí, que os intas são diferentes!

 

Texto de Filipa da Piedade Rosado

22140683_10212798585433181_1025985687_o

 

 

 

filipa.p.rosado@gmail.com

Apresentação

Parceiros – PauloJLopes Fotografia

10269336_543473125775165_1297645335093782789_o

É com um olhar treinado, o timing perfeito nas mãos e o material certo que o Paulo Lopes nos presenteia com fotografias incríveis daquele que pode ser o dia mais feliz das vossas vidas, o vosso recém-nascido, a vossa despedida de solteira, a vossa sessão de namoro ou trash the dress, e por aí fora porque no que toca à criatividade é exímio.

De trato simples, profissional e acessível, é fácil chegar à fala com ele e encontrar um estilo que vos identifique, sendo certo que nenhuma reunião passa sem umas boas gargalhadas. Se forem clientes mais conservadores, não se preocupem! Da mesma forma que o Paulo e a sua equipa se adaptam a uma noiva que quer casar de ténis e não gosta de fotografias típicas, também se adaptam a um estilo mais conservador recorrendo aos vários anos de experiência em fotografia e relações humanas.

Para os mais tímidos também há solução, conseguindo deixar à vontade os mais envergonhados e arrancando-lhe sorrisos genuínos pautados por timidez, o que faz das imagens captadas representações quase perfeitas de naturalidade.

Há dois anos viu realizado o seu sonho de inaugurar o seu estúdio, onde todo aquele que o visitar se sente em casa e tem atendimento personalizado.

Fazendo-se rodear de uma equipa de excelência, garante que as fotografias e/ou vídeos captados vos falam ao coração, guardam as memórias essenciais e vos levam diretamente de volta ao momento que viveram. As fotografias são botões de memória diretos que nos reavivam as sensações, os cheiros e as emoções e nos transportam para os momentos mais felizes. Difícil vai ser escolher!

Se quiserem conhecer mais o trabalho do Paulo Lopes podem segui-lo no Facebook ou visitar o seu Site Oficial:

https://www.facebook.com/paulojlopesfotografiaavberna/

http://paulojlopes.net/site/#/home

 

28828869_1490023704453431_3955374657816628597_o

Palavras e Fotografia

As Raízes da Saudade – V (Parte I)

Estávamos em 2004. Tu, como sempre acontecia quando eu vinha das aulas, ias buscar-me ao pé da estrada e acompanhavas-me na travessia do descampado que nos levava a casa. Estava escuro e nesse dia eu apercebi-me de que estavas diferente.

Não sei se a mudança foi repentina ou se naquele dia eu olhei para ti com olhos de ver. Tropeçavas nas pedras, andavas rapidamente mas com passos estranhamente mais curtos. Parecias ter medo do chão que pisavas apesar de o fazeres quase todos os dias. Alguma coisa estava a mudar em ti. “Cada vez vejo pior” – dizias tu. Tinhas diabetes e consequentemente glaucoma. Pensei que era apenas a progressão desse problema, mas sabia que ias ser operado e que depois disso passarias a ver melhor.

Não dei importância talvez porque para mim eras eterno. Nunca me passou pela cabeça a possibilidade de te perder. Estarias sempre lá para dizer “Olá Netinha” e por isso, tudo se ia compor.

Nunca imaginei que um dia tudo ia mudar radicalmente e que eu teria que me confrontar com a mortalidade da pessoa que nunca pensei que um dia fosse morrer, apesar de saber que toda a gente morria. Os meses foram passando, os anos foram passando e aos poucos tu foste mudando.

Foste operado, ficaste a ver melhor, mas havia qualquer coisa que não batia certo. Alguma coisa estava a mudar de dia para dia, lentamente, mas ainda assim a uma velocidade demasiado acelerada para o que eu gostaria. Os teus passos eram rápidos e muito curtos, a tua postura estava a mudar. A tua mão começou a perder a sensibilidade, dizias não ter força, mas se pegasses num ovo desfazia-lo num piscar de olhos.

Mudei de cidade para lutar por um sonho e lembro-me que de cada vez que vinha a casa estavas diferente. Alguma coisa se tinha perdido naquela semana. Não sabia o que era. O brilho no olhar era o mesmo sempre que me vias chegar, a tua cara iluminava-se sempre com o mesmo sorriso, mas alguma coisa estava diferente.

Chegou o dia em que essa diferença recebeu um nome. Lembro-me de estar de braço dado contigo a caminho do gabinete médico e lembro-me do ar de preocupação que ele fez quando te viu chegar. “Está com uma passada tão curta… Temos que ver isso”. A consulta decorreu com uma serie de perguntas, falaste da tua falta de sensibilidade na mão direita e eu falei das quedas que eram cada vez mais frequentes. Naquela altura havia em mim sempre uma secreta esperança de que tudo aquilo ia passar. O médico estranhou tudo, ponderou muitas possibilidades e achou por bem fazer exames de diagnóstico. Parkinson era a possibilidade mais sonante e por sinal a mais assustadora.

Estava lá tudo, os tremores, a passada curta, a postura curvada, a falta de equilíbrio e coordenação. Tudo apontava para esse destino e aí foi quando o coração se apertou. Eu tinha estudado essa doença há pouco tempo, toda a informação estava bem fresca na minha cabeça. Revi todas as aulas e artigos que li no espaço de 10 segundos e as conclusões foram terríveis. Ias morrer um pouco mais todos os dias e eu pouco podia fazer para o evitar.

Digerir toda aquela informação foi difícil. Confrontei-me com a realidade de que mais cedo ou mais tarde já não ias estar aqui. Não estava preparada para isso. Nunca estamos preparados para perder os que amamos.

A verdade é que foste piorando com os anos e na última memória que tenho de ti, estás sentado na cadeira de rodas que te levava a todo o lado nos últimos anos da tua vida.

Na altura era difícil entender o porquê. Passamos a vida a procurar os porquês de tudo e nunca nos lembramos que eles só aparecem quando deixamos de procurar. Hoje sei porquê. Passar por tudo isto contigo fez-me reequacionar a vida. É demasiado curta e num piscar de olhos muda tudo. Hoje posso correr, saltar, passear, amanhã tudo isso pode acabar. Aprendi a pensar todos os dias “Estou a viver no meu potencial máximo? Estou a fazer a diferença na minha vida? Estou a amar em verdade? Estou a ser honesta?”

Graças a ti hoje faço um exercício com muita frequência. Lembro-me de te ver sentado no teu cadeirão da sala de olhos no pequeno horizonte que vias pela janela e de pensar “dava um euro pelos teus pensamentos”. Talvez estivesses a pensar no futuro que não ias ter ou talvez estivesses só a passar revista à vida que tiveste. Hoje faço esse exercício. Sento-me comigo no meu cadeirão de fim de vida e olho para a vida que estou a construir. Procuro perceber o que sinto quando olho para ela. Estou a fazer tudo o que posso? Estou a amar o suficiente? Estou a gastar tempo a chatear-me com coisas que eu sei que amanhã não são nada? Estou a guardar rancor ou a ser capaz de aceitar?

É o meu guia. És o meu guia.

Ainda há dias em que a tua ausência me dói. Ainda há dias em que dava muito para te trazer de volta nem que por apenas 1 hora, só para te poder perguntar se te orgulhas de mim e de tudo o que aprendi contigo.

 

Texto de Cláudia da Silva Mousinho

14125715_1155467937809556_3378696756477860058_o

Desporto

Já conhecem o princípio FITT?

Creio que nesta fase os nossos leitores já se encontram esclarecidos e informados no que diz respeito às evidências cientificas que demonstram os benefícios da atividade física. Para que estes benefícios sejam atingidos, é importante obter um plano de treino, plano este que deve ser concebido para alcançar objetivos individuais de saúde e aptidão física. Hoje no Life Quadrants e neste Dia Mundial da Atividade Física falamos um pouco sobre o processo de criação de planos de treino.

Já pensaram nas variáveis que um Personal Trainer precisa de ter em consideração quando vos prescreve um plano de treino? Sabem quais são? Quando nos é solicitado um plano de treino, devemos ter em consideração diversos aspetos. Existem vários princípios de prescrição de exercício, hoje apresento-vos um dos mais utilizados a nível internacional, designado “FITT-VP”.

O princípio de prescrição de exercício FITT-VP possibilita um programa de treino adaptado que inclui especificações no que diz respeito à Frequência (F), Intensidade (I), Tempo (T), Tipo (T), Volume (V) e Progressão (P) dos exercícios a efetuar. As componentes do FITT-VP variam consoante as características e objetivos específicos de cada indivíduo, componentes estas que deverão ser revistas frequentemente, de forma a acompanhar adequadamente qualquer alteração fisiológica e motivacional relevante.

Para vos explicar este modelo, talvez a forma mais clara seja a explicação de cada um dos componentes desta sigla.

F – Frequência (número de dias por semana em que será praticada atividade física)

I – Intensidade (apenas exercícios acima de determinado patamar de esforço, que varia de pessoa para pessoa, resultarão na obtenção dos benefícios espectáveis com a prática de atividade física)

T – Tempo (medida que diz respeito à duração de cada sessão de treino)

T – Tipo (exemplos: caminhar, correr, nadar, esquiar, dançar…)

V – Volume (é o produto da frequência, intensidade e tempo, podemos dizer que é a quantidade de exercício praticado, através do qual é calculado o dispêndio energético)

P – Progressão (a progressão consiste no aumento de qualquer um dos componentes do princípio FITT, consoante as características específicas de cada indivíduo)

Como é já habitual aqui no Life Quadrants, deixo-vos algumas recomendações FITT-VR (com alguns extras pertinentes), para exercícios Aeróbicos (cárdio) e de Resistência:

Recomendações para Treino Aeróbico:

Frequência:

  • ≥ 5 dias por semana de exercício moderado, ou ≥ 3 dias por semana de exercício vigoroso, ou uma combinação dos dois com um mínimo de 3 vezes por semana.

Intensidade:

  • Intensidade moderada e/ou intensa é recomendada para a maioria dos adultos;
  • Exercícios de intensidade leve a moderada podem beneficiar indivíduos em fase de recuperação.

Tempo:

  • 30-60 minutos por dia de exercício moderado, ou 20-60 minutos por dia de exercício vigoroso, ou uma combinação dos dois é recomendado para a maioria dos adultos;
  • Menos de 20 minuto diários pode ser benéfico , principalmente em indivíduos anteriormente sedentários.

Tipo:

  • Exercícios que englobem os maiores grupos musculares e que sejam de natureza contínua e ritmada são recomendados.

Volume:

  • Apontar para um gasto energético de ≥ 500 – 1000 METs por minuto (por semana);
  • Utilizando um pedómetro, aumentar ≥2000 passos por dia, até alcançar ≥7000 passos diários será benéfico;
  • Para quem não consegue ou não está disposto a efetuar as recomendações acima apresentadas, exercícios com um volume inferior às mesmas também apresentam benefícios.

Padrão:

  • O exercício pode ser efetuado numa sessão contínua, numa sessão com intervalos, ou múltiplas sessões de ≥ 10 minutos acumulados de forma a corresponder com a duração e volume diário desejados;
  • Períodos de exercício inferiores a 10 minutos podem produzir adaptações favoráveis em indivíduos com pouca condição física geral.

Progressão:

  • Progressão gradual do volume de exercício, através do ajuste da duração, frequência e/ou intensidade é razoável até atingir o objetivo de “manutenção”;
  • Uma abordagem com início pouco intenso e um aumento lento e gradual pode aumentar a adesão ao treino, diminuindo também a probabilidade de ocorrência de lesões músculo-esqueléticas e problemas cardíacos.

Recomendações para Treino de Resistência:

Como em tudo na vida, para obter resultados é preciso persistência, frequência e dedicação por isso, se quiserem saber as recomendações para a resistência, terão que acompanhar o blog assiduamente e ver a minha próxima publicação!! 😛😛

 

Texto de Cláudio Mousinho

0150